Antigamente vivia-se com pouco, mas melhor

21/10/2014 07:44 - Modificado em 21/10/2014 07:44

pobrezaNo dia em que se comemora o dia mundial da erradicação da pobreza, os cidadãos que vivem em extrema pobreza na ilha de São Vicente lamentam a situação em que vivem e mostram-se esperançosos  por dias melhores e consideram que, antigamente, os cabo-verdianos viviam com pouco, mas melhor do que nos dias de hoje.

 

Embora estudos revelem que a taxa de pobreza tenha diminuído em Cabo Verde, ainda persiste um número considerável de pessoas que vivem no limiar da pobreza. O nível da pobreza continua elevado. Muitas famílias têm dificuldades em obter o pão de cada dia, vivem em habitações sem quaisquer condições habitacionais, a taxa de desemprego continua alta. Para os entrevistados, antigamente vivia-se com muito pouco, mas as condições de vida eram melhores que hoje.

A verdade é que o número de pobres e de pessoas que passam fome é um fenómeno que está a transparecer claramente na sociedade mindelense. No dia em que se comemora o dia mundial da erradicação da pobreza, este on-line falou com algumas pessoas que passam por diferentes dificuldades, que vivem em extrema pobreza, para saber a opinião delas, muitas vezes esquecidas pela sociedade.

Antão é um homem de 48 anos que está na  porta da Igreja de Nossa Senhora da Luz pedindo esmola, e considera que a fome em São Vicente nunca deixou de existir e que as autoridades insistem em fechar os olhos fingindo ser um país de desenvolvimento, onde muitas pessoas doentes, não procuram o Banco de Urgências porque não possuem a quantia exigida, muitos não tem condições para alimentar os filhos, porque não há emprego.

Já Júlia, que mora numa casa de lata toda esburacada, adiante que as condições de vida de antigamente eram melhores, embora as famílias vivessem com pouco dinheiro, mas não faltava o pão de cada dia para os filhos.

Um entrevistado que não se quis identificar, diz não ter casa, vive deambulando pelas ruas pedindo esmolas e à noite, abriga-se numa casa que está em construção na zona de Alto Mira Mar. O indivíduo de sexo masculino diz que a vida é muito dura e difícil para os que não têm condições. “Recolho o lixo nalgumas lojas e casas e ainda faço recolha de restos de comida nos contentores para vender aos criadores de porcos e assim vou safando a vida”.

Segundo dados do INE referentes a 2007, a taxa de pobreza nacional é de 26,7 por cento. O nível de pobreza diminuiu de 36,7%, em 2001, (163.200 pobres) para 26,6% em 2007 (130.900 pobres). No entanto, assinala-se uma diminuição mais acentuada no meio urbano do que no meio rural.

Maria Aldina, reside na zona de Monte Sossego. É uma senhora sensível às causas sociais e diz que viveu muitos anos na Holanda e que há sete anos veio residir na sua terra natal. Maria Aldina diz que tem vindo a apoiar muitas pessoas carenciadas e considera que ao longo dos anos o número de pessoa a viver na pobreza tem aumentado. A mesma apela à sociedade para ser mais solidária com as pessoas vulneráveis e reconhece o esforço do Governo no combate à pobreza mas diz que é necessário um trabalho reforçado.

 

  1. Maria Fortes

    O maior erro que as elites caboverdianas estao cometendo é a sua total cegueira perante as desigualdades sociais que cada vez sao mais claras e a sua ganância e obsessão incontrolavel na obtenção de cada vez mais riqueza material utilizando todos os meios, legais (nem tudo o que é legal é ético) e ilegais.
    A exibição de riqueza é simplesmente pornográfica. A pobreza que se alastra é visivel por todos os lados. Mas o que eles, os usurpadores esquecem ou fingem esquecer é que essas massas desprotegidas e exploradas, essas massas aparentemente dóceis e mansinhas podem transformar-se de um momento para outro no combustível ideal para uma Primavera Crioula.
    E aquilo que lhes foi negado, melhor dizendo roubado, será um motivo, um impulsionador para os retirar da letargia e exigirem, a bem ou a mal, o que lhes é negado.
    Podem dormir descansados nas suas mansões, podem circular com a cara fechada, zangada, com o nariz empinado, com toda o seu orgulho nos seus carrões de alta gama (uma perfeita aberração para um País que vive de esmola internacional e dividas) pois pode ser que um dia, talvez nao muito tarde, serão acordados abruptamente quando esses explorados lhes baterem a porta nao pedindo esmolas mas exigindo o que lhes foi negado para nao dizer roubado e estorquido.
    E essas massas andam apenas à espera dum “Capitão Ambrósio” e esse Capitão Ambrósio, surge sempre e ironicamente no seio das elites.

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