Fernanda Marques justifica a decisão de mandar o aluno da ESJB repetir teste

11/09/2014 00:07 - Modificado em 10/09/2014 23:47

fernanda_marques_ministra_desporto_caboverde_800A Ministra da Educação, Fernanda Marques diz que a sua decisão de mandar repetir o teste de química a um aluno da Escola Secundária Jorge Barbosa foi baseada no decreto lei nº 42 de 20 de Outubro de 2003.

 

Fernanda Marques, Ministra da Educação, em declarações à RCV justifica a sua decisão de mandar um aluno da Escola Secundária Jorge Barbosa repetir uma prova de química, no decreto-lei nº42/2003, com base nos artigos nº 4º e 10º. A Ministra defende que  esses artigos garantem que “a avaliação sumativa interna consiste na realização de testes escritos e orais, trabalho de pesquisa ou outros, organizados por professores e coordenadores de disciplina a nível da escola”. Por isso, a Ministra justificou que esta questão poderia ser resolvida na escola, dentro do quadro de autonomia de gestão escolar e das escolas do ensino secundário, sobretudo, para com um aluno que a própria escola tinha colocado no quadro de excelência. “De acordo com a RCV, foi com base no direito de recurso hierárquico que a Ministra da Educação diz ter tomado a decisão de repetir a prova: os dois primeiros artigos referem-se ao aluno  requerente e ao cumprimento do decreto-lei nº42/2003 e um terceiro ponto, fundamental para a compreensão do processo, diz que “essa medida seja  generalizada a casos de idêntica natureza e que tenham ocorrido ou venham a ocorrer nesta escola ou em outras escolas secundárias do país”.

 

Confrontada pela Rádio Pública se a partir de agora com base nessa lei qualquer aluno que desista da prova no decorrer de um teste, poderá solicitar a sua repetição, Fernanda Marques adianta que os casos devem ser analisados conforme a sua natureza. A Ministra da Educação desconhece que o aluno alegou bloqueio psicológico 15 minutos antes do término da prova e que o aluno solicitou a versão B para resolver a prova de química: “eu não tenho esses elementos, eu faço fé no que está escrito no processo”.

 

  1. Bom senso

    Como disse a senhora ministra,ela nao tinha conhecimento se o aluno desistiu do
    Teste a 15 minutos do seu termino. Isso quer dizer que ela resolveu a questao sem analisar bem caso e que nem se sequer chamou o diretor para inteira-la do ocorrido. Porque isso em senhora ministra?

  2. Avelino R. Pina

    Mais um acontecimento grave e controverso a acontecer no MED e que poderá abrir precedentes sem limites no seio da comunidade educativa cabo-verdiana, caso não for reanalisado e completamente dirimido, porquanto, a norma legal sob a qual se diz ter-se baseado para a tomada da decisão – artigos 4º e 10º, do Decreto-lei nº 42/2003, de 27 de Outubro, não tem, do nosso ponto de vista, nada a ver com o que realmente aconteceu e tornado público através dos órgãos de comunicação nacional. Normalmente, em casos do tipo, sempre é chamada a IGEFES (Inspecção Geral da Educação, Formação e Ensino Superior) que, em articulação com a direcção do estabelecimento de ensino visado e com a DNE, pronuncia previamente sobre o assunto para, posteriormente, vir a ser tomada a decisão mais correcta e legal por parte de quem tem poderes para decidir. E a pergunta que fica no ar é se esse sector de fiscalização e controle do funcionamento do sistema educativo (IGEFES) terá sido “tido e achado” no processo. Recorde-se que, neste momento, o NAIAT (Núcleo de Avaliação Institucional e Apoio Técnico) da IGEFES, possui quadros muito experientes e capazes nessa matéria mas que, infelizmente, não são devidamente aproveitados, por razões que se desconhece. A anómala situação deu no que deu, por não terem sido respeitados os procedimentos que deveriam ter sido levados em consideração, na condução do delicado processo que, obviamente, irá ter repercussões negativas no sistema educativo, a continuar como já decidido.

