Crise atinge prostituição em São Vicente: Sexo pelo preço de um café

18/07/2012 00:38 - Modificado em 19/07/2012 09:02

As profissionais do sexo, em São Vicente dizem sentir as dificuldades para dar um expediente, porque os problemas económicos que assolam a ilha estão a ter repercussão na classe. Para estas mulheres, a concorrência tem sido o maior obstáculo para conseguir algum dinheiro. Porrque a cada dia surgem no Mindelo novas prostitutas que fazem aumentar a oferta.Por seu lado, os cicerones afirmam ter saudades dos tempos de ouro onde a sua profissão rendia muito dinheiro. Dado que hoje a maioria das mulheres passaram a engatar os clientes, sem a ajuda dos cicerones.

 

A prostituição em São Vicente foi assolada pela crise económica que afecta vários sectores na ilha. As prostitutas afirmam que há dias em que comem o pão que o diabo amassou. Porque saiem de casa às 8 da noite e regressam no dia seguinte por volta das 7 horas, com algum dinheiro que não compensa o esforço despendido. Para estas mulheres que sem dinheiro para sustentar os filhos viram-se obrigadas a aventurar-se nesta profissão, os bons tempos fazem parte do passado. A entrada de novas mulheres para a classe trouxe problemas e uma das soluções foi dispensar os serviços dos cicerones.

Segundo algumas mulheres, com que falamos ,esta prática deve-se a crise que se instalou no seio da classe e devido ao aumento do número de prostitutas em São Vicente. Para estas mulheres de vida que há mais de 10 anos percorrem as ruas de Mindelo a procura de clientes, os serviços estão mais baratos, por conta das “macaquinhas”, jovens que vendem o corpo a troco de 50, 200, ou 500 escudos. Bem como, alguns cidadãos queixam-de de problemas financeiros, por isso pagam pouco pelo serviço. Mas para estas prostitutas, na sua profissão há uma máxima que diz “o pouco é que conta, por isso nada se dispensa”.

Romana Silva afirma que “estou nesta vida há mais de doze anos, porque tinha dificuldades para encontrar um emprego. Não tinha dinheiro para sustentar os meus filhos até que certo dia no centro da cidade vi algumas moças a entrar num tosco com uns estrangeiros. Após o serviço conversei com elas e me disseram que aquela profissão rendia dinheiro, sendo que estava a vender o próprio corpo, por isso ninguém tinha nada que falar. Deste modo comecei a fazer algumas biscates com turistas que aportavam em Mindelo, a troco de géneros alimentícios e dinheiro para sustentar a minha família”.

Questionada sobre a situação actual da profissão e a relação estabelecida com os clientes Silva responde que “já tive tempos melhores, onde chegava a casa por volta das 7 horas da manhã com cerca de 20 mil escudos na bolsa. Isto porque havia clientes que gostavam dos meus serviços e repetiam a dose. Mas agora com a crise financeira tive que dispensar os cicerones, porque o pouco que se ganha não dá para repartir. E hoje para conseguir alguma coisa é preciso andar pela cidade para vencer a concorrência, ou estar atenta quando surgem os clientes habituais”.

 

Mudança

Francisca Rocha partilha da mesma opinião que a colega de profissão e assegura que “o cicerone era um apoio no negócio, porque para além de arranjar os clientes garantia a nossa segurança . Mas tinhamos que pagar por essa ajuda. Por isso passamos a fazer o engate sozinhas e quando surge adversidades na conversa com os estrangeiros usamos gestos para convencer o clientes”.

Fernada Santos prefere falar da concorrência desleal por parte das meninas conhecidas em Mindelo por “cafeiteiras”, porque fazem sexo pelo preço de um café. Por outro lado Santos assegura que a sua fonte de rendimento têm sido os chineses que estão na CABNAVE. “A entrada de novas mulheres na prostituição veio complicar-nos a vida, porque antes éramos nós que dava-mos os preços. As meninas que agora prostituem a troco de valores que não ultrapassam os 500 escudos fizeram -nos baixar o preço do serviço. De modo que alguns indíviduos passaram a fazer-nos pressão e dão o seu preço e nós temos que aceitar, porque o pouco conta em casa. No meu caso para reverter a situação optei por ficar a fazer sexo com os chineses da CABNAVE, porque para além de dar-nos dinheiro, nos levam aos mini-mercados para adquirir-mos bens que necessitamos em casa”.

 

Cicerones

O NN conversou com dois jovens, cicerones que decidaram seguir as pisadas dos pais que noutros tempos expedientavam clientes para as prostitutas, em troca de dinheiro para colocar comida na mesa. Jaime Duarte e Carlos Fortes afirmam que “o desemprego que assola a nossa ilha fez-nos ingressar numa profissão que além do seu objectivo principal que é levar o cliente as prostitutas, faz-nos desenvolver as nossas capacidades linguísticas. Hoje ,se sei falar muitos idiomas é por causa do meu trabalho”.

Questionados pelo período actual respondem que é “um momento caracterizado por dificuldades”. Jaime e Carlos acrescentam que “já tivemos dias melhores, mas com a conjuntura actual, a maioria das profissionais do sexo passaram a fazer o engate sozinhas. Dizem que ganham pouco e quando entregam-nos 50% ficam sem nada. Por isso a nossa solução é ficar de plantão nas imediações da Marina, ou na CABNAVE para quando surgir um estrangeiro a procura de sexo pago, para levamo-lo as prostitutas”.

  1. PJota

    Até nesse aspecto são vicente era más sabe… qónde tudo era na respeite, ques prostituta era respeitode… normalmente ês tinha ses zona que ês tava estóde que era lá pa banda de lombe, nha plónia… etc
    hoje em dia prostitutas ca tem rosto… qualquer um pode ser….
    miséria na terra, viçarada e ambição de compra ropa bnite ma sapote tem ês menininha na es cosa…
    Governo tem que tmá providéncia porque de contrário um ca sabe onde que nô tita ba pará….
    Ah Mindel, quem te viu e quem te vê…

  2. Helder Graça

    Mindel, quem te viu e quem te vê…e ainda quem te verá…
    A min não me cabe julgar nem “situação nem irmão(ã)”
    Tenho sim minha opinião cosciente e formulada…
    Queria era ver se não apontasse-mos aos culpados e todos juntos nos culpablizar-mos e conscienciabilizar-mos que o tempo de melhorar-mos è “AGORA”
    Doi-me ver uma irmã sem opção a vender o seu corpo por um valor desconsideràvel…
    Mas não cabe a min decidir nem estipular…somente sinto essa “dor”…porque vim ao mundo assim, como TU

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