Que turismo para Cabo Verde…Que turismo para as ilhas do norte?

24/09/2014 12:16 - Modificado em 24/09/2014 12:16

deluca monteiroQue turismo para Cabo Verde…Que turismo para as ilhas

Numa era em que Cabo Verde está a experimentar o sabor do turismo de massas, onde impera o turismo chamado de “all inclusive” que, de forma mais simples é aproveitar a viagem sem ter de colocar a mão no bolso ou se preocupar com o preço do jantar ou a conta do bar. Esse é o grande atractivo do sistema “all inclusive”, criado nos anos 1970, mas que só agora se popularizou em Cabo Verde, com o crescimento da oferta de resorts e hotéis de luxo no país. De registar que este sistema tem dominado os mercados das ilhas do Sal e da Boavista. O que representa uma “ameaça” ao comércio e economia locais.

De referir que, a maior parte dos produtos de primeira necessidade e, de maior consumo nos ditos de resorts e hotéis de luxo no país, são importados. Estes o são, devido às exigências de qualidade que este tipo de turismo suscita. E, às quais não temos capacidade de produzir para o consumo local.

Esse turismo está essencialmente baseado em praias exóticas, em resorts e hotéis de luxo com arquitecturas paradisíacas.

Mas a Região Norte tem outro turismo a oferecer, o turismo de montanha, rural e de ar livre. Com experiencias que jamais serão sentidas por um turista “all inclusive”. As ilhas do Norte pela sua complementaridade natural oferecem ao turista que as visita o deslumbramento, o qual na maioria das vezes não possui na sua terra natal. A tal complementaridade passa pelo descobrir a cidade e o campo nas suas versões quasi que originais.

E, é aí que entra o conceito do ecoturismo. E também a forte aposta que se deve fazer neste segmento turístico.

Ecoturismo é o segmento da actividade turística que utiliza, de forma sustentável, o património natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações”. Isto significa que quem opera e participa de actividades ecoturísticas deve seguir os seguintes sete princípios:

Minimizar impactos
Desenvolver consciência e respeito ambiental e cultural;
Fornecer experiências positivas para ambos visitantes e anfitriões;
Fornecer benefícios financeiros directos para a conservação;
Fornecer benefícios financeiros e poder legal de decisão para o povo local;
Elevar a sensibilidade pelo contexto político, ambiental e social dos países anfitriões;
Para que uma actividade possa ser considerada como de Ecoturismo, ela deve garantir:

·         Conservação dos recursos naturais e culturais;

·         Gerar benefícios para as comunidades receptoras;

·         Garantir a Educação Ambiental

 

O ecoturismo é percebido pelos seus adeptos ou tende a ser promovido como:

·         Uma forma de praticar turismo em pequena escala;

·         Uma prática mais activa e intensa do que outras formas de turismo;

·         Uma modalidade de turismo na qual a oferta de uma infra-estrutura de apoio sofisticada é um dado menos relevante;

·         Uma prática de pessoas esclarecidas e bem-educadas, conscientes de questões relacionadas à ecologia e ao desenvolvimento sustentável, em busca do aprofundamento de conhecimentos e vivências sobre os temas de meio-ambiente;

·         Uma prática menos espoliativa e agressiva da cultura e meio-ambiente locais do que formas tradicionais de turismo.

Princípios do ecoturismo

·         Da natureza nada se tira a não ser fotos.

·         Nada se deixa a não ser pegadas.

·         Nada se leva a não ser recordações.

De notar que é o segmento turístico que proporcionalmente mais cresce no mundo, enquanto o turismo convencional cresce 7,5% ao ano, o ecoturismo está crescendo entre 15 a 25% por ano. A Organização Mundial de Turismo (OMT) estima que 10% dos turistas em todo o mundo tenham como demanda o turismo ecológico. O facturamento anual do ecoturismo, a nível mundial, é estimado em US$ 260 bilhões.

É neste sentido que devemos investir. Criar as condições básicas para deixar que o turismo no país ganhe propriedade e a devida força. Se criarmos impedimentos, outros locais estarão de braços abertos para acolher “os nossos” turistas. Pensemos melhor no futuro e, principalmente pensem: QUE TURISMO PARA CABO VERDE… QUE TURISMO PARA AS ILHAS DO NORTE?

DELUCA MONTEIRO

  1. José F Lopes

    Este é o tipo de turismo que gostaria para CV, nomeadamente S. Vicente e S. Antão. Um turismo sustentável integrado na natureza as paisagem e com as pessoas. Não tenho nada de turismo de Sol e Praia mas a doses limitadas e bem enquadrada

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