Santo Antão: “já estive quase a morrer, mas tenho de tomar um cálice de grogue todos os dias para não passar mal”

22/07/2014 07:51 - Modificado em 22/07/2014 07:51

alcool2Em Santo Antão, onde o número de pessoas alcoólatras é considerado preocupante, o NN ouviu algumas pessoas que apesar de não se considerarem alcoólatras não conseguem, no entanto, deixar de beber álcool.

 

Na ilha de Santo Antão, os casos de pessoas que são levadas embriagadas para o hospital são muito elevados e preocupantes. A maior parte das pessoas não assume que é alcoólatra, mas assume que não consegue passar muito tempo sem beber o grogue porque, sem o álcool as pessoas dizem que passam mal.

João Fonseca tem 31 anos e já perdeu a família e o emprego por consumir álcool em excesso. Com um filho de dez anos, não consegue sustentá-lo, “não trabalho e a minha mulher abandonou-me. Chegava sempre embriagado em casa”. João já tentou deixar de beber grogue, mas passou mal e foi internado e, segundo ele, não pode ficar sem beber grogue: “tento não beber grogue, mas não consigo”.

Luís Sequeira já foi internado no Hospital João Morais várias vezes pelo facto de estar embriagado e passar mal mas, mesmo assim, o álcool fala mais alto: “já estive quase a morrer, mas tenho de tomar um cálice de grogue todos os dias para não passar mal”. Se Luís não ingerir pelo menos um cálice de grogue sente epilepsia.

António cresceu nos trapiches e, por isso, acostumou-se a experimentar o grogue muito cedo. Hoje, com 28 anos, não consegue deixar de beber. “Bebo desde criança e agora não dá para deixar de beber o grogue”. Mesmo com problemas de saúde por causa da aguardente, António não pára de beber: “é um vício que vou levar até à morte”.

Muitas pessoas acreditam que Santo Antão precisa de um centro de desintoxicação e de campanhas de sensibilização para os problemas do álcool. Entretanto o grogue continua a matar  e a destruir lares  perante o silencio cúmplice das autoridades.

  1. baldoque

    Fraca, fraquinha esta peça. Muita frquinha mesmo. Quando se escreve sobre algo do género, deve-se fazer pesquisas, apresentar dados. Não um depoimentos de 3 (três) pessoas. Há que fazer mais. Esta peça não trouxe nada à sociedade, a não ser a exposição das pessoas, que acredito, entretanto, não se sentem lesadas.

  2. CidadaoCV

    Pois é … É a maldição do Grogue e da politiquice. Vejam que as pessoas aqui citadas são ainda jovens, com idade para jogarem futebol, no entanto já não conseguem “trá um dia d’ traboi’. Enquanto isto os donos dos “alambiques” continuam a enriquecer. É urgente uma reformulação legislativa que proíbe categoricamente o fabrico do grogue de açúcar. É uma aberração a quantidade de açúcar que S. Antão “importa”. É uma aberração um litro de “grogue” (veneno) custar 200$00.

  3. Fonsenca Soares

    caro Baldoque
    Vc está a ser injusto com este online que é o único no Pais que de forma consequente aborda a questão do alcoolismo pode ler em http://noticiasdonorte.publ.cv/24395/o-alcool-mata-enquanto-autoridades-bebem/ onde o assunto foi tratado com grande profundidade. Na matéria em questão o objectivo foi tão só ouvir depoimentos e mostrar as miserias provocadas pelo alcool .

  4. JM

    Sempre defendi que se deve tomar medidas de fiscalização preventiva. Meter fiscais a controlar esses “donos”dos trapacices/alambiques” que se enriquecem à custa desse gente pobre de espírito e fraca cultura. Vejam só, metem essa gente a trabalhar para eles e recebem em aguardente(e do pior). Comprem a saúde dessa gente com aguardente, escravizam-nos todos dias. Autentico fabrico de veneno, sem qualquer controlo estatal, metem porcarias, e a qualquer período de tempo.

  5. Liseth

    Muitas pessoas jovens morrem ou são internadas com quadros clinicos graves em Santo Antão. Cada dia o problema agrava mais e ninguém faz nada

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