Alemanha sagrou-se campeã mundial pela quarta vez na história: Uma máquina com coração

14/07/2014 07:04 - Modificado em 14/07/2014 07:58
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Germany's goalkeeper Neuer lifts the Golden Glove after being named as the best goalkeeper at the end of the 2014 World Cup final between Germany and Argentina at the Maracana stadium in Rio de JaneiroPor todos os motivos e mais algum, o Campeonato do Mundo organizado pelo Brasil revelou-se histórico. A organização teve nota muito positiva a assistiu-se a enormes exibições individuais, houve grandes surpresas e resultados incríveis. A tudo isto junta-se um campeão que desde o início fez questão de mostrar a toda a gente que era a equipa mais bem preparada e com melhores argumentos para levantar o troféu. A Alemanha frustrou a Argentina (1-0) numa final muito disputada e que só foi decidida no prolongamento. Aí, Götze foi buscar toda a inspiração para, num belo gesto técnico, fazer o único golo do encontro. Quarto título de campeã mundial para a Alemanha na oitava final disputada e mais uma final amarga para a Argentina, que esteve presente em cinco decisões mas só venceu duas.

A Alemanha campeã do Mundial 2014 está longe de ser a formação fria e física que normalmente se associa à Mannschaft. Muito se tem falado do “samba alemão” que a equipa orientada por Joachim Löw mostrou no Brasil. Não é só nos relvados que isso é verdade: ao estilo de jogo muito atractivo que coloca em prática, a selecção alemã adopta uma postura muito descontraída que foi evidente ao longo de todo o torneio. Fosse na forma como os jogadores celebraram no relvado com as respectivas famílias, fosse na política aberta com que trabalharam na Bahia durante o torneio. Tudo foi pensado ao pormenor, incluindo as manifestações públicas dos jogadores que cativaram o Brasil inteiro. A Alemanha pode continuar a ser uma máquina, mas é uma máquina com coração.

E precisou dele todo para alcançar o quarto título mundial (1954, 1974, 1990 e 2014): no Maracanã, a Argentina ofereceu à Mannschaft um duro teste. A equipa de Alejandro Sabella mostrou a melhor face que se lhe viu durante o Campeonato do Mundo, colocando muitas dificuldades aos alemães e quase emperrando a máquina. Mas, já dizia Gary Lineker, no final ganha a Alemanha. Dos pés do jovem Götze saiu o lance que deixou prostrados milhares (milhões) de argentinos e deitou por terra o sonho da “alviceleste”. Conquistar o título no Maracanã constituiria a derradeira afronta para os rivais brasileiros e seria esfregar sal na ferida aberta que é, por estes dias, a relação do Brasil com o futebol. Tão cedo a “canarinha” não esquecerá o Mundial 2014.

O Cristo Redentor dominava a vista das bancadas do Maracanã e, num fim de tarde bucólico no Rio de Janeiro – o sol deixou-se ver ao fim de alguns dias de céu cinzento e chuva – estavam reunidas as condições para se escrever uma página de história. Com a vitória sobre a Argentina, a Alemanha tornou-se na primeira selecção europeia a ganhar um Campeonato do Mundo realizado nas Américas. Era, de resto, um objectivo traçado desde o início e foi tudo planeado nesse sentido. Como se a Alemanha desse corpo à frase do uruguaio Obdulio Varela, capitão da selecção que em 1950 chocou o Brasil no celebérrimo episódio conhecido como “Maracanaço”: “Cumplimos sólo se somos campeones”, disse então Varela. Ser campeão era também a única opção para a equipa de Löw.

Para cumprir o objectivo, a Alemanha teve de ser paciente. Não é só pelo facto de o jogo ter sido decidido no prolongamento (pela terceira vez consecutiva em finais do Mundial), mas também porque a Argentina vendeu cara a derrota. Os jogadores orientados por Sabella, empurrados pelos milhares de adeptos no Maracanã, criaram dificuldades à Mannschaft. Tivesse havido mais eficácia e a “alviceleste” até podia ter estado em vantagem no marcador. Um exemplo flagrante disso foi o falhanço escandaloso de Higuaín, que após um mau cabeceamento de Kroos ficou frente a frente com Neuer mas nem acertou na baliza (21’). Aos 40’ Messi passou por Hummels e desviou a bola de Neuer, mas Boateng fez o corte no último instante e evitou o golo. Pouco mais se viu do génio do Barcelona, a não ser um remate cruzado que passou a milímetros do golo (47’).

Paulatinamente, a Alemanha conseguiu controlar a Argentina. Mas a parte atacante da máquina mostrava menos acerto que em ocasiões anteriores. Romero travou o remate de Schürrle (37’) e Höwedes cabeceou ao poste na sequência de um canto (45+2’).

A segunda parte foi menos bem jogada, como se o prolongamento tivesse imediatamente entrado na cabeça dos jogadores. Nessa altura, regressou a animação: Schürrle voltou a testar Romero e Palacio teve nos pés uma ocasião flagrante, mas, tal como Higuaín tinha feito, desperdiçou-a: no coração da área, recebeu um lançamento de Rojo mas decidiu mal, tentando fazer a bola passar por cima de Neuer.

Era escusado, porque o plano estava traçado desde o início. Götze foi o seu executor: após grande jogada de Schürrle, o futebolista do Bayern Munique recebeu a bola no peito e, sem a deixar cair, incendiou as bancadas do Maracanã. Era tarde para a Argentina reagir, como denunciou a expressão de Messi. Um “Maracanaço” pessoal para o internacional argentino. Mas inteiramente merecido para a Alemanha.

publico.pt

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