Hollande e Cameron dizem ter “base comum” para enfrentar a crise

11/07/2012 00:57 - Modificado em 11/07/2012 00:57
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Apesar de todos os prognósticos políticos apontarem uma impossibilidade de concertação das posições de Londres e Paris relativas à crise europeia, os líderes da Grã-Bretanha e da França saíram nesta terça-feira de uma reunião em Downing Street a falar numa “base comum” para a rápida implementação dos planos de Bruxelas para promover o crescimento económico e resolver os problemas financeiros da zona euro.

 

Numa conferência de imprensa conjunta no fim de uma minicimeira bilateral em jeito de almoço de trabalho, o primeiro-ministro britânico David Cameron deu conta de uma “boa discussão” e um “bom entendimento” em questões variadas, da balança comercial à cooperação estratégica de defesa ou à resposta à crise na Síria – e mais substancialmente, em relação ao futuro da Europa.

“Temos o objectivo e o compromisso comum de colocar os nossos países na rota da recuperação e do crescimento”, confirmou o Presidente francês, François Hollande.

A agência francesa AFP apresentava o encontro como o momento para pôr o contador a zero e desanuviar o ambiente entre Londres e Paris, tenso e pesado por causa da recusa de David Cameron em receber Hollande durante a campanha presidencial francesa (e do seu apoio público à recandidatura de Nicolas Sarkozy).

Os dois exibiram sorrisos para as câmaras, trocaram os obrigatórios cumprimentos e até ensaiaram o humor para responder a algumas das perguntas mais incómodas. Mas o tom cordial não iludiu a existência de “áreas” onde as opiniões não são “concordantes”, como admitiu o primeiro-ministro britânico.

Em relação à crise da zona euro e ao futuro da União Europeia, o Presidente francês salientou as diferenças entre Paris e Londres: “A França gostaria de maior integração e solidariedade dentro da zona euro, mas a Grã-Bretanha não tem nenhuma intenção de aderir ao euro e compreendemos perfeitamente essa posição”, declarou Hollande. Assim sendo, prosseguiu, o mais razoável é “encarar uma Europa a várias velocidades”, em que cada país “avança ao seu próprio ritmo”.

Os britânicos não subscreveram o pacto europeu para a disciplina orçamental, alegando a salvaguarda dos interesses da City londrina, e opõem-se ferozmente à introdução de uma taxa sobre as transacções financeiras favorecida pela França. São também rígidos defensores de medidas de disciplina e austeridade orçamental, num claro contraste com a receita de crescimento através da despesa e do investimento público preferida por François Hollande.

A primeira visita oficial do Presidente de França ao Reino Unido incluiu ainda um encontro com a rainha Isabel II no castelo de Windsor. Segundo informaram os serviços protocolares, a monarca iria falar francês com o seu convidado.

 

 

 

 

 

jn.pt

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