Jovens desempregados com formação ocupam férias e folgas nas empresas

1/08/2014 01:37 - Modificado em 1/08/2014 01:37

simbolos_de_los_licenciados-19898Durante o Verão, algumas portas abrem-se durante um ou dois meses aos jovens desempregados, isto, porque muitas pessoas aproveitam esta época para gozarem as próprias férias e as empresas contratam jovens com alguma formação para ocuparem durante esse tempo a vaga.

 

A ocupação temporária das vagas durante as férias de alguns funcionários, dá aos jovens desempregados uma oportunidade não duradoura de ganharem algum dinheiro.

O mais triste é que esses jovens têm alguma formação ou já fizeram estágio em diversas empresas, tudo com o objectivo de conseguirem uma vaga, mas sem sucesso. Contudo, são jovens com licenciatura e outras pequenas formações que durante muito tempo estiveram à procura de um emprego.

Os entrevistados são jovens com as suas responsabilidades e com filhos para criarem, o que redobra a preocupação quando o desemprego constitui a maior dor de cabeça.

Flávio Andrade é licenciado em Serviços Sociais e diz ocupar férias e folgas de alguns funcionários no Mindel Residencial. Sempre que é preciso, Flávio é chamado para tirar alguns dias de trabalho. Para o entrevistado, ocupar férias é uma oportunidade que não se deve recusar porque há muitos jovens sem ocupação, porque não há emprego e as vagas quase que não existem. “ É uma mais-valia porque, para quem tem filhos e outras responsabilidades, estar desempregado é a maior dor de cabeça pois, as consequências do desemprego acabam por afectar toda a família.

Para além de ambicionar um emprego, Flávio diz que é também uma oportunidade de entrar no mercado do trabalho mesmo não sendo na área de formação, porque as empresas ficam a conhecer o trabalho das pessoas e poderão surgir outras oportunidades.

Simone Dias, uma licenciada em Ciências da Comunicação, fez diversas formações, mas até agora aguarda a sua vez para entrar no mercado do trabalho. Enquanto isso, o tempo vai passando sem que consiga realizar os seus planos. A mesma diz que encontrou uma vaga de dois meses na livraria “A Semente” e que se revela uma oportunidade de ocupar o tempo para fazer algo que serve para a entrada de algum dinheiro. “É uma situação triste porque sabemos que não irá durar muito e que depois de passar o tempo, volta de novo a angustia de ficar desempregado e, ao mesmo tempo, é uma alegria porque ocupamos o tempo fazendo algo que nos torna mais úteis e gera a entrada de algum dinheiro”.

Elisaurinda Costa é uma jovem com formação de recepcionista, tem vindo a ocupar férias no Hospital e nas farmácias. Elisaurinda considera que muitas vezes são exploradas, mas não deixa de ser uma oportunidade para trabalhar quando há uma procura desenfreada de emprego. Quando terminamos o trabalho, voltamos para casa desanimados, ansiosos por encontrar um emprego. Elisaurinda tem dois filhos e o seu maior sonho é conseguir um emprego para poder sustentar os filhos.

 

  1. Clara Medina

    Começo por pedir desculpas pois infelizmente sou influenciada pela cultura e mentalidade anglo-saxonica que difere bastante da nossa mentalidade e comportamento.
    Nos países desenvolvidos e onde há um espirito de responsabilidade a ordem das coisas é: diploma, emprego, casa e depois, muito depois filhos.
    Em Cabo Verde a ordem parece ser outra ou seja a unica preocupação ou seja a única finalidade é “parir” , “parir”, “parir” e o resto fica na graça de Deus ou do Governo.
    Doutro lado as escolhas dos cursos sao apenas para massagem do ego e espirito exibionista de alguns e nao feitas com senso de realidade do País onde vivemos. Outros mais ingénuos sao simplesmente ludibriados por essas “escolinhas” que surgiram por todos recantos de Cabo Verde e que se auto-intitulam de universidades ou melhor dizendo de pseudo-universidades. Tais formações nao se adaptam ao limitadíssimo mercado de trabalho em Cabo Verde e lá fora esses diplomas nem tao pouco servem para reciclagem.
    Esses diplomas em Cabo Verde valem apenas se os seus possuidores ou seus pais estiverem correctamente partidarizados e bem posicionados.Caso contrario os mesmos abrem apenas as portas para um desemprego e uma frustracao permanente.
    Enquanto nao houver uma mudança drastica de mentalidade e tais mudanças duram por vezes gerações a situação vai permanecer igual com as suas malignas consequencias sociais e profissionais.
    Um País onde se fabricam anualmente centenas de gestores de empresa, filósofos, sociólogos, linguisticos, historiadores, politicos e mais de igual teor e que com muita dificuldades se consegue um pedreiro, um carpinteiro, um serralheiro, um técnico de computador competentes e com um minimo de capacidade e em estado de poder equiparar com qualquer outro com a mesma profissão noutras paragens.
    É tempo de mudança radical e para melhor.

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