Noite de Mindelo é sabe…E não quer ser silenciosa

14/08/2014 01:49 - Modificado em 14/08/2014 01:49

mindeloA lei nº 34/VIII/2013, comummente conhecida como lei do barulho, propõe-se estabelecer o regime de prevenção e controlo da poluição sonora, “visando a salvaguarda do repouso, da saúde, da tranquilidade e do bem-estar das populações”. Apesar da intenção e entendimento sobre o seu objectivo, os vários agentes económicos, Câmara Municipal e autoridades policiais, divergem relativamente ao tema da socialização, da mudança que pode trazer numa ilha “que gosta de festas e de festejar”, como a ilha de São Vicente.

 

A noite mindelense é conhecida pelas festas e pelo movimento nos bares e pessoas nas ruas. A cultura de festas levantou a questão de regular o barulho na ilha e no país, tendo a Assembleia Nacional aprovado a lei que rege este aspecto. Lei que tem várias partes interessantes mas com visão diferente por parte dos agentes sociais. Todos concordam em certa parte com a lei mas divergem noutros aspectos, principalmente na forma como está a ser introduzida.

Os promotores de eventos são os primeiros a levantar a questão sobre a lei que agora está em vigor e que vai controlar o ruído produzido. E o primeiro ponto que estes promotores realçam é a questão da falta de socialização da lei com as pessoas que irá afectar directamente. Anderson Soares, promotor de eventos no Mindel Hotel, diz que sentiu a lei muito pesada porque “entrou de forma em que ninguém estava preparado, foi uma imposição”. Um responsável do grupo Walt, grupo que costuma realizar eventos na ilha e que também é jurista, diz que a “lei do barulho não foi devidamente socializada com os cidadãos, os operadores e a sociedade civil. Assim como é, é uma boa lei, mas carece de socialização, de mostrar às pessoas as vantagens e desvantagens”. O que estes operadores querem dizer é que há um desconhecimento da lei por parte das pessoas, o que dificultada o seu próprio cumprimento.

É como se essa lei apanhasse todos de surpresa. “Acho que deveria ser o Ministério do Ambiente a fazer esta divulgação para a socialização”, afirma o vereador Humberto Lélis, da Câmara Municipal de São Vicente. Mas reconhece que é algo que precisa de ser feito mas “não sozinhos”.

Mas, se existe um desagrado por parte de alguns, a Câmara Municipal de São Vicente e o grupo cívico contra o barulho mostram-se satisfeitos com a lei que já está em vigor. O vereador Humberto Lélis saúda a lei que, na sua óptica, “vai disciplinar a realização de eventos na ilha”. Antónia Mosso, porta-voz do movimento cívico diz que foi o resultado de uma grande luta. “Vi que havia abaixo-assinados desde 90”, conta Mosso. Lélis, diz que havia uma certa indisciplina nas noites do Mindelo mas que esta normalização vai satisfazer a população que vinha reivindicando “mais sossego”.

 

O estilo de vida

A questão da disciplina mencionada pelo vereador tem a ver com o horário da realização das actividades nocturnas ao ar livre. Para a realização de actividades, os promotores têm de recorrer à Câmara Municipal para pedir uma licença, o que acontecia até agora. E esta entidade determina a hora de encerramento, que normalmente fica fixada entre a meia-noite e as três da manhã. A entrada da lei de “forma bruta”, segundo os operadores, vai mudar o estilo de vida já enraizado dos são-vicentinos que gostam de festejar”.

“É uma lei que implica com um estilo de vida dos são-vicentinos. No Mindelo, as festas ao ar livre realizam-se desde sempre e, do nada, surge uma lei que corta esta possibilidade”, afirma o responsável do Walt. E fala da questão da adaptação que levará o seu tempo. Neste aspecto, Anderson diz que “é algo que mexe com a cultura e, por isso, não é chegar e aplicar. Vai mudar a forma de estar das pessoas, é uma mudança cultural e tem de ser implementada devagar”.

Esta mudança comportamental auspicia uma entrada paulatina e gradual da lei. Uma vez que afirmam que a lei entrou em vigor de forma brusca, a questão é como vai interferir com a forma de estar das pessoas. Poderia haver um processo para as pessoas se adaptarem. Num primeiro ano tudo normal e nos anos sucessivos, ir diminuindo o horário de realização das festas.
Mas sobre esta questão, o vereador diz que “os mindelenses sabem adaptar-se em todas as situações e não será afectada” a realização de actividades culturais. E a sugestão é para “começar as festas mais cedo”.

