Mais de 23 mil milhões de euros de “dinheiro sujo” saem anualmente do Brasil

11/09/2014 17:15 - Modificado em 11/09/2014 17:15
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reaisMais de 30 mil milhões de dólares de “dinheiro sujo”, proveniente de actividades criminosas, incluindo corrupção e fuga ao fisco, saem todos dos anos do Brasil. São mais de 23.100 milhões de euros.

A estimativa duplica os montantes de há dez anos, segundo um estudo da Global Financial Integrity, uma organização que luta pela transparência financeira.

A incorrecta declaração dos valores de transacções comerciais representa 92,7% dos 401.600 milhões de dólares (310.269 milhões de euros, ao câmbio actual) que saíram do Brasil entre 1960 e 2012, segundo os cálculos da organização, que tem sede em Washington.

As perdas anuais são equivalentes a 1,5% da riqueza anualmente produzida pelo país, cerca de 33.700 milhões de dólares entre 2010 e 2012, contra 14.700 milhões na primeira década do século.

Os valores serão ainda maiores porque as estimativas não incluem o dinheiro em numerário transportado sem ser declarado – um método muito usado por traficantes de droga e outras organizações criminosas – ou transferências financeiras entre ramos de empresas multinacionais.

Segundo as estimativas da GFI, a expansão económica do Brasil levou a uma diminuição da economia subterrânea, que baixou para 21,8% do PIB, contra 55% no início dos anos 1970.

“O Brasil tem problemas muito sérios de fluxos financeiros ilícitos e reduzi-los deve ser uma prioridade para quem quer que vença as próximas eleições”, disse o presidente da GFI, Raymond Baker, citado pela Thomson Reuters Foundation.

A Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, actuou no seu mandato contra a corrupção, afastando ministros e responsáveis acusados de envolvimento. Mas a sua presidência foi também ensombrada por casos de suborno, especialmente no processo de construção de estádios para o Mundial de futebol de 2014.

Há dias, um ex-director da Petrobras, Paulo Roberto Costa, decidiu colaborar com as autoridades em troca de benefícios que a legislação brasileira concede aos delatores. O antigo responsável empresarial denunciou à justiça os nomes de dezenas de políticos de vários partidos – do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e do Partido Progressista (PP) ao PT, de Dilma Rousseff – que teriam beneficiado de esquemas de corrupção envolvendo a petrolífera estatal brasileira.

As suas denúncias comprometem 12 senadores, 49 deputados federais e um governador. Um deles seria, segundo a imprensa brasileira, o actual presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB.

As revelações de Paulo Roberto Costa podem ter efeitos imprevisíveis e estão a provocar grande nervosismo nas campanhas eleitorais. A primeira volta das eleições presidenciais disputa-se a 5 de Outubro e as candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), surgiram empatadas nas mais recentes sondagens, com a ecologista a ser dada como favorita numa segunda volta contra a actual Presidente.

 

publico.pt

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