Israel declara cessar-fogo temporário na maior parte da Faixa de Gaza

4/08/2014 08:17 - Modificado em 4/08/2014 08:21
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gazaDuramente criticado pelo ataque que no domingo matou dez palestinianos refugiados numa escola gerida pelas Nações Unidas, Israel anunciou para esta segunda-feira um cessar-fogo de sete horas na sua ofensiva na Faixa de Gaza. A suspensão não se aplicará apenas à região de Rafah, no sul do território.

 

O cessar-fogo deverá vigorar entre as 10h e as 17h (8h e 15h em Portugal continental), mas o Exército israelita afirma que os seus soldados “vão responder a quaisquer disparos” que venham eventualmente a ser feitos. As operações terrestres vão também continuar na zona leste de Rafah, alvo de uma duríssima resposta de Israel a uma emboscada que na sexta-feira terminou com a morte de três soldados.

Só no domingo, 71 palestinianos foram mortos naquele sector pelos bombardeamentos da aviação e da artilharia israelita, a que se juntaram sete outros mortos no norte da Faixa de Gaza já durante o final do dia. Já esta manhã, outras dez pessoas perderam a vida em novos raides, incluindo um comandante da Jihad Islâmica, grupo palestiniano que combate ao lado do Hamas. O balanço de quase um mês de ofensiva supera já os 1800 mortos naquele território, a que se juntam 64 soldados e três civis do lado israelita.

O Hamas desvalorizou de imediato a trégua. “A calma anunciada por Israel é unilateral e visa apenas desviar atenções dos massacres israelitas”, afirmou Sami Abu Zuhri, porta-voz do grupo islamista que controla a Faixa de Gaza desde 2006. Uma referência ao coro de repúdio que se seguiu ao ataque de domingo, o terceiro já contra as escolas da ONU que servem de refúgio aos palestinianos que fugiram aos combates. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, falou num “acto criminoso” e numa “nova violação flagrante do direito humanitário, e mesmo os Estados Unidos condenaram “o vergonhoso bombardeamento” da escola da ONU, ainda que não tenham imputado directamente a responsabilidade ao aliado.

As Nações Unidas avisam que o território — um dos mais densamente povoados do mundo — enfrenta “uma catástrofe humanitária de grande dimensão”. Um quarto dos 1,8 milhões de palestinianos que ali vivem foram forçados a sair de casa pelos combates e muitos não terão aonde regressar quando a calma voltar, uma vez que três mil casas foram destruídas ou seriamente danificadas pelos bombardeamentos.

O Exército israelita confirmou entretanto ter retirado parte das forças que enviou para Gaza, mas assegura que a ofensiva não terminou ainda. “Estamos a retirar alguns e a mudar as posições de outros, a missão está em curso”, garantiu à AFP um porta-voz militar. Certo é que a ofensiva parece entrar numa nova fase, com o Governo israelita a afirmar que a destruição dos túneis construídos pelo Hamas deverá estar concluída “nas próximas 24 horas”.

 

publico.pt

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