Extracção de areia: o paradoxo entre a segurança e o sustento da família

28/08/2014 00:50 - Modificado em 28/08/2014 00:50

apanhadores de areiaA Direção-Geral do Ambiente, DGA, proíbe a partir do próximo mês de Novembro do ano em curso, “toda e qualquer actividade de extracção de areia localizada na zona do Lazareto, São Vicente”. Os trabalhadores que fazem da apanha da areia o sustento para as suas famílias reagiram sobre o assunto em questão.

 

Esses homens chefes de família mostram-se preocupados e, ao mesmo tempo, satisfeitos com a medida. Os entrevistados concordam com a medida mas receiam ficar sem trabalho por causa das máquinas das empresas que muitas vezes não têm licenças. Os entrevistados frisam que com as máquinas consegue-se boa parte da areia, ou seja, a maior quantidade é retirada pelas máquinas. Porém, as áreas mais perigosas são deixadas à apanha manual e, consequentemente, com maior perigo para a vida, acrescenta um dos trabalhadores da apanha de areia.

Naiss, um trabalhador que sai muito cedo de casa todos os dias à procura do sustento dos filhos diz que acredita que a medida de proibição de apanha da areia sem licença é uma estratégia para garantir maior segurança, mas o que o preocupa é que as máquinas que vão lá fazer a extracção fazem concorrência às pessoas que, muitas vezes, chegam às sete da manhã e não conseguem mais do que duas voltas enquanto que as máquinas conseguem quanto quiserem porque são mais rápidas e fazem o serviço em segurança, deixando as áreas mais perigosas para serem extraídas manualmente.

Já Pedro não concorda com a medida e adianta que “deveriam mas era preocuparem-se com a segurança dos trabalhadores que labutam todos os dias para encontrarem um dia de trabalho debaixo do sol, chuva, vento, enfrentando os maiores perigos. Se a proibição vai ser a partir do mês de Novembro, então deverão certamente arranjar trabalho para todas as pessoas que aqui trabalham”.

Num tom de descontracção António diz que “o ambiente reclama, mas a barriga dos nossos filhos também reclama quando não temos uma refeição para colocar na mesa”. Diz ainda que “se proibirem a apanha da areia, sustento para muitas famílias, vai aumentar também o número de desempregados e de assaltantes”.

  1. Julio Goto

    Passeando na Praia do Norte em S.Vicente ,analizei o comportamento das ondas, que desquebravam e faziam corrente em varias direcoes. Os tao chamados bancos de areia podiam ser iliminados dando assim mais seguranca aos banhistas. Aquilo que nao existe pode ser criado.Nao e preciso ter ou fazer grandes envestimentos.
    A grua antiga da Enapor pode ser usado para retirar a areia que podia ser vendida paara o bem e seguranca de todos. Uma grua com um lancete podiam fazer um bom trabalho.

  2. CidadaoCV

    Proibir não é solução. Antes da proibição terá que haver uma solução prática e funcional. Quem está na apanha de arreia, sujeito aos riscos inerentes, não lá está por “amor” ao desporto radical, não lá está por adrenalina, não lá está para se enriquecer. Só lá está porque precisa de se alimentar e alimentar os filhos.

  3. antonio dos santos

    Na peça anterior defendi que o lugar devia ser interditada pelo dono do sitio, vulgo, Ministério do ambiente, e encontar solução alternativa para apanha da areia. Há areia por todos os cantos da ilha, daí vai a minha proposta: Por que não se cria uma empresa vocacionada para ensacar e vender areia como se vende cimento? É uma oportunidade de negócio e ajudaria muita gente ao mesmo tempo que havia menos desperdicio do produto.

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