Jovens empresários mostram-se desiludidos com a pouca vergonha das políticas para o empreendedorismo

18/07/2014 07:49 - Modificado em 18/07/2014 07:49
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empreendedorismoSão Vicente, ilha onde a taxa de desemprego é a maior do país, os jovens sentem-se desiludidos. Para pôr cobro à situação do desemprego, os jovens mindelenses idealizam projectos empreendedores, na esperança de conseguirem gerar empregos, mas nem tudo é um mar de rosas, mas sim muitos espinhos que parecem ser rosas.

Uma das formas de encarar a situação, é adoptar uma atitude empreendedora, transformar ideias e experiências em negócios viáveis.

Frente à situação que a todos preocupa, é necessário adquirir novas posturas, mudar mentalidades e fazer um esforço de adaptação. Para além de adoptar tal atitude, é também necessária uma dose de paciência, tolerância, sobretudo, muita boa vontade para correr riscos e eliminar obstáculos.

Os jovens, com quem o NN falou  mostram-se desiludidos e criticam as políticas de empreendedorismo jovem criadas pelo Governo, consideradas pelos mesmos como uma fachada.

Adnilson Vieira, acredita que não vale a pena criar políticas de empreendedorismo se o próprio sistema não ajuda. O jovem não tem apoio, os meios financeiros são o grande entrave. O mesmo diz que participou no concurso Startup realizado pela ADEI, onde o seu projecto foi viável, contudo, não conseguiu o prémio. Na elaboração do plano de negócios, na pesquisa do terreno, pôde constatar as dificuldades, um leque de burocracia que não ajuda em nada o jovem que quer ser empreendedor, porque não tem apoios institucionais.

Mesmo a ADEI, tem feito o trabalho, mas “não tem autonomia”. O mesmo considera que as políticas empreendedoras não facilitam nem um pouco os que insistem em criar o seu auto emprego devido ao sistema bastante burocrático.

Henriette Duarte, uma jovem empreendedora, diz ter apresentado o seu projecto à ADEI em finais de 2013. Após sete meses, ainda está a aguardar o pronunciamento da mesma. Quanto ao empreendedorismo jovem, Henriette mostra-se incrédula e avança que “há um desleixo por parte do Governo” e argumenta da seguinte forma: “existem oportunidades e, ao mesmo tempo, o Governo acaba por eliminá-las de diferentes formas, colocando obstáculos”.

Mesmo que exista um determinado financiamento, o primeiro entrave é a limitação da idade. “Muitos desses jovens na idade pretendida, não possuem capacidades, estratégias para implementar, enquanto que outros jovens quadros que ultrapassaram a idade estipulada, perdem automaticamente as oportunidades”.

As burocracias são várias e o difícil acesso ao crédito fazem com que o jovem desista dos seus projectos e acredite que não há meios. A mesma acrescenta que ao contactar as instituições, estas nem sempre facultam informações completas dificultando o andamento do processo que por si só é demoroso.

Depois de bater em várias portas e com a sorte que muitos jovens não alcançam, Henriette Duarte conseguiu dar o pontapé de saída ao seu negócio, com a ajuda do seu sócio.

A descrença por parte dos jovens face ao empreendedorismo juvenil centra-se na grande burocracia para se ter acesso aos financiamentos e, na falta de condições que facilitem a abertura de um negócio sustentável. Embora esses jovens considerem “uma fachada” as políticas e as escassas oportunidades, muitos acreditam que um dia poderão colocar em prática os negócios que sonharam realizar.

Caixa 1

 

Carlos e Juscelina  cansados de discursos bonitos

Carlos Tavares, incrédulo, diz que “falar é fácil, mas conseguir pôr em prática é bem difícil, ainda mais quando não há dinheiro. Nem há quem acredite e dê a oportunidade de criar novos projectos. Os discursos são muito bonitos, a pouca vergonha das políticas para o empreendedorismo, ainda mais”.

Com as medidas burocráticas da política empreendedora actuais, dificilmente um jovem poderá conseguir financiamento e, sem essa preciosa ajuda, não é possível avançar. No entender de Carlos, há que criar políticas sérias capazes de garantir oportunidades aos jovens e, assim, contribuir para a diminuição da taxa do desemprego.

Juscelina acredita que os jovens são empreendedores, inovadores, criativos, mas defende que em São Vicente “não há meios para criar e manter um negócio porque os meios disponíveis não ajudam. Numa cidade onde a economia se encontra paralisada, o desemprego é gritante, é cada vez mais difícil implementar um projecto de negócio onde se se depara com tanta burocracia que deixa um jovem desiludido. A mesma acredita que São Vicente não tem condições de ter um empreendedorismo jovem saudável e sustentável. “Só se pode investir se há capital, de outra forma não há como”.

Texto publicado no NN n 6 

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