Israel e Hamas discutem proposta de tréguas avançada pelo Egipto

15/07/2014 01:16 - Modificado em 15/07/2014 01:16
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hamasO primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vai recomendar ao conselho de ministros que aceite os termos de uma proposta para o cessar-fogo em Gaza apresentada esta noite pelo Egipto. A iniciativa, adiantada no início de uma reunião da Liga Árabe no Cairo, prevê a redução das acções militares de ambas as partes a partir das 6 horas da manhã, e a cessação incondicional das hostilidades às 6 horas da tarde.

Segundo avança o diário israelita Ha’aretz, Netanyahu convocou o executivo para uma reunião extraordinária na terça-feira de manhã, para discutir a proposta do Cairo. O jornal diz que o chefe do Governo apoia a proposta e vai recomendar a sua adopção. Mas também garante que o ministro da Economia Naftali Bennet, rival político de Netanyahu, se vai opor à assinatura de um cessar-fogo.

Também a liderança do Hamas está a avaliar a proposta egípcia, escreve o jornal britânico The Guardian. O movimento islamista que domina a Faixa de Gaza ainda não se pronunciou oficialmente, mas um dos seus dirigentes, citado pela AFP sob anonimato, confirmou que “já começaram as comunicações e os esforços para debater a questão da trégua”.

A proposta egípcia apareceu no fim de um dia de contactos e movimentações políticas e diplomáticas – mas também de intensa actividade militar. De acordo com as agências, o acordo prevê o “fim total das hostilidades aéreas, marítimas e terrestres” e a abertura de negociações para a entrada de bens humanitários no enclave palestiniano.

O acordo obriga Israel a travar a ofensiva sobre Gaza e por fim ao bombardeamento de alvos, e exige que o Hamas suspenda o disparo de qualquer tipo de rocket e acabe com os ataques na fronteira.

O Governo do Cairo disponibilizou-se ainda para organizar uma cimeira com os dois lados, 48 horas depois do início da trégua – as delegações israelita e palestiniana viajarão para contactos no Egipto, mas não estão previstas negociações directas.

Antes de entrar para a reunião de emergência convocada para o Cairo, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Liga Árabe sublinharam que a comunidade internacional não podia continuar a “manter o silêncio” sobre a ofensiva aérea israelita sobre alvos do Hamas na Faixa de Gaza, que já fez mais de 180 mortos e 1200 feridos, 80% dos quais civis. “É urgente tomar medidas para por fim ao derramamento de sangue”, considerou a organização pan-árabe.

A convergência de líderes internacionais no Cairo – para onde estava ontem a voar o secretário de Estado norte-americano, John Kerry – terá sido a forma de pressionar o Governo de Abdel Fattah el-Sissi a assumir a responsabilidade pela mediação entre as partes em conflito. No último confronto entre o Exército de Israel e os militantes palestinianos, em 2012, foi o então Presidente islamista do Egipto, Mohammed Morsi, quem intermediou a negociação das tréguas que vigoraram até agora. Mas o seu sucessor (que foi responsável pela sua deposição e posterior ilegalização da Irmandade Muçulmana, aliada do Hamas) estava relutante em envolver-se directamente no assunto.

À distância, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, fez saber que considerava o Egipto como o negociador “mais credível” da região. A União Europeia também defendeu que o processo fosse conduzido pelos parceiros regionais. Com as atenções concentradas na resposta do Cairo, um assessor governamental disse à Reuters que o Presidente manteve “contactos com as facções israelita e palestiniana, bem como os países da região e os aliados internacionais”.

Ao final do dia, o Egipto assumiu a iniciativa, mas fontes diplomáticas contactadas pelas agências manifestavam poucas esperanças de que a proposta do Egipto fosse aceite. Um porta-voz do Governo do Qatar, que se perfilou como possível interlocutor dos palestinianos, lembrava que “o Hamas colocou condições irrealistas para as negociações”.

O movimento que domina a Faixa de Gaza (e que os EUA e a União Europeia definem como uma organização terrorista) recusa um acordo de “calma por calma” e exige que Israel liberte centenas de activistas palestinianos detidos na Cisjordânia no mês passado e ponha fim ao bloqueio ao seu território. Pelo seu lado, o Governo de Telavive exige a total desmilitarização dos grupos islamistas que operam em Gaza, Hamas e a Jihad Islâmica.

A ofensiva prosseguiu esta segunda-feira, pelo sétimo dia consecutivo. Um porta-voz das forças israelitas confirmou que durante a noite foram atingidos 42 alvos em Gaza, entre os quais uma mesquita. De manhã, uma parcela de território a Norte da fronteira de Gaza, à volta da localidade palestiniana de Beit Lahiya foi classificada como “zona militarizada fechada”, uma medida que, segundo analistas, antecipa o início da incursão terrestre sobre o enclave.

O representante da Organização Mundial da Saúde em Gaza, Mahmoud Daher, foi um dos cerca de 17 mil habitantes que procurou refúgio em instalações das Nações Unidas. “Apesar de Israel também ter bombardeado edifícios da ONU em 2008 e 2012, as pessoas sentem-se mais seguras aí do que nas suas casas”, explicou. Desta vez, os mísseis israelitas provocaram danos em 47 edifícios, incluindo escolas, clínicas e armazéns, disse à CNN o comissário da agência de apoio aos refugiados palestinianos, Pierre Krahenbuhl.

A ala militar do Hamas anunciou a realização de várias “missões especiais” sobre território israelita com recurso a drones (aviões não tripulados), um dos quais terá sido abatido pelas forças israelitas. Foi a primeira vez que o grupo islamista admitiu deter esse tipo de equipamento, que segundo informou, pode ser usado para vigilância e reconhecimento mas também em ataques.

O sistema de defesa antiaérea Iron Dome interceptou rockets do Hamas disparados contra as localidades de Sderot, Ashdod e Telavive. Mas o ministério da Defesa israelita também reportou disparos do Líbano, que caíram sobre campos da Galileia, e ainda da Síria, atingindo os montes Golã do lado de Israel.

publico.pt

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