Renamo não aceita resultados das eleições que apontam para vitória da Frelimo

17/10/2014 08:04 - Modificado em 17/10/2014 08:04
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renamoA Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, anunciou que não reconhece os resultados que apontam para um triunfo do partido governamental, a Frelimo, nas legislativas e do seu candidato presidencial, Filipe Nyusi.

“Nós não aceitamos o resultado destas eleições (…). Podemos dizer categoricamente que ganhámos estas eleições”, disse à agência AFP o porta-voz da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), António Muchanga. “Não é uma questão de vitória ou derrota, mas de transparência”, afirmou também. O dirigente oposicionista queixou-se de  irregularidades no processo eleitoral.

A posição da Renamo lança a incerteza sobre o futuro próximo do país. As eleições decorreram pouco mais de mês e meio após um acordo de paz que pôs fim a 17 meses de guerra não declarada, que fez temer o regresso do conflito generalizado que, entre 1976 e 1992, causou um milhão de mortos.

Dados preliminares, ainda muito parciais, indicavam esta quinta-feira à tarde que Nyusi estava à frente na contagem das presidenciais e que o partido a que pertence, a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique, no poder), liderava no escrutínio das legislativas.

Informações divulgadas pelo jornal O País, relativas ao apuramento em 50% das mesas de voto, mas que não indicavam a percentagem de boletins escrutinados, atribuíam 61,2% dos votos a Nyusi, nas presidenciais, e 58,11% à Frelimo, nas legislativas.

Afonso Dhlakama, líder da Renamo, surgia com 31%, e Daviz Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), com 7,7%, segundo o Observatório Eleitoral, uma organização não-governamental, que reúne entidades da sociedade civil. Nas legislativas, a Renamo somava 28,9% e o MDM 11,7%.

Os números estão em linha com projecções do mesmo observatório, que apontam para a eleição de Nyusi, com 60,5%. Dhlakama teria 32% e Simango 7,5%. Nas legislativas a estimativa é de para 58% para a Frelimo, 29,5% para a Renamo e 10,4% para o MDM.

Nas presidenciais de 2009, o Presidente cessante, Armando Guebuza, e o partido governamental obtiveram 75% dos votos.

A oposição denunciou fraudes nas eleições – presidenciais, legislativas e provinciais – de quarta-feira. A responsável dos observadores da União Europeia, Judith Sargentini, disse à AFP que a consulta eleitoral correu globalmente bem. “Notámos algumas irregularidades, mas diria que, no conjunto, até ao momento do encerramento [das urnas], correu bem.”

Após o encerramento das assembleias de voto, ocorreram confrontos. Em Nampula, a polícia antimotim dispersou uma multidão que se tinha concentrado junto a uma assembleia de voto para acompanhar o escrutínio. Segundo a agência Lusa, usou balas reais e gás lacrimogéneo. O presidente do município, Mahamudo Amurade, eleito pelo MDM, relacionou a intervenção policial para afastar os eleitores com uma alegada tentativa de fraude.

Em Angoche, também na província de Nampula – maior círculo eleitoral do país –, ocorreram também confrontos entre a polícia e populares, que chegaram a interromper a contagem de  votos. Na Beira, capital da província de Sofala, as forças policiais dispersaram com gás lacrimogéneo pessoas que se concentraram junto a postos de votação, alegando que estavam a procurar evitar fraudes.

Correspondentes do Centro de Integridade Pública e a Associação dos Parlamentares Europeus em África, duas organizações independentes que acompanham o processo eleitoral, denunciaram tentativas de “enchimento de urnas” em diversos lugares de Moçambique.

 

publico.pt

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