  3. John Justice

    Bom, está lançado agora a confusão ao se abrir este precendente. De agora em diante qualquer aluno ou encarregado de educação, pode, baseado nesta lei, invocar a repetição de uma prova. A Ministra Fernanda Marques ao dizer que desconhece que o aluno alegou bloqueio psicológico deu um atestado de incompetência a si mesma. Quer dizer que tomou decisões importantes, sem conhecer a fundo o processo, coisa que deveria fazer auscultando o director da ESJB. É urgente a demissão desta ministra.

  4. Mateus

    Sr ministra. A Sra devia colocar oa Inspecção de Educação para resolver o caso, e não tomar a decisão na óptica ” eu posso, eu mando e que se dane o resto”.
    fragilizou o Sistema de Educação, e pior ainda, atribuiu poderes aos alunos.
    a escola transmite valores Sra fernanda… não vamos formar uma sociedade corrupta, que pode alegar bloqueio, para benefício próprio( ou seja tirar boas notas e conseguir bolsa de mérito).
    A Sr mostrou ser uma incompetente na áreade Educação. Demite-se por favor.

  5. Flávio Spencer

    Não dá para entender como a Sra Ministra toma uma decisão sem ter todos os elementos. Acho na qualidade de pai, encarregado de educação e ex. presidente da Associação de Pais da Escola Secundária Jorge Barbosa que a Ministra abriu um grave precedente e prestou um mau serviço à nação. Também não sei que critério a psicóloga que deu o parecer usou para confirmar, muitas horas depois que o aluno teve um bloqueio psicológico na altura do teste quase a terminar. Deve haver mais respeito para com as pessoas que estão à frente das direções das escolas.

  6. CidadaoCV

    Está tudo baralhado … A ministra toma uma decisão a favor de um aluno (dos pais) sem conhecer exactamente os motivos. De agora em diante, qualquer aluno que se veja “a rasca” para concluir uma prova, pode alegar mil e uma razões para solicitar outra prova. Pode até indicar onde, quando e como quer que a prova seja feita. Palhaçada. É o descrédito total do sistema de ensino caboverdiano. É a politiquice e a corrupção generalizada da administração pública.

  7. Fernando Marques

    Ministra que é Ministra não fala sem saber nem fala mentira! O aluno nunca foi do quadro de excelência! Era um aluno de média de 16 e poucos, bom aluno! A ministra não soube da informação de que o aluno BLOQUEOU-Se aos 35 minutos de prova e que pediu outra variante é mentirinha! Ministra mentirosa, mentirosa, mentirosa, mentirosa, mentirosa,mentirosa, mentirosa!

  8. Marquês de Mindelo

    É normal que se queira proteger a imagem do aluno. Mas, infelizmente o assunto ganhou contornos que tornam insustentável a manutenção das identidades do aluno, da sua mãe e da psicóloga, sob sigilo. Para apreciação geral do caso, em nome da transparência e para evitar juízos de valor inadequados, já é tempo da Direcção da Escola e o Ministério da Educação revelarem o nome do aluno e demais envolvidos. Só assim, se poderá avaliar a razoabilidade da decisão da Ministra.

  9. Inocente

    “eu não tenho esses elementos, eu faço fé no que está escrito no processo”. Ah inocente, sabe de nada esta Ministra.

  10. António Moastre

    Sabemos que a avaliação punitiva (em lugar de avaliação formativa) leva os alunos a desenvolver elevada motivação para evitar o fracasso e a crítica, em vez de motivação para a aprendizagem e para a descoberta de desafios intelectuais.

  11. António Moastre

    É na base de conhecimentos da psicologia e da pedagogia moderna que a nossa legislação (que pelo menos no papel é moderna e muito boa), defende a avaliação formativa em vez de punitiva. O importante é que os alunos aprendem e não que tirem boas notas. O que se pretende inferir na avaliação é se o aluno aprendeu os conteúdo e não se aguenta a pressão que os pais, os professores e a sociedade lhe impõem. A “anómola situação” deveria ser, portanto, ser a regra.

  12. António Moastre

    O que tem repercussões negativas no nosso sistema educativo são professores e gestores sem adequada formação pedagógica e científica, ausência de serviços de psicologia nas escolas (o que temos são professores formados em psicologia que dedicam algumas horas em “gabinetes de psicologia”), currículos pobres, distância entre as escolas e os encarregados de educação, padrões académicos medíocres, inexistência de monitorização e avaliação independente.

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