Assédio sexual nas Escolas: entre o mistério, a riola e os factos

18/08/2014 08:16 - Modificado em 18/08/2014 08:16

assedioA questão do assédio sexual em Cabo Verde é como um filme de Harry Potter: mistério. Apenas mistério. Todos dizem que existe, mas na hora de apontar os nomes, tudo vira fantasia e mistério: existe assédio, mas não existe quem o pratica. A nossa investigação deparou-se com este problema. Melhor dizendo: com este mistério. Alunas que afirmam que foram assediadas por professores, mas que não apontam os nomes. Todavia, todos consideram que o assédio sexual é tão banal que se confunde com a normalidade.

 

E, sem apontar nomes, e de acordo com os depoimentos recolhidos pelo NN, frequentemente alunas e alunos são vítimas de assédio sexual. Embora o assédio sexual seja pouco falado, a sua prática parece ser muito maior. Dificilmente encontramos alunas que não sofreram uma situação de assédio nas escolas. Geralmente, a vítima do assédio sexual é a mulher, mas a nossa investigação conta também com alunos que afirmam serem assediados por professoras.

Paula, aluna da Escola Técnica diz nunca ter sofrido assédio sexual de forma directa, mas conhece e presenciou situações de colegas em que os professores, ao brincarem, colocam as mãos dentro dos bolsos dos uniformes das alunas tocando nos seios, embora com a permissão destas. Paula adianta que alguns professores recorrem a gestos, expressões, comentários não adequados que estimulam “situações picantes”.

 

Esta aluna é da opinião que muitas colegas permitem essas situações porque utilizam o uniforme de forma inadequada, blusas não abotoadas permitindo que os professores fiquem permanentemente a olhar e, muitas vezes, comentando o que facilita o assédio.

A mesma afirma conhecer situações no Liceu Ludgero Lima em que uma aluna endereçou um bilhete ao professor, onde o mesmo correspondeu e passaram-se a encontrar. Uma outra situação relatada pela aluna é de envolvimento de uma aluna e um professor durante um passeio da turma.

 

Lucy, no 10º ano do Liceu Ludgero Lima diz que é sempre assediada por professores. Acrescenta que os professores deveriam ser um exemplo porque, dentro das salas de aula são considerados como um pai pelos alunos. Mas quando confrontada para fazer o nome dos professores: silêncio misterioso. Ficamos na fronteira entre a “riola” e os factos que não conseguimos comprovar.

Maribel confessa que foi assediada por um professor da sua escola mas que nunca teve aulas com o mesmo e diz que “muitas vezes, os professores fazem gestos como piscar de olhos, oferecem boleia de carro, têm conversas picantes e íntimas e aí, tento dar a volta para mudar de conversa ou simplesmente não me aproximo”.

 

Dirlene Fortes, aluna da Universidade do Mindelo, afirma que conhece um caso de envolvimento entre um professor e uma aluna na sua universidade, mas que o professor deixou de exercer a docência na universidade. Adianta que muitas vezes professores e alunos confundem a amizade com outros tipos de sentimentos, embora muitas alunas dêem liberdade aos professores que acabam por assediar as alunas.

 

Aluna do 1º ano no ISCEE, confessa que muitas vezes foi assediada pelo professor da disciplina de Competência, mesmo durante a apresentação de trabalho de grupo apercebia-se que o professor olhava para ela de forma sensual, os elogios iam exclusivamente para a aluna e não para os outros alunos que se apercebiam do assédio. A mesma adianta que o professor tem o hábito de assediar as alunas com palavras e gestos. A mesma confessa que quando estudava o oitavo ano na Escola Secundária Jorge Barbosa, conheceu um caso de um professor da disciplina de Inglês que assediava uma colega através de bilhetes pornográficos.

 

Aluna da Universidade Lusófona, diz conhecer casos de envolvimento entre professores e alunas na universidade e que parece ser público. A mesma adianta que são frequentes os comentários de assédio sexual nos corredores da universidade e existem alunas que utilizam o assédio dos professores a próprio favor.

O contrário também acontece, embora com menos frequência: os alunos também são assediados por professoras. Tiago, da Escola Técnica, diz ser vítima de assédio por uma professora que está sempre a elogiá-lo, “com segundas intenções”, como afirma. “Embora a professora nunca tenha ido além das palavras, é notável o interesse da mesma”.

 

Dilva afirma que as alunas são assediadas por professores, mas acredita que as alunas provocam utilizando o uniforme muito curto como mini saias. Muitas vezes não trazem calções por baixo da micro saia deixando à mostra os próprios atributos quando sobem as escadas ou quando há qualquer rajada de vento e até mesmo com o uniforme da educação física. As alunas exageram bastante, pois usam vestuários que nem no ginásio deveriam aceitar.

 

Embora muitas vezes as alunas façam jogo de sedução para chamar a atenção dos professores, os mesmos aproveitam-se da situação para se envolverem com as alunas, gerando situações que mancham a imagem da escola e do próprio professor.

 

 

Texto publicado no jornal impresso nº 7

  1. Mateus

    A carne é fraca. Pois o ser humano é movido pela libido e inconscientemente acaba por cair na tentação.
    Mas o jornalista do NN, devia investigar essa questão de assédio no que toca as empresas e a relação entre empregada e patrão/ patroa e empregado. Fica a dica.

  2. antonio dos santos

    Há uma relação social em Cabo Verde que remete essa expressão para um campo de interpretação mais lata, menos conflituante e menos litigioso ao olhos do povo. “A MULHER CABOVERDIANA DEVE USAR ROUPA POR QUE Á CRISTÔ mas quanto menos roupa trouxer no corpo mais “sensual e apetitosa fica” ao olhos dos homens, é o consenso de mães, e filhas. O homem gosta “mas só quando se trata da filha do outro”. Assédio nos trópicos? como assim? A vida é bela só que devemos respeitar quando o outro/a não quer.

  3. DMUNIN

    BSOT PODE CME NHA COMETARIO CA TA FAZE NADA.MISTERIO ,APENAS MISTERIO,MAS QUANDO CHEGA ALTURA DE APONTAR NOMES TUD COMENTARIO TE SER COMIDO…………………………………………………………

  4. Mateus

    Podemos colocar um ponto final neste assunto se os pais instruírem aos seus educandos a forma de manter a postura numa sala de aula, em vez de usarem “trajes curtos” para chamar a atenção. O Director da ESJB ja tinha chamado a atenção a este problema. Pois cada aluno deve cumprir com os deveres, e a Escola transmite valores.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.