Putin e Poroshenko vão estar juntos em Minsk, sem certezas de diálogo

20/08/2014 01:13 - Modificado em 20/08/2014 01:13
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ucraniaDois meses depois de um encontro breve e informal às portas do castelo de Bénouville, na Normandia, os Presidentes da Rússia e da Ucrânia vão voltar a estar frente a frente na próxima terça-feira, numa cimeira a três com a União Europeia. O objectivo oficial é discutir as relações comerciais entre Bruxelas e a união aduaneira liderada por Moscovo, mas todas as atenções vão estar focadas na guerra no Leste da Ucrânia.

 

Vladimir Putin e Petro Poroshenko confirmaram nesta terça-feira a presença na cimeira de Minsk, capital da Bielorrússia, mas não há ainda certezas de que os dois líderes vão sentar-se à mesma mesa para falarem sobre a situação na Ucrânia.

O comunicado do Kremlin é lacónico, limitando-se a confirmar a presença de Putin e a notar que estão marcados “vários encontros bilaterais”.

Já o texto da Presidência ucraniana está repleto de referências políticas, que não deixam antever uma cimeira mais serena do que tentativas passadas para reduzir a tensão entre Kiev e Moscovo.

Ao dar conta de uma conversa telefónica entre Petro Poroshenko e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, na noite de segunda para terça-feira, o comunicado denuncia “as provocações reiteradas da Federação Russa com o objectivo de agravar a situação de segurança” na região do Donbass – a zona onde estão localizadas as províncias de Donetsk e Lugansk, que os rebeldes separatistas pró-russos pretendem retirar a Kiev com o objectivo de as juntar à Federação Russa.

Para além das “provocações” de Moscovo, o Presidente ucraniano disse a Durão Barroso que “os terroristas bombardearam uma coluna de civis que estava a sair de Lugansk com bandeiras brancas”, numa referência ao ataque de segunda-feira contra uma série de veículos em que morreram pelo menos 15 pessoas. Os rebeldes pró-russos negam a autoria do ataque e culpam o Exército ucraniano.

Nem a União Europeia nem os Estados Unidos arriscaram ainda qualquer atribuição de culpas, limitando as suas reacções à condenação de “um crime terrível”, que deve ser “objecto de uma investigação imediata”, como frisou o presidente da Comissão Europeia.

Enquanto a situação diplomática avança, pelo menos, no sentido de uma possível conversa entre Vladimir Putin e Petro Poroshenko, as cidades de Donetsk e Lugansk são cada vez mais cenários de combates, com centenas de civis mortos e muitos mais a tentarem escapar à violência.

Depois de semanas de bombardeamentos, as tropas ucranianas estão a avançar para o centro das duas cidades, que são desde o início de Abril o coração da revolução separatista.

As agências noticiosas Reuters e AFP dão conta de batalhas nas ruas de Donetsk e Lugansk, apesar de o centro de ambas as cidades estar ainda estar sob controlo dos separatistas.

O correspondente da Reuters descreveu o centro de Donetsk como “um campo de batalha”, dando conta de uma “intensa troca de tiros” no parque de estacionamento de um centro comercial. O repórter não conseguiu confirmar se os combatentes separatistas estavam a disparar contra soldados ucranianos, mas o facto de os combates estarem a chegar ao centro de Donetsk indica que a ofensiva do Exército ucraniano está a limitar cada vez mais o raio de acção dos separatistas.

Na cidade vizinha de Makiivka, a apenas duas dezenas de quilómetros – uma zona que tinha sido poupada até agora aos combates –, um repórter da agência AFP viu os corpos de uma mulher e de dois homens, mortos em bombardeamentos. Um dos habitantes de Makiivka, identificado apenas como Sviatoslav, disse à Reuters que os rebeldes estão a ter dificuldades para suster o avanço das tropas ucranianas: “Eles estão a ser obrigados a retirar-se. Não estão a conseguir manter as suas posições da forma como pretendiam.”

 

publico.pt

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