 

O aspecto económico

Este é o aspecto que acarreta algumas preocupações para os promotores da noite mindelense. O sentimento dos operadores é que a noite mindelense já não é o que era antes, não sendo tão lucrativa como antes. E a preocupação é que com a lei do barulho as coisas se tornem mais difíceis. “Nós que estamos no terreno, sabemos que os eventos em São Vicente estavam fracos e agora, ficaram ainda mais”, afirma Anderson, e sublinha que há um certo receio no seio das pessoas em organizarem eventos.
Mas para Antónia Mosso criou-se uma falsa questão de que a lei vai interferir na economia. “Os países mais desenvolvidos são os países onde os níveis de poluição sonora são controlados”, como explica Mosso. Esta activista da lei do barulho acredita que as pessoas ficaram habituadas a estarem num sistema onde “podem fazer as coisas de qualquer maneira”, mas avisa que se devem “seguir determinados requisitos”. E garante que, “neste momento, a economia de São Vicente tem sido prejudicada pela poluição sonora”. “Percebo o dilema deles. Durante muito tempo isto funcionou sem se preparar o espaço e de forma anárquica”, sublinha Mosso. E fala dos turistas que querem descansar.

Mas o outro lado afirma que a falta de movimento da ilha à noite tem prejudicado os estabelecimentos comerciais. E os eventos são algo que mexem com a economia. Por exemplo, Soares fala em investimentos que são feitos para a realização de eventos. “Quando se faz um evento e se empregam seguranças, são postos de trabalho para as pessoas”, como faz questão de sublinhar.
Neste aspecto económico, o Pont D’Água sente-se lesado. Como explica António da Graça, com a nova lei, tudo ficou mais complicado. E explica que para o alto investimento feito é necessário ter um retorno. “Como empresa gestora e dona, decidimos que se é para continuar a chatear-nos, achamos melhor alugar o espaço e as pessoas fazem a festa, mas ficaremos com os mesmos problemas e não poderemos alugar se não se podem fazer festas”, exterioriza Graça. E sente que há uma necessidade de uma autorização especial para o complexo poder prolongar as suas actividades. “Há uns tempos atrás ninguém tinha problemas de barulho e, agora, as pessoas estão pouco tolerantes numa ilha que sempre sustentou a base da cultura e das festas. E tudo isso coloca muitos problemas”.

  1. Carlos Silva - Ralao

    Esta lei é bem vinda, a grande maioria que trabalha e contribui para a riqueza e pagamento dos impostos no país, se adaptaram a cultura de festas da ilha de SV, saem mais cedo para voltarem mais cedo a casa porque no dia seguinte têm de trabalhar, portanto a esses devem ser salvaguardado o direito de descanso. Tudo é uma questão de equilibrio, as pessoas vão se adaptar rapidamente a essa lei O homem tem a capacidade de se adaptar as adversidades,

  2. Carlos Silva - Ralao

    Dando seguimento ao meu comentario anterior, se adaptar a sair mais cedo para voltar mais cedo depois de uma noite de divertimento não é nenhuma adversidade!! Referente a situação económica das noites de Mindelo não tem nada haver com o cumprimento da Lei, mas sim com a situação laboral das pessoas, em que há um elevado numero de desempregados na ilha o que os condiciona a sua participação em determinados eventos, mesmo assim esses eventos continuam com forte aderência.

  3. Rui

    Dois exemplos: A Marina do Mindelo tinha variadíssimas queixas dos iates que atracavam aí por causa das festas da Ponte de Água, e uma coisa é certa a Marina do Mindelo traz muito mais divisas para Cv. As festa do walt no MindelHotel tinha como um dos principais prejudicados o Hotel Dom Paco que tinham imensos hóspedes a queixarem que não podiam dormir por causa das festas que chegavam a ir até às 5 h, ora esses promotores só ligam aos seus bolsos com falsos argumentos de cultura,

