Caso ESJB :  se não houve articulação entre a professora e direcção  é justo  que  o aluno fosse o único prejudicado ?

22/09/2014 08:09 - Modificado em 22/09/2014 08:09

ESJB (1)A escola entendeu que sim. O delegado do MED entendeu que sim. A Ministra da Educação entendeu que não… E fortuna do céu amém: ma pequini pa panha, mais grande pa cerca… nera? A nossa investigação apresenta a versão da encarregada de educação  que sustenta que  “se não houve uma devida articulação entre os órgãos que intervieram no processo, será judicioso que o aluno que está sujeito a esses dois órgãos seja o único prejudicado?”

O NN prossegue com a investigação sobre o caso do aluno da Escola Secundária Jorge Barbosa que pediu a repetição da prova sumativa de química alegando bloqueio psicológico. Este online tentou ouvir a versão de Arlinda Ivete Lopes, encarregada de educação do aluno em causa. Até hoje não foi possível. E como é importante conhecer a versão de todos, pois até agora só se conhecia a versão da direcção da ESJB e da Ministra da Educação, o NN revela o conteúdo de dois recursos apresentados pela mãe do aluno onde esta tenta desmontar os argumentos da direcção da escola.

De acordo com o recurso de 29 de Maio, a encarregada de educação alega que no dia 7 de Maio durante a aplicação do primeiro teste sumativo do terceiro trimestre na disciplina de Química o aluno Hélio Ruben Flôr, 12 º ano, Turma E/Manhã da Escola Secundária Jorge Barbosa, “embora afirmando sentir-se no domínio dos conhecimentos requeridos para a unidade de avaliação em causa, não conseguiu realizar a referida prova alegando sentir-se bloqueado e com dificuldades em raciocinar em virtude do estado de tensão interior que então experienciava”. E, a este ponto, surgem factos que não eram do domínio público e que envolvem outros professores, em particular o recurso revela que a decisão de suspender a prova foi tomada pela professora do aluno, Alícia Neves. De acordo com o documento que estamos a citar, o aluno ao ver-se na situação descrita, chamou a professora que supervisionava a prova e pediu que esta chamasse à sala de aulas o professor António Fernandes Ramos, coordenador da disciplina de Química. Este, ao tomar conhecimento do caso, optou por solicitar a presença da professora do aluno de modo a identificá-lo e analisar a decisão a ser tomada.

Foi a professora quem mandou suspender a realização da prova

De acordo com o recurso e que pode ser confirmado ou não pela professora que supervisionava a prova, pelo coordenador da disciplina de Química e pela professora do aluno, foi esta quem decidiu pela interrupção da prova “com a intenção de, no dia seguinte, o submeter a uma nova prestação de prova”. E assim, quando faltavam 15 minutos para o final da prova, o teste foi recolhido e o aluno permaneceu na sala até ao fim.

Teria ou não a professora do aluno competências para, sozinha, decidir pela interrupção da prova? A resposta a esta questão teria evitado tudo o que veio a passar-se depois, se tivesse sido encontrada dentro da escola. A mãe do aluno no seu recurso, considera que a professora tinha essa competência quando alega: “a professora Alícia Neves, enquanto professora do aluno, agindo no âmbito da sua autonomia pedagógica e acreditando estar a situação específica contida na sua zona de autonomia (na medida em que lhe assiste o poder deliberativo sobre questões de metodologia e avaliação das aprendizagens dos seus alunos), decidiu interromper o teste do aluno com a intenção de, no dia seguinte, o submeter a uma nova prestação de prova”.

Direcção desautoriza professora

Mas a direcção do ESJB tem outro entendimento e, ao tomar conhecimento do sucedido, informa a professora Alícia Neves que “desautorizava a nova aplicação da prova sob a alegação que a decisão fora tomada sem o seu consentimento e na medida que se encontrava em resolução um outro caso com contornos semelhantes”.

No dia 14 Maio, seis dias após a interrupção do teste, a professora de química informa o aluno que este “deveria o mais urgentemente possível e de forma a agilizar o processo, entregar um requerimento dirigido à Direcção da Escola solicitando a nova realização do teste pendente”. No dia 15 de Maio, a mãe do aluno dá entrada de um documento conforme ao sugerido pela professora de química.

No dia 16 de Maio, a encarregada de educação fica a saber através da directora de turma que esta foi informada pelo director da ESJB que o novo teste só seria aplicado se fosse apresentado um comprovativo médico que apoiasse a alegação de bloqueio mental que teria determinado a não realização do teste na circunstância normal. Começa-se a entender a razão pela qual o aluno só foi submetido a exame médico 10 dias depois do sucedido. Com efeito, Ivete Lopes segue a recomendação e, “no dia 17 de Maio, o aluno foi submetido a avaliação psicológica por um técnico qualificado e foi emitido um parecer que daria entrada no mesmo dia na direcção da Escola”.

E a psicóloga da Escola onde estava?

No recurso ao MED, a encarregada de educação questiona a razão pela qual o serviço de psicologia da ESJB não foi chamado para avaliar o caso, “uma vez que todo o caso ocorreu dentro da escola”. E sustenta que “a própria direcção da escola poderia encaminhar o aluno para avaliação de onde resultaria um parecer que auxiliasse a tomada de decisão”. Dos dados apurados por este online, fica claro que a psicóloga da escola nunca foi chamada para este assunto.

