Indução e imposição subliminar na rota de aprendizagem…

19/09/2014 09:50 - Modificado em 24/09/2014 12:18

delucaINDUÇÃO E IMPOSIÇÃO SUBLIMINAR NA ROTA DE APRENDIZAGEM DE UMA VARIANTE LINGUÍSTICA – CONTEXTO PUBLICITÁRIO

A língua, como se sabe, é um sistema de signos convencionais – um código linguístico – usados pelos membros de uma comunidade, ou seja, que um grupo social convenciona e utiliza como conjunto organizado de elementos para troca de informação.

Língua materna (também língua-mãe ou língua nativa) é a primeira língua que uma criança aprende. É possível adquirir o domínio de duas línguas simultaneamente, cada uma delas podendo ser considerada língua materna, configura-se então uma situação de bilinguismo. Ora neste caso e, de modo geral, em Cabo Verde o bilinguismo dá-se por aprendizado do Crioulo (Variante Norte e Variante Sul) a priori e do Português a posteriori. Não passa por determinação e indução de variantes que têm uma geolinguística bem definida e, com variações de fonética segundo ilha ou “região” do arquipélago.

Estando a aprender e, tendo aprendido o crioulo (Variante Norte) não percebemos a razão de constantemente surgirem no meio televisivo e/ou radiofónico cabo-verdiano, Slogans ou Spots Publicitários que usem única e exclusivamente a (Variante Sul). Não é que esteja de todo errado mas, será que há apenas intenção comercial nisto? Analisando por esse prisma podemos querer aceitar tal imposição visto que a região tem mais população logo, um mercado maior. Mas e o resto do país, que, muita das vezes fica atónito com certas expressões do Sul?

A defesa do ALUPEK (Variante Sul), com a veemência que se lhe impõe (onde por incrível que se pareça existem mais Vogais Altas   ) do que na Variante Norte onde predominam as médias ([e,e͂], [ɐ,ɐ͂] e [o, õ]) e pelas Semivogais ou Glides – que se distinguem-se delas por terem uma pronúncia mais breve e ocorrerem sempre a seguir às vogais, juntamente com vontade quase que universal em estabelecer o crioulo como língua una e única do país, nos leva a reflectir sobre.

Exemplo:
Ao confrontar a minha empregada, oriunda de Garça – Chã d’Igreja, sobre o anúncio publicitado pela TCV que aborda a questão do ÉBOLA – MÉTODOS DE PREVENÇÃO, feito exclusivamente no ALUPEK (Variante Sul) ela, ficou perplexa e sem saber o conteúdo do texto… visto ter expressões que nunca pertenceram ou irão pertencer ao seu léxico:

·         Flau – “Dze” – Dizer

·         Orina – “Urina” (Variante Norte e Português)

·         Emoragia – “Hemorrgia” (Variante Norte) – Hemorragia (Português)

A não ser que emigre para o Sul como poucos de nós já o fizemos… mas estamos de volta à terra… e entendemos perfeitamente o crioulo ALUPEK (Variante Sul).

Numa questão que se torna Nacional em termos de precaução e prevenção a nosso ver, o tema deveria ser exposto num formato global e de fácil compreensão para a maioria dos ilhéus.

Mas, The Dark Side of the Moon nos diz que, o centralismo que se está a desenvolver em Cabo Verde pode, perfeitamente, estar passar também pela língua (fonética). Onde por indução subliminar pode se estar a impor um uníssono linguístico neste país.

A ver vamos… “Ma mi n’ ka ta fra si hã…”

Lucas Leite (Deluca) Monteiro 19 de setembro de 2014

  1. Malaguetauss ii

    Aceitaria esta tese, se escrevesse intenção correctamente. Por ser um “homem da Língua ” a escrever, fiquei céptico com todo o resto. Perdão, meu amigo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. Julio Goto

    …imposição tornar-se -ha uma realidada ! Antes de tudo o PRINCIPIO DE IGUALDADE consagrado na constituição da Republica devia ser alterado. Em vez de dizer que ninguem devia ser PREVILEGIADO etc…,torna se ia .Principio de desigualdade … a Republica de Såo Tiago sera previlegiada por ser a ilha com maior populaçao.
    Como e possivel que vive de ESMOLAS tem potencia para implementar duas linguas oficiais ,enquanto o pais mais RICO do mundo Noruega tem problemas em gerir duas linguas oficias.

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