  4. Monte

    Essa gente tá a tratar do seu dinheiro, vem com história de cultura só se é a cultura de vender bebidas a menores, a prostituição associada, droga, alcoolismo, etc… e o resto que se lixe. Em que parte do mundo civilizado se acha normal fazer festas em lugares abertos em zonas habitacionais até madrugada… parece que os outros não existem, não tem que dormir, trabalhar no outro dia, poder descansar no fim-de-semana…São eles que ganham dinheiro às custas dos nosso jovens

  5. Medina

    Solução e bô ê que tem que trabaia noutro dia de manhã, que depôs de um semana de traboi dure bo cre podê descansa bô muda pa Santa Luzia porque tem uns senhores que crê ganha dnher ta faze uns festa na lugar ê que ca tem condição pa fazê festa. E moda se bô crê faze um pocilga na Rua de Lisboa e bo ta reclama mode Camara ca tita tchob ganha bô dnher, e cria poste de traboi… Esse falta de noção de gente desse terra ta permitich justifica o injustificável, sinceramente!

  6. Spinola

    É curioso não haver nenhum promotor de noites cabo-verdianas a reclamar mas sim organizadores de festas onde não vão turistas, não se ouve praticamente música de Cabo Verde, onde não se arrecadam divisas mas sim põe-se jovens a beber até embriagar. E PESSOAS QUE QUEREM FAZER CONCORRÊNCIA DESLEAL ÀS DISCOTECAS QUE TIVERAM DE INVESTIR EM INSONORIZAÇÃO E EM CRIAR CONDIÇÕES ADEQUADAS PARA REALIZAR FESTAS E EVENTOS COM POR EXEMPLO CARAVELA.

  7. Djê Guebara

    Que manda todos essos estupidos que querem implantar essa lei,(pal carajo) a diversão em São Vicente nunca morre,porque nòs os sanvicentinos nascemos com as festas em nossa sangre. ( Os jovens a divertir e a bailar os velhos a dormir e a descançar) Sò uma palavra e basta.

  8. Teodoro

    O problema de CV é a noção que se pode fazer tudo sem ter em conta o próximo, que se pode cuspir na rua, não pagar impostos, roubar electricidade, deitar o lixo para o chão, meter uma cunha e etc, que não faz mal porque é a nossa cultura… mas enquanto assim for esta nação não vai passar de um Estado onde se compra o povo com festivais, t-shirts, grogue e cavala frita…que se fala em cultura mas não se edita os claridosos, onde quase não existem escolas de música, nem de teatro…

  9. Rui

    Estas pessoas que estão a reclamar utilizam espaço que não têm condições mínimas para realizarem as festa que querem fazer, inclusive de segurança. O barulho é uma forma de poluição tal como o fumo, ora se alguém tem uma fábrica que emite fumo tem que estar longe de habitações ou tem que pôr filtros, no caso do barulho, tem que insonorizar, ou fazê-lo em horas adequadas. Se se quer fazer certos eventos têm que ter espaços próprios, e preparados para eles. É assim em toda parte civilizada.

  10. Radar 7

    A Republica da Banana esta a caminhar lentamente para a ordem e civilização. Seja bem aplicada a referida lei…

  11. Maria

    O Sr. Djê Guebara, que chama estúpidos aos outros, nem repara na estupidez do que diz: pois o problema é que os velhos já não conseguem dormir, por causa da barulheira desta cidade. A verdade é que esta cidade costumava ser ordeira: a Câmara tinha bom senso, a polícia era respeitada e as leis eram cumpridas. E nos raros caos em que não fossem, era só chamar a polícia, que resolvia os problemas. Até nascer esta incultura actual, mascarada de cultura para ter legitimidade! Pura incivilidade!

  12. Brito

    Em Ibiza, ilha famosa pelo seu ambiente festivo e “louco” que recebe atualmente 7 milhões de turistas ano, são expressamente proibidos os eventos ao ar livre (entenda-se geradores de ruído) a partir das 00H00. As opções para quem queira divertir-se podem ser ininterruptas (24 sobre 24 horas), mas em locais devidamente preparados para o efeito.
    Srs. promotores de eventos ao ar livre no Mindelo invistam em espaços insonorizados e sr. vereador da cultura já chega de discurso politicamente correto.

  13. Anildo

    Mi ta mora na Baia das Gatas. Ma quem que un tem que fala pas param que es barulhada infernal que ê ess cosa que bsot ta tchma festival. Nha avô de 93 anos ta sofre bastante que kel barulhada.

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