No dia 23 de Maio, o aluno é informado que o pedido para a repetição do teste não foi aceite. No dia 27 de Maio, numa reunião solicitada pela encarregada de educação com a direcção, esta fica a saber os argumentos que estiveram na base do indeferimento.

Ivete Lopes diz no recurso que os argumentos não foram apresentados por escrito, o que poderia limitar o direito ao recurso às instâncias superiores. Mas, no documento, fica-se a saber que a direcção alegou:

a)      Justificação de falta. A direcção considerou que foi marcada falta ao aluno no dia da prova e que esta não foi justificada. No recurso, a encarregada alega que o aluno não faltou e que ao interromper a prova continuou na sala de aulas.

b)      Subjectividade do bloqueio e possibilidade de simulação. Ivete Lopes responde a essa questão alegando que “existe um robusto corpo de evidências científicas que suporta a influência da ansiedade sobre o funcionamento mnemónico e os aspectos qualitativos de tal funcionamento”. Outro aspecto focado é que a direcção do ESJB na sua argumentação não apresenta, também, um parecer técnico para contrapor e contradizer os argumentos do parecer médico apresentado pela mãe.

c)       Semelhança com outros casos. Neste aspecto, o recurso defende que a única similaridade entre o caso do aluno Hélio Flôr “com os outros casos descritos encontra-se na não realização do teste no período regular. As circunstâncias que o condicionou são entretanto de natureza distinta”. E volta a defender que foi a professora do filho quem mandou interromper a prova dizendo que seria realizada no dia seguinte. Só que foi desautorizada pela direcção.

No ponto final do recurso, a encarregada de educação fala da desarticulação entre os órgãos da escola e a sua consequência sobre decisões que afectam os alunos. E, neste aspecto, considera que “da desarticulação e da ineficaz comunicação entre um elemento do corpo docente e a direcção da escola, portanto, dos dois órgãos efectivos da escola, o grande prejudicado foi o aluno em causa”. E questiona “se não houve uma devida articulação entre os órgãos que intervieram no processo, será judicioso que o aluno que está sujeito a esses dois órgãos seja o único prejudicado?”

A escola entendeu que sim. O delegado do MED entendeu que sim. A Ministra da Educação entendeu que não… E fortuna do céu amém: ma pequini ba panha, mais grande ba cerca… nera?

  1. baldoque

    Ivete Lopes bá dá bo katxorr bonh, se bo puder panhál.

  2. MARKS

    agora sempre é que dame quis bronk ness prova, que um esquece tut materia, cima já contce alguns vezes, um ta bem alega bloqueio psicológico e um ta bem exigi segunda prova. beneficio para 1 então beneficio para todos.

  3. CidadaoCV

    Espera aí … Conto volta atrás. Este peça vem colocar muitos pontos nos iii. Neste aspecto começo a dar razão a mãe do aluno, independentemente dos “connections” que são evidentes. Se Direcção da ESJB e professora não se entenderam, sabe-se lá os motivos, o prejudicado nunca deveria ser o aluno. Mas ainda não fiquei esclarecido quanto a questão do teste B.

  4. José Fortes

    Execelente , noticias do norte . jornalismo investigativo de qualidade . Factos com base em investigação que permitem ao leitor tirar conclusões. esta noticia traz a publico muitos pontos desconhecidos , E sendo assim , a mi tb me parece que a mae do aluno tem razaõ , Agora gostaria de conhecer o despacho da ministra .

  5. Clara

    Uma coisa é certa,não se pode repetir teste sempre que o aluno alegar bloqueio psicológico minha gente. O sistema educativa em Cabo Verde já está fraco, se viermos dar o luxo desse agora é que vamos ter uns maus universitários.

  6. RTP

    A culpa é da professora que fez o aluno bloquear e da direcção da ESJB que não desbloqueou o aluno! Arlinda Ivette, muita psicologia!!!!!!!!!!!

  7. A professora não mandou, obrigou o aluno a parar de fazer a prova que por sinal estava perfeita, no momento em que o aluno foi forçado a parar ele já tinha 18 valores, coitado!!!!!!!!Mãe que é mãe não inventa coisas!!!!!!!!!!!

  8. JJ

    A senhora Arlinda sabe que as escolas não têm serviço de psicologia nem têm psicólogos tempo inteiro. Há nas escolas gabinetes de orientação escolar e profissional, coordenação de espaço de orientação e informação,com psicólogas que são professoras de psicologia e de Formação Pessoal e Social. Vai enganar as pessoas noutra freguesia, Doutora Ivette. Devia existir na ESJB um neurologista para tomar conta do seu filhinho.
    A Srª Arlinda conhece muito bem como funcionam as escolas.

  9. JJ

    O aluno não teria nenhum prejuízo, teria sim vantagem. Se ele parou de fazer a prova, que prejuízo teria????????Pseudo prejuizo! Ele teve a vantagem de parar quando quis,
    e ainda recebeu bônus da DNE e da MED. Doutora Arlinda Ivette vai dar todos esses direitos que exige para o seu filho aos outros. Você sabe do que estou falando!

  10. Pedro Piedade

    E sabem quanto é que o aluno tinha na parte da prova que fez aos 35 minutos da realização da mesma? 5.0 valores! Se a professora não o tivesse mandado parar, sabem quanto é que ele ia tirar? 19 valores1

  11. Pedro Piedade

    Um monte de arranjos por causa de um bloqueio. Será que não foi coisa inventada????????? Ah psicô??????????treinada em casa???

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.