Entre o desenvolvimento e o retrocesso

1/08/2014 01:58 - Modificado em 1/08/2014 01:58

debateEstá visto que a Nação é o PAICV e o MpD. E estado da Nação é o que dois fizeram ou deixar de fazer . O debate do “seu estado da nação” só podia ser, como sempre, um acerto de contas com retroativos : haja paciência !

 

O Parlamento reuniu-se para debater sobre o estado da Nação. Encontro visto pelo Primeiro-ministro José Maria Neves como “uma oportunidade singular de debate, de construção de consensos, de responsabilização e de perspectivação do futuro”. O debate teve tudo menos o consenso sobre a situação do País com as bancadas e o Governo a divergirem na leitura que fazem do estado da Nação.

“Como Chefe do Governo da República, devo dizer-vos o seguinte: sendo maioria desde 2001, ainda não resolvemos todos os problemas e nem era possível tal milagre”, considerou José Maria Neves, referindo-se aos constrangimentos no início quando formou Governo. E, para Neves, os “ cabo-verdianos têm podido ver e sentir nas suas vidas o impacte do processo em curso de transformação. Têm, na verdade, podido medir, avaliar os resultados tangíveis e intangíveis deste progresso”.

E neste processo de transformação, menciona investimentos e ganhos a nível das infra-estruturas (portos e aeroportos), educação, energia, água, turismo, saúde. Para o Primeiro-ministro, o estado actual da Nação é bom e perspectiva para 2030 “um País desenvolvido de renda média alta”. Para este líder político, o maior desafio está na forma actual de fazer política em Cabo Verde.

“Continuo a insistir que há matérias de interesse nacional que têm de estar resguardadas das quezílias político-partidárias”.
Por outro lado, a bancada do PAICV corrobora esta visão do Governo e, a nível económico, destaca o turismo. “O País conseguiu uma melhoria de sete pontos na classificação global nas economias que mais apresentam melhor ambiente de negócios no mundo”, realçou Felisberto Vieira, líder parlamentar do PAICV.

Visão contrária é a da oposição (MpD e UCID). “Infelizmente, a Nação, neste momento, está marcada pelo mais baixo crescimento económico desde a independência nacional, pela mais alta taxa de desemprego dos últimos anos e por níveis preocupantes de violência e insegurança”, afirma Elísio Freire, líder parlamentar do MpD. E acrescenta que a Nação também assiste à maioria das empresas a declararem resultados negativos, a um aumento das desigualdades entre as ilhas e concelhos, a um aumento galopante da dívida pública, a uma quebra do investimento privado, a uma perda no rendimento disponível das famílias, a um aumento “preocupante” de famílias endividadas e sem capacidade de honrarem os próprios compromissos financeiros. E acrescenta a esta lista, oportunidades desperdiçadas pelo País no que tange à prestação de serviços. Também o turismo enunciado pelo PAICV é alvo de crítica por parte do MpD.

A UCID, através do seu Presidente António Monteiro, apesar de reconhecer o trabalho realizado pelo Governo garante que recusará a ficar “alheio àquilo que é mal feito e a realizações que pecam por defeito”. Para Monteiro, as “intenções manifestadas pelo Governo, no sentido de introduzir reformas e melhorias e adoptar políticas que alterem esse estado de coisas, não passam de meras intenções”. E garante que Cabo Verde poderá ter problemas sociais se continuarem a subsistir problemas na revisão do código laboral, do regime e carreira profissional dos professores, do salário mínimo para cozinheiras, do ICASE, do reembolso de remanescentes do IUR e do IVA, da actualização do IUP, do financiamento e das taxas devidas aos municípios, do descongelamento dos planos directórios municipais, de irregularidades na cobrança de impostos e taxas do comércio e do turismo e, sobretudo, do estado da justiça”.

E assim, fica descrito o estado da Nação: um descrito pelo Governo e pelo PAICV de progresso e desenvolvimento e outro, de atrasos e problemas sérios por parte do MpD e da UCID.

  1. Aqui em S.Vicente não sentimos o tão falado impacto de desenvolvimento, o que sentimos é o marasmo que reina nesta ilha, jovens desempregados cada vez mais a aumentar, uma economia menos boa, poder de compra das pessoas muito fraca e as lojas com pouca clientela enfim esta é a realidade do Estado da Ilha de S.Vicente.

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