FMI quer cessar ajudas à Grécia, que poderá abrir falência em Setembro

22/07/2012 22:15 - Modificado em 22/07/2012 22:15
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) tenciona cessar as ajudas financeiras à Grécia, o que poderá lançar este país da Zona Euro na falência já em Setembro, noticia hoje o semanário “Der Spiegel” na sua edição electrónica.

 

A intenção do FMI de não libertar mais dinheiro do programa de ajustamento financeiro negociado com Atenas já foram comunicadas à União Europeia, garante o semanário alemão, citando fontes diplomáticas em Bruxelas.

Actualmente, a chamada troika do Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia e FMI está em Atenas a examinar o cumprimento do memorando de entendimento.

Numerosos especialistas já advertiram, porém, que a Grécia não conseguirá reduzir a sua dívida pública a 120% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020, objectivo central do programa traçado para reequilibrar as suas finanças públicas.

Atenas obteve até agora, desde Maio de 2010, dois resgates no total de 240 mil milhões de euros, além de um perdão superior a 50% da dívida por parte da grande maioria dos credores, mas a situação económica do país continua a ser muito crítica.

Se a Grécia obtiver mais tempo para cumprir o programa de ajustamento financeiro, como o novo governo de Antonis Samaras exige, isso custará à UE e ao FMI mais 50 mil milhões de euros, segundo cálculos da troika.

Acontece que muitos governos da zona euro já não estão dispostos a emprestar mais dinheiro a Atenas, e a Finlândia e a Holanda condicionaram futuras ajudas à participação do FMI.

O risco de uma saída da Grécia da Zona Euro é, entretanto, considerado “controlável” pelos parceiros da moeda única, como o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schauble, garantiu há algumas semanas, em entrevista ao “Der Spiegel”.

Para limitar os efeitos de contágio da crise grega a outros países, os governos da zona euro aguardam a entrada em vigor do novo Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE), que já estava agendada para Julho, mas aguarda uma decisão do Tribunal Constitucional Alemão, agendada para 12 de Setembro.

Para que a Grécia possa assumir os seus compromissos financeiros em Agosto, poderá receber novas ajudas do BCE, embora, em princípio, Atenas tenha de devolver ao Banco Central Europeu 3,8 mil milhões de euros até ao dia 20 do próximo mês.

A confirmar-se a notícia do “Der Spiegel” sobre o fim da participação do FMI nas ajudas financeiras, a única solução para a Grécia será, no entanto, abrir falência em Setembro e regressar à antiga moeda, o dracma, ensaio sem precedentes na Zona Euro que deverá abalar profundamente a economia helénica, e afectar também os parceiros europeus.

 

 

 

 

 

lusa.pt

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