Consumo e produção de combustíveis bate recordes em 2013

8/07/2014 08:32 - Modificado em 8/07/2014 08:32
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canosNa produção de energia as emissões de carbono crescem menos do que o PIB devido ao aumento da eficiência energética, mas mantêm-se a par do consumo”. Está é uma das conclusões do mais recente estudo BP Statistical Review of World Energy 2014.

O consumo e produção aumentaram para todos combustíveis, atingindo níveis recordes para cada tipo de combustível exceto na energia nuclear. Para cada um dos combustíveis fósseis, o consumo mundial aumentou mais rapidamente que a produção. Os dados sugerem que o crescimento das emissões de CO2 globais do uso de energia também terá acelerado em 2013, embora tenha permanecido abaixo da média. Estas são algumas das conclusões do estudo “BP Statistical Review of World Energy 2014”, apresentado na passada sexta-feira, no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, pelo responsável pela área de economia energética na BP Oil, Paul Appleby.

Mas há uma tendência que preocupa aquele responsável. O carvão já representa mais de 30% do consumo total de combustíveis a nível mundial, a mais elevada percentagem desde 1970. Paul Appleby, adverte que, devido ao peso cada vez maior do carvão no consumo mundial, o aumento do recurso aos combustíveis não fósseis foi insuficiente para impedir um crescimento importante das emissões globais de carbono. Estas cresceram 2,1% em 2013, a níveis quase iguais à subida no consumo mundial de energias primárias, de 2,3%.

A BP Statistical Review of World Energy, que vai já na sua 63.ª edição, avalia todos os anos o comportamento mundial da produção e consumo de petróleo, gás e outros combustíveis, e as principais tendências do sector.

“Esta tem sido uma tendência muito importante ao longo dos anos –– as emissões de carbono crescem menos do que o PIB devido ao aumento da eficiência energética, mas mantêm-se a par do consumo de energia”, alertou Appleby. Isto sucede, sublinhou, “porque não houve alteração na intensidade de carbono no ‘mix’ global de combustíveis desde a última década”.

O responsável da petrolífera lembrou que na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), que representa os chamados países desenvolvidos, “as emissões de carbono por unidade de energia caíram em 2013 devido ao peso crescente dos combustíveis não fósseis”. Pelo contrário, nos chamados mercados emergentes – que iniciaram a fase mais intensa do processo de industrialização em 2002 -, “o peso crescente dos combustíveis não fósseis foi compensado pelo aumento do carvão e pelo declínio do gás natural”.

A União Europeia (UE) mostra-se como “a única região que retira benefícios do mix de combustíveis”, com “um crescimento forte das renováveis e das hidro a contribuir para o declínio da importância do carvão e do gás para a produção elétrica”. De acordo com o documento da BP, em 2013 as emissões de carbono na UE estavam abaixo 13% dos níveis de 1990, embora a nível mundial estejam atualmente 55% acima desse mesmo nível.

O relatório estatístico da BP revela ainda outros dados como o facto de Portugal ter liderado, em 2013, o ranking do crescimento mundial do consumo de eletricidade de origem hídrica, ao registar um aumento de 150,3% face a 2012. Esta performance traduz-se em 3,1 milhões de toneladas de petróleo equivalente, a terceira melhor performance dos últimos 10 anos, só superada em 2003 e 2010, quando atingiu o patamar de 3,6 milhões de toneladas de petróleo equivalente. O valor alcançado em 2013 corresponde a uma quota global de 0,4%, num ‘ranking’ em que o Canadá assume o protagonismo, com 10,4%.

BP reestruturada

Também presente na apresentação esteve o presidente da BP Portugal, Pedro Oