Homenagem: Luís Morais o virtuoso

8/08/2014 08:17 - Modificado em 8/08/2014 08:17

luis_moraisLuís Morais, músico cabo-verdiano, um virtuoso músico, instrumentista, o famoso mentor do mais falado conjunto “Voz de Cabo Verde”. Aquele que com as suas músicas nos lembra a chegada da época natalícia.

Na sequência da homenagem à morna nesta 30ª edição do Festival da Baía das Gatas, é um prestígio homenagear também aquele que foi o chefe da Banda Municipal, professor de música e mentor do conjunto “Voz de Cabo Verde”: o músico Luís Morais.

O músico Luís Morais nasceu na ilha de São Vicente a 10 de Fevereiro de 1935. A notícia da morte do músico no dia 25 de Setembro de 2002 abalou os cabo-verdianos e a diáspora, pois deixou nostalgia entre os que conquistou com a sua música e sua humildade.

Luís Morais nasceu de uma família de músicos, foi aluno de José Alves dos Reis, e regente da banda do Mindelo.

Aos 14 anos, já integrava a banda do Mindelo, actuando na Praça Nova ou até em bares e festas juntamente com a família e amigos, interpretando mornas, coladeiras, salsas, batucadas e valsas.

 A obra de Morais passa pelos estilos tipicamente cabo-verdianos, tais como o choro, samba e  bossa nova do Brasil e também pela cumbia, que se evidenciou nos anos 60 e 70 no mundo hispânico, chegando também aos grandes clássicos europeus dos anos 60.

 

Destacam-se “Mona Lisa”, “Lágrimas”, “Nostalgia” e, sobretudo, “Boas Festas”, entre os temas que faziam o imaginário de S. Vicente pensar em terras longínquas, com o som extravagante de uma cumbia (muito em voga na altura) à mistura com uma dolente morna, às vezes a solo, outras vezes com as vozes de Djosinha ou Bana e ainda de Cesária Évora, entre outros.

Foi condecorado Embaixador da Música de Cabo Verde. Para além da carreira como músico, Luís Morais também foi professor de Educação Musical no Mindelo, na Praia e em Dakar.

Muitos se lembram com carinho quem foi “Ti Lis” como era chamado carinhosamente pelos cabo-verdianos.

Para Francisco Sequeira, Luís Morais o saudoso amigo, tinha uma amizade especial, era homem generoso, musicou muitas mornas, gravou músicas juntamente com Bana na Rádio Barlavento. E recorda que em parceria com Djunga d´Biluca, Luís Morais escreveu e musicou a morna “Fidj d´ninguem” que o marcou muito.

Da autoria de Frank Cavaquim e de Luís Morais fizeram nasceu a música “Novo Barca Sagres”.

O músico Vasco Martins recorda Luís Morais da seguinte forma: “um músico de som único, incomparável, homem do saxofone, do clarinete e da flauta, inventor de improvisos feitos nos intervalos do canto da morna. Um génio que nunca repetia as suas improvisações, algo que o músico Vasco Martins considera de “fantástico”. Figura inteligente que compôs mornas e fez diversos arranjos. Destacava-se pelas mornas de traço subtil, melódico e sentimental e pela consistência forte dentro da morna.

  1. Djê Guebara

    Este è o mês de recordações dos nossos gênios musicais.Aquem que não sentem a nolstagia ao escutar as mornas iterpretadas pelo o nosso màgico clarinetista Luis Morais,ahhh de não olvidar das Boas-Festas, principalmente nòs os emigrantes que encontra longe da mãe patria, Tanto recordo cuando na minha infância em nos tempos do fim do ano Luis Morais regressava de Holanda para passar as festas em São Vicente, então no dia de Janeiro el saia com a Banda em cima de atrelado pelas ruas de Mindelo

  2. Agostinho Fonseca

    Luis foi o maior !!!
    Ultrapassou o pai, Musa (também clarinetista), o tio Pitrinha e o avô (Nhô Pitra) todos mùsicos.

  3. Agostinho Fonseca

    Em Dakar o Luis não foi professor mas actuou com muito sucesso num night club e chegou a participar, com a sua Orquestra, no teatro de revista “O Café dos Importantes” escrito e montado por Valdemar Pereira, onde o Bana interpretou o seu proprio papel.

    Não vi o espectàculo mas os elementos foram colhidos do livro “O teatro é uma paixão, a vida é uma emoção” editado em Lisboa, lançado em Setrembro/2010 no Centro Cultural do Mindelo.

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