Governos estrangeiros compram influência nos EUA

8/09/2014 00:49 - Modificado em 8/09/2014 00:49
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dolaresGovernos estrangeiros deram quase 100 milhões de dólares a ‘think tanks’ norte-americanos para que os estudos e análises fossem coincidentes com as suas prioridades e para influenciar a política externa dos EUA, segundo o ‘New York Times’.

 

Segundo a notícia, que faz hoje a manchete de um dos mais importantes jornais nos Estados Unidos, os Governos estrangeiros estão a aumentar o financiamento aos institutos de investigação académica, conhecidos como ‘think-tanks’, recebendo, em troca, estudos, opiniões e análises favoráveis e coincidentes com as suas prioridades em termos de política externa.

O financiamento feito por Governos estrangeiros que a investigação dos jornalistas Eric Lipton, Brooke Williams e Nicholas Confessore, que assinam o artigo, conseguiu comprovar com registos oficiais chega aos 92 milhões de dólares dados a 28 ‘think tanks’ desde 2011, envolvendo pelo menos 64 Governos, mas o total, garantem, “é certamente bem maior”, uma vez que a maioria destas instituições não revela total ou parcialmente a origem do seu financiamento.

“Mais de uma dúzia de proeminentes grupos de pesquisa em Washington receberam dezenas de milhões de dólares de governos estrangeiros nos últimos anos para empurrar as autoridades do Governo a adotar políticas que muitas vezes refletem as prioridades dos doadores”, lê-se no artigo hoje publicado.

A notícia conclui que “o dinheiro está a transformar o até agora sisudo mundo dos ‘think-tanks’ num braço musculado dos Governos estrangeiros em Washington, e levanta questões perturbadoras sobre a liberdade intelectual, com vários académicos a admitirem que foram pressionados a chegar a conclusões [nas suas análises] favoráveis aos governos que financiam a pesquisa”.

Um dos vários exemplos dados no texto, que nomeia os governos do Japão, Qatar e dos Emirados Árabes Unidos, entre outros, é um acordo no valor de 5 milhões de euros que o Governo da Noruega reservou para influenciar a Casa Branca e o Departamento do Tesouro no Congresso a duplicar o valor dado ao programa de ajuda externa dos Estados Unidos.

O surpreendente, escreve o ‘New York Times’, é que o destino do dinheiro “não foi uma das muitas empresas de ‘lobbying’ que trabalham todos os dias a favor dos governos estrangeiros, mas sim o Centro para o Desenvolvimento Global [Center for Global Development, no original], um ‘think-tank’ como muitos outros nos quais os legisladores, membros do Governo e jornalistas confiam para encontrar análise política académica e independente”.

Entre os ‘think-tanks’ citados no artigo estão os influentes e reputados Brookings Institution, Center for Strategic and International Studies, e o Atlantic Council, que garantem que o financiamento não influencia as conclusões dos investigadores porque, garantem: “a credibilidade é a nossa moeda”.

 

dn.pt

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