Agente da PN acusado de matar uma pessoa: Testemunhas dizem que estava embriagado

8/10/2014 00:35 - Modificado em 8/10/2014 00:35
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livro_marteloO Juiz do 2º Juízo Crime da Comarca de São Vicente procedeu à audiência de julgamento de Ilaugino Fortes, agente da PN, acusado de matar o companheiro da enteada com a sua arma de serviço, em 26 de Julho de 2013, na localidade de Ribeira de Craquinha. As testemunhas dizem que Ilaugino estava embriagado quando disparou.

 

No Tribunal, o arguido Ilaugino Fortes disse que tudo começou quando Celso acusou o filho de lhe ter roubado 700 escudos e chamou-lhe nomes obscenos, pelo que engalfinharam e disse que o irmão também tinha uma pistola. Ilaugino apanhou a sua pistola de serviço que estava no quarto e disparou quatro tiros. Ilaugino afirmou ainda que Celso lhe pegou pelo pescoço e deu-lhe com a cabeça na parede. O arguido recorda que tinha 6 ou 7 munições, mas não recorda quantos disparos efectuou contra Celso e nem em que parte do corpo o atingiu pois, segundo ele, estava desorientado. Em Tribunal o arguido adianta que nunca tinha tido nenhum tipo de problemas com a vítima, apesar de lhe ter chamado a atenção algumas vezes, porque ele batia na namorada.

Ilaugino, confirmou que já esteve internado para desintoxicação e que tomava alguns medicamentos por causa do seu problema de alcoolismo. Além desses problemas, o arguido disse que tinha problemas familiares, tensão alta e não dormia à noite, inclusive tomava dois diasepans por dias entre outros medicamentos.

O arguido afirma que “a cabeça não deu para mais nada, estava desorientado”, mas confrontado em Tribunal se deu os disparos realmente para matar, ele nega.

A testemunha Ilísio Almeida, que é vizinho afirmou em Tribunal que Ilaugino e Celso não estavam no seu estado normal, ou seja, estavam embriagados, mas ele tentou acalmá-los para que a situação não tomasse as proporções que acabou por tomar. Ilísio diz que entrou em casa de Ilaugino e tentou falar com os dois e ambos aparentavam estar a entender e saiu. Celso saiu logo em seguida, mas regressou logo depois para dentro de casa e Ilísio ouviu cerca de 3 ou 4 disparos.

O agente da Polícia Nacional Zacarias Lima, afirmou em Tribunal que receberam uma chamada por volta das 20:15 e foram ver a ocorrência. Chegando no local do incidente Ilaugino dirigiu-se logo para os agentes da Polícia Nacional e explicou-lhes que ele e o Celso tinham tido um desentendimento, para contactarem os bombeiros para darem assistência à vítima.

De acordo com o agente da PN Zacarias, logo na entrada encontraram um revólver,  e três munições. De acordo com o agente, o arguido não apresentou resistência, mas falava coisas sem sentido e estava desorientado.

Rudney Fortes, de 13 anos, filho de Ilaugino Fortes era uma testemunha considerada importante, mas devido ao grau de parentesco com o arguido ele poderia escolher  dar o seu depoimento ou não. O menor negou falar sobre o que aconteceu naquele dia, um direito que ele assiste.

A esposa do agressor, Laurinda Fortes adianta que o marido e a vítima estavam embriagados e que não se lembra muito bem de todos os factos, mas recorda-se que Celso estava a acusar o filho de lhe ter roubado 700 escudos e que foi o Celso quem agrediu primeiro com empurrões.

António Rocha sociólogo, colega de trabalho de Ilaugino afirma que o arguido era um alcoólatra e que essa situação era do conhecimento da instituição e que o agente chegou a ser desarmado .

Alegações

O Ministério Público adianta que o arguido foi ao Tribunal acusado do crime de homicídio agravado previsto pelo artigo 123, alínea a, b e c do código penal, crime que ficou provado, tendo o arguido confessado ter disparado contra Celso. Para o MP, o arguido tinha plena noção do que estava a fazer e quis mesmo a morte da vítima. De acordo com o MP, se Ilaugino não quisesse a morte da vítima ele teria fechado a porta e chamado a Polícia. “Ele foi covarde e não agiu em legítima defesa, mas sim ofensivamente e, por isso, deve ser condenado pelo crime de homicídio agravado”.

O advogado de defesa de Ilaugino Fortes, Edson  Costa  lamenta a perda dessa vida e diz que o arguido nunca quis que a situação tomasse o rumo que tomou. O advogado alegou que Ilaugino não estava no seu estado normal e perante estes factos, entende que deveria haver uma desgravação da pena .Pois, para ele, o arguido agiu em legítima defesa.

Por isso, o advogado pede que o crime de homicídio agravado seja convertido em homicídio simples. O advogado do arguido pede ao Tribunal que avalie as circunstâncias em que o arguido estava quando cometeu o crime e leve em conta que o arguido não tem antecedentes criminais, por ser uma pessoa integrada na sociedade.

O arguido está em prisão preventiva desde o assassinato e é de realçar que o mesmo incorre numa pena de prisão entre 15 a 25 anos, se o Tribunal der como provados os factos que lhe imputa: a prática de um crime de homicídio agravado.

A leitura da sentença será feita no dia 23 de Outubro às 10h30m.

 

 

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