Morabeza Deluxe: clientes dizem que foram burlados pela Blue Company

7/08/2014 08:02 - Modificado em 7/08/2014 08:02

morabeza deluxeOs compradores dos apartamentos do complexo Morabeza Deluxe, que até agora estiveram em silêncio, dizem que são as primeiras vítimas da Blue Company, pois foram burlados. Assinaram um contrato, contraíram um empréstimo bancário, cumpriram com todas as obrigações e ficaram sem apartamento, sem dinheiro e com dívidas junto da Banca. Pior: alguns não podem contrair novo empréstimo para comprar casa própria ou para investir. Dizem que o que se passou foi uma pouca-vergonha; um assalto à mão armada com a conivência de quem devia controlar e deu dinheiro a certos “investidores”.

 

Com a declaração de falência da empresa Blue Company, empreendedor da Morabeza Deluxe, em Alto Morabeza, obra ainda por construir, a atenção concentra-se nos compradores que apostaram no investimento. Estes sentem-se lesados com todo o processo porque contraíram um empréstimo no banco e o complexo não foi terminado. A maioria assinou o contrato de compra e venda e iniciou o pagamento através de empréstimo bancário em 2008, com a certeza que em 2010 poderia receber o seu apartamento.

Uma “vigarice” é como os compradores classificam esta situação. Como contam, e as histórias são de alguma forma similares, com a apresentação do projecto muitos optaram por investir no mesmo. A empresa apresentou preços “aliciantes” que cativou o interesse das pessoas. Algumas contraíram dívidas no Banco para comprarem os apartamentos. E, através do banco, procederam à compra e passaram logo a pagar ao Banco Interatlântico o empréstimo. E o banco foi fazendo desembolsos aos “investidores”.

“Notei que a dada altura começavam os incumprimentos das datas de entrega dos apartamentos e nós estamos sempre a pagar ao banco”, conta Filipe Nazaré, um dos lesados. Paulo Ribeiro, também apostou no projecto e diz que acreditaram num projecto e, ao fim de mais de seis anos, nada”. E os prejuízos destes compradores estão contabilizados em mais de dois mil contos cada um, ao qual se acrescenta o apartamento que não foi entregue.

As pessoas citadas, compraram os apartamentos para fixar residência. Rui Teixeira diz que este investimento impossibilitou-o de ir à Banca e procurar novo investimento para aquisição de casa. “Quero construir e não consigo fazer um empréstimo por culpa deles”, exterioriza Teixeira. É que o seu nome está em vermelho na Banca já que tem o empréstimo que fez pendente e a ser descontado. E, por isso, espera uma solução para a sua situação, para que o seu nome fique limpo perante a Banca e ter uma nova oportunidade para investir.

Mas porque a outra parte não cumpriu o contrato, o sentimento de terem sido lesados é alargado a todos. “É frustrante e estão a brincar com as outras pessoas”, afirma Nazaré. E acrescenta que “esses indivíduos vêm investir sem dinheiro, brincam com a Banca de Cabo Verde e depois fogem como se nada passasse”.

“Estamos a falar de poupanças de uma vida de trabalho”, evidência Paulo Ribeiro. E acredita que já será difícil retornar o investimento. Sente-se triste pela forma como muitas pessoas foram lesadas neste investimento, por isso, sugere maior controlo. Ao que parece, a empresa investiu sem usar dinheiro próprio. E este facto é ressaltado por Ribeiro: como é que alguém consegue fazer algo do tipo sem haver um controlo.

Estas pessoas que compraram os apartamentos nunca tiveram informação por parte da empresa sobre a situação das cosias. A única informação, como contam, era uma nota que dizia que os apartamentos não iriam ser entregues em 2010 e pediam um adiamento de seis meses “como vem no contrato”. Desde esta data estão sem notícias.

Mas alguns acalentam a esperança de que podem reaver o seu investimento de volta ainda que seja alguma parte. Alguns compradores suspenderam o pagamento das prestações e deram entrada com uma providência cautelar no tribunal.

O tribunal decretou falência da empresa Blue Company que era responsável pelo empreendimento Morabeza Deluxe situado na zona de Alto Morabeza. Há anos que o prédio se encontra abandonado apenas com o esqueleto e a ocupar grande parte da paisagem da zona norte da ilha.

 

 

 

  1. rasec

    Bom traboi, bem feito pe bzote tude lesados, basta parce algo do género os gargantudos aparecem a investir, bem feito mais uma vez.

  2. Mateus

    Qual era o preço dos apartamentos T2 e T3?

  3. ampolha do calcaneo

    Q coisa!!!!!!!! ainda uma “amiga” puxando para q eu comprara!!!!,Mais DESCONFIE !!
    pois a retazos foi feito os pilares do predio !!! sem olhar do ingeniero !!!! Cuidado com esse predio.

  4. Carlos Fortes

    Um verdadeiro drama para os burlados. Infelizmente essas pseudo empresas imobiliárias vêm funcionando a nível internacional e como saltam de um País para outro é difícil caça-los e quando tal acontece o dinheiro está sumido.
    Contudo esses burlões nao agem sozinhos. Uma técnica indispensável para o seu sucesso é a obtenção da colaboração de indivíduos nacionais que conhecem todos os tramites “ilegais”e subornam os responsáveis pela concessão de terrenos e pela concessão de créditos alem de aliciarem as pessoas para efectuarem tais compras fictívas.
    Espero que mais pessoas nao caem na mesma armadilha. Outros tantos criminosos e ganaciosos estao,atentos para sacar o bolso do outro sem o minimo de escrúpulo duma ou doutra forma. Nao muito tarde Pombas Brancas trará tambem a sua surpresa. Comecou com a “nao extracao” da lotaria e o desfecho e facil de antever.Para os lesados muita coragem para aceitar tamanha perda pois as aves de rapina voaram para muito longe e os seus colaboradores que cá ficaram sao intocáveis.

  5. Atento

    Não desejo isso a ninguém … mas a ganância de querer tudo de luxo leva a isso…. ainda mais gente que dize ter gastado as suas poupanças nesta porcaria…

    Enfim lamentável….

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