Milícias islamistas tomam aeroporto de Trípoli e repudiam novo Parlamento líbio

25/08/2014 02:15 - Modificado em 25/08/2014 02:15
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tripoliA Líbia já tinha dezenas de milícias, combates com rockets nas duas maiores cidades, uma economia paralisada e civis em fuga. Desde este fim-de-semana tem também dois parlamentos, cada um reclamando a sua legitimidade e apoiados por facções armadas opostas. A luta entre bandos armados – que teve neste fim-de-semana um novo episódio com o aeroporto de Trípoli a mudar de mãos após um mês de combates – aproxima cada vez mais o país de uma guerra civil.

A confusão é grande em Trípoli depois de, no sábado ao final do dia, uma coligação liderada por milicianos oriundos de Misurata, cidade a leste da capital, ter reivindicado a conquista do aeroporto. O local está encerrado desde 13 de Julho e os combates das últimas seis semanas deixaram um rasto de destruição, com aviões incendiados, a pista esburacada e a torre de controlo destruída.

Mesmo assim, a tomada do aeroporto é um marco importante na luta entre milícias, verdadeiras detentoras do poder na Líbia, não só por dar aos homens de Misurata o controlo sobre um dos locais mais estratégicos da capital, como pela derrota que significa para a milícia de Zintan (cidade nas montanhas a sudoeste da capital), que era até agora a força dominante em Trípoli.

Os zintanis são vistos como próximos do bloco liberal, que saiu vencedor das legislativas de 25 de Junho, e selaram uma aliança de ocasião com Khalifa Haftar, um antigo general que lançou na Primavera uma ofensiva contra os islamistas que controlam Bengasi, a grande cidade do Leste da Líbia, berço da revolução contra Muammar Khadafi. A aliança e o resultado das legislativas foram vistos como uma ameaça pelos islamistas, que juntaram forças às milícias de Misurata para entrar em Trípoli e tomar o aeroporto, desde 2011 nas mãos dos rivais.

O surto de violência levou os habitantes dos bairros mais próximos a fugir para zonas mais distantes, a quase totalidade das embaixadas a fechar portas e grande parte dos estrangeiros a sair do país – um êxodo com consequências graves num país onde muitos sectores, da saúde aos serviços básicos, dependem de mão-de-obra estrangeira. Na capital, a maioria dos bancos fechou portas, a electricidade falta constantemente e há enormes filas nas poucas estações de serviço em funcionamento, conta um correspondente da BBC.

E a espiral de violência não se fica por aqui. Segunda-feira – e de novo no fim-de-semana – aviões não identificados bombardearam posições das milícias de Misurata na capital.

Um porta-voz dos milicianos afirmou que os aviões eram oriundos do Egipto e dos Emirados Árabes Unidos, uma informação que o Presidente egípcio Abdel Fattah al-Sissi rejeitou “categoricamente”. “Não temos qualquer operação fora das nossas fronteiras e não há qualquer avião ou soldado egípcio na Líbia”, disse o novo homem forte do Cairo, que se sabe estar desagradado com a influência conseguida pelos movimentos islamistas na Líbia, próximos da agora ilegalizada Irmandade Muçulmana. Um comandante aliado de Haftar assegurou que tinham sido as forças do general a bombardear os islamistas, mas o próprio governo interino admitiu não saber a quem pertenciam os aviões.

Usando como pretexto os ataques – que se seguiram a um apelo feito para uma intervenção estrangeira na Líbia – um porta-voz dos milicianos acusou o novo Parlamento de “traição” e pediu ao Congresso Nacional, cujo mandato expirou formalmente com as eleições, que retomem as suas actividades “em defesa da soberania”. Um responsável deste hemiciclo, dominado por formações islamistas, anunciou que os deputados (ou parte deles) vão reunir-se de emergência em Trípoli “para salvar o país” .

O Parlamento oficial, que por causa da violência se mudou para Tobruk, cidade no extremo Leste do país, considerou o acto ilegal e declarou tanto a coligação que tomou o aeroporto como o grupo jihadista Ansar al-Sharia, que controla 80% de Bengasi, “organizações terroristas” e “alvos legítimos para o Exército”. Mas afastado da capital, sem forças próprias e face à derrota dos aliados, é pouco provável que esteja em condições de impor as suas decisões.

publico.pt

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