BES faz cair administrador do Banco central suíço

11/09/2014 18:48 - Modificado em 11/09/2014 18:48
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BancoEspiritoSantoLisboa é notícia pelas piores razões e o BES está nas “bocas do mundo”. A extensão dos danos da crise no grupo bateu forte na Suíça, onde o Banque Privée, participado do GES, entrou em incumprimento relativamente à emissão de papel comercial.

 

Ontem, ao final da tarde, a Reuters dava conta que um dos mais antigos administradores do regulador suíço, o FIVMA, estava demissionário. A justificação foi o papel desempenhado na supervisão ao Banque Privée Espírito Santo. Na base de todo este imbróglio está a situação financeira da instituição e o facto de vários clientes não terem sido reembolsados da dívida emitida pela Espírito Santo International, a holding de todo o grupo. O regulador indica em nota que o administrador, que dá pelo nome de Zufferey, deixará a gestão da FINMA “depois de terem surgidos problemas do Grupo Espírito Santo”.

As ondas de choque estão lançadas. A crise no GES, com destaque para o BES, lançou o medo e, em algumas situações, o pânico nos mercados europeus. Os media internacionais fizeram o resto. Ontem, ao final da manhã, Lisboa era notícia em todo mundo financeiro pelas piores razões. O The Wall Street Journal e o canal de mercados CNBC tinham Portugal e o BES como tema central. A onda de vendas tinha-se apoderado do mercado financeiro português e a Europa, receosa, entrou no mesmo timbre. O Financial Times destacava o risco associado às obrigações júnior do BES e comparava-as às da Argentina, um país que está à porta de um novo “default”.

Em Lisboa, a história foi simples. Depois de uma véspera fortemente turbulenta, com a crise no GES a atingir o auge e com informações contraditórias sobre a situação financeira da ESFG e da Espírito Santo International, tendo o “DE” avançado com a informação de que este estaria a avaliar o pedido de insolvência, as ações do BES caíram a pique, os títulos da PT (exposta ao papel comercial da participada do grupo, a Rioforte) atingiram mínimos e a dívida pública portuguesa entrou em forte pressão. Ontem, a situação não apenas se repetiu, como em vários cenários acabou por se agravar. A dívida pública portuguesa esteve em forte stresse, incluindo a dívida a curto prazo, enquanto no mercado secundário de ações, todos os títulos fecharam no vermelho, mas o maior problema começou a meio da manhã com a queda abrupta das ações do BES.

Entretanto, a ESFG anunciou que pediu a suspensão da cotação das ações e das obrigações nas praças de Lisboa e do Luxemburgo e logo depois é a entidade de supervisão que suspende as ações do BES quando estas superam os 17% de perdas em poucas horas.

O contágio às praças financeiras é realçado pelos analistas e amplificado pelos media e duas instituições sofrem na “pele” o impacto do GES/BES. O espanhol Liberbank vê as ações caírem dramaticamente quando surgem noticias da sua exposição ao grupo, enquanto o Banco Popular cancela uma emissão de obrigações no mercado vizinho. Esta operação não foi, no entanto, afetada somente pela crise do GES, mas muito em particular pelo ambiente de aversão ao risco que se gerou no mercado europeu e que fez com que uma emissão sindicada de dívida grega a três anos tivesse fechado com uma yield de 3,5%, quando se esperava que ficasse abaixo dos 3%. Este resultado tornou a tendência ainda mais negativa. Steven Santos, gestor da corretora XTB, afirmou ao OJE que “a procura por ativos da periferia ocorrida ao longo dos últimos seis a sete meses, está a desvanecer-se”, o que significa que “esta tendência negativa vai acentuar-se ao longo dos próximos dias”, acrescentou.

Importante frisar que se assistiu ontem a queda de índices em quase todo o mundo, mesmo depois de um pequeno “rally” gerado pelas minutas da Fed de há dois dias, “o mercado interpretou essas pequenas subidas apenas como uma oportunidade para novos mínimos”, salientou Tiago da Costa Cardoso, da XTB.

Tempestade perfeita

Perante a confirmação de um cenário que analistas apelidam de “tempestade perfeita” para as ações do BES, o mercado pede esclarecimentos, quer informação sobre o BES e sobre o grupo e uma definição estratégica muito rápida. Tem sido reafirmado por fontes financeiras que o BES está suficientemente blindado, tendo o trabalho sido feito pelo Banco de Portugal ao longo dos últimos meses, mas há muito investimento que é feito via a holding ESFG, que está cotada no Luxemburgo. Aliás, informações recentes dão conta que própria entidade de supervisão portuguesa reencaminhou clientes para a congénere luxemburguesa, dado que as vendas de papel comercial do GES foram feitas através desta entidade e da participada Banque Privée na Suíça. Albino Oliveira, analista da Fincor, alinha pelo mesmo diapasão e pede mais visibilidade sobre a situação do BES.

O “fogo” gerado pela situação colocou Lisboa no epicentro do mercado financeiro europeu e o mercado português acabou por arrastar todos os índices da zona euro. A falta de informação sobre o GES e o silêncio “ensurdecedor” sobre a situação da instituição, está a contagiar não apenas os mercados e investidores, mas também os depositantes. Este é um tema mais delicado e que foi, desde sempre, uma prioridade para as Autoridades nomeadamente para o banco central. A informação mais recente é que o BES tem provisionados centenas de milhões de euros para o papel comercial que colocou, graças à imposição do Banco de Portugal. Fontes financeiras contactadas dizem que não se fala na necessidade de intervenção na instituição de direito português com fundos públicos – é uma hipótese remota – embora todos fiquem mais descansados perante uma eventual necessidade, sabendo que existe um grande volume de fundos disponíveis.

Entretanto, o tema PT e Rioforte está no auge. Ontem, à hora de fecho desta edição ainda decorria a reunião do conselho de administração da empresa liderada por Henrique Granadeiro, e onde se discutia o tema do investimento da empresa em papel comercial, as responsabilidades dos vários gestores na operação e o “plano B” perante o esperado incumprimento da Rioforte a partir do dia 15. No mercado, a especulação gira à volta dos culpados, com o CEO e o CFO portugueses, Granadeiro e Pacheco de Melo, a serem fortemente pressionados pelos administradores e acionistas brasileiros da Oi. Recorde-se que a PT está a negociar a criação de um novo grande operador com a empresa brasileira e o eventual incumprimento de pagamento das obrigações da Rioforte, está a gerar desconfiança e fará a PT perder peso na operação.

 

oje.pt

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