“Isto é um assalto”, grita-se em Madrid contra a austeridade

17/07/2012 10:02 - Modificado em 17/07/2012 10:02
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Polícias sem o crachá de serviço e bombeiros chegaram a tentar derrubar as barreiras que protegiam o Congresso dos Deputados. Mas, apesar do inédito, e de momentos de tensão, os protestos que centenas de funcionários públicos realizaram nesta segunda-feira em Madrid, contra a austeridade, decorreram pacificamente. Voltou a ouvir-se um grito que ecoara já no domingo: “Mãos ao ar, isto é um assalto.”

Sem esperarem pela jornada “oficial” de contestação — convocada pelos sindicatos para quinta-feira —, cerca de seis centenas de funcionários municipais prolongaram durante a manhã protestos pacíficos que tinham iniciado no domingo em Madrid. O trânsito esteve, segundo a imprensa espanhola, temporariamente cortado na Gran Via, na Castellana e noutras artérias.

“Estas medidas vão arruinar a Espanha. Nós não consumimos, não compramos. Devemos sair à rua, não podemos ficar sentados”, disse à AFP Angeles Carrasco, funcionário municipal, 57 anos, que protesta contra os efeitos do plano do Governo para poupar 65 mil milhões de euros, que inclui subida de IVA, supressão do subsídio de Natal e redução de indemnizações por despedimento.

Em Madrid, os momentos de maior tensão foram, segundo o El País, vividos na Praça de Neptuno, próximo do Congresso, local de concentração de trabalhadores do município que realizaram uma “marcha fúnebre” e tentaram furar o cordão de segurança. Transportavam um caixão com as inscrições “RIP direitos laborais” e “RIP serviços públicos”

“Os que nos roubaram estão aí fechados [no Parlamento”, gritaram os manifestantes, parte deles polícias. Agentes anti-motim ainda empunharam cassetetes e prepararam armas com balas de borracha, segundo o jornal. Mas não houve violência, ao contrário do que aconteceu na sexta-feira, quando a polícia carregou sobre contestatários. Ao meio-dia, noutro dos protestos localizados dos últimos dias, mais de uma centena de funcionários da administração central concentrou-se pacificamente durante meia hora junto à sede do partido governamental PP.

Em Robledo de Chavela, a cerca de 60 quilómetros da capital, o alcalde, Mario de la Fuente, eleito pelo PP, encabeçou uma concentração de duas dezenas de funcionários contra as medidas de austeridade. O autarca considera “indigno” cortar salário se entende que “há outras medidas que podem ser tomadas antes desta”.

Ignacio Fernandes Toxo, secretário-geral das Comissiones Obreras, um dos principais sindicatos do país, disse que se o Governo mantiver a austeridade “será inevitável” uma greve geral.

 

 

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