Oposição síria ocupa toda a fronteira com o Iraque e conquista posto com a Turquia

20/07/2012 02:52 - Modificado em 20/07/2012 02:52
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As forças armadas da oposição síria já controlam todos os postos fronteiriços com o Iraque, anunciou à AFP o vice-ministro do Interior iraquiano. Um posto de fronteira com a Turquia foi também tomado esta quinta-feira.

 

“A totalidade dos postos de fronteira estão debaixo do controlo do Exército de Libertação da Síria”, disse o ministro Adnan al-Assadi. A Síria tem fronteiras com o Iraque (a leste, a de maior extensão), com a Jordânia, com o Líbano e com a Turquia (Norte).

Uma das passagens chave para este último país, Bab al-Hawa (uma passagem comercial vital), foi também conquistado esta quinta-feira, sendo a oposição a controlar os edifícios alfandegário e de imigração. De acordo com o porta-voz dos opositores ao regime do Presidente Bashar al-Assad que falou com a AFP, o posto com a Turquia foi conquistado deposi de dez dias de batalha com as tropas fiéis ao regime.

Um jornalista da Reuters no lado turco, em Cilvegozu, relatava que durante todo o dia se ouviu o som das metralhadoras e d eoutras armas, e que se viu fumo negro no ar numa zona a cerca de dois ou três km da fronteira entre os dois países.

O porta-voz do grupo de oposição Conselho Superior da Liderança Revolucionária, Ahmad Zaidan, disse que as tropas do seu lado controlavam todo o acesso à passagem e que um dos objectivos ao conquistar este local era facilitar a passagem aos militares do regime que pretendiam desertar.

O anuncio da tomada da linha de fronteira com o Iraque e do posto com a Turquia surge num momento em que o exército da oposição realiza ataques na capital da Síria, Damasco, tendo na quarta-feira atingido a célula do comando de crise de Assad. Os ministros do Interior e da Defesa morreram.

A capital está transformada num campo de batalha, relata a AFP, e milhares de pessoas tentavam hoje abandonar Damasco, onde praticamente todos os serviços estão encerrados.

“Depois do atentado [contra a sede da Segurança Nacional], os estabelecimentos fecharam e as pessoas desapareceram”, disse à AFP Nidal, um costureiro do bairro de classe média de Qassaa.

Algumas pessoas tentaram reunir-se no centro da cidade e gritar frases de apoio à oposição, mas dispersaram devido ao caos – há helicópteros a sobrevoar os bairros e armas a serem disparadas em muitas direcções. Após o ataque de quarta-feira, o regime fez levantar os helicópteros militares e foram disparados rockets.

Enquanto no terreno a guerra continua a escalar, na frente diplomática não há avanços, o que levou o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Kofi Annan, a declarar estar “desiludido”.

 

EUA já não apoiam missão da ONU

No Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque, a Rússia e a China voltaram a vetar uma resolução que obrigada Bashar al-Assad a aceitar o plano de paz que chegou a assinar em Abril mas nunca pôs em prática. Responsáveis russos disseram que não se trata de defender os interesses russos mas de evitar uma intervenção armada na Síria que teria consequências em todo o Médio Oriente.

O novo documento dava ao Presidente sírio dez dias para recolher as armas pesadas nos quartéis e desmilitarizar os bairros das principais cidades. O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, William Hague, descreveu a decisão russa e chinesa como “indesculpável e indefensável”. “Acredito que a Rússia e a China vão pagar um preço sério no Médio Oriente por esta posição, política e diplomaticamente. Muitos observadores vão concluir que puseram o interesse nacional à frente das vidas e dos direitos de milhões de sírios”, disse.

Perante o fracasso da missão de Kofi Annan – o veto terá enterrado definitivamente o processo de pôr fim à guerra pela via negocial -, a Casa Branca emitiu um comunicado dizendo que não apoia a continuação da missão da ONU na Síria. Sendo que a ONU tem duas missões em curso, a de Annan e a de observadores, tendo esta sido suspensa por não haver garantias de segurança para os observadores.

Perante a progressão militar da oposição, surgiram notícias dando conta da saída de Bashar al-Assad de Damasco, em direcção a Latakia, cidade a partir da qual poderia pôr em prática um plano para partir o país em dois. A Norte, seria criado um estado xiita (os Assad e a elite dirigente síria é alauíta, um ramo xiita). Estas notícias não foram confirmadas por fontes independentes e Assad surgiu na televisão pública a dar posse a um novo ministro da Defesa.

 

 

 

 

publico.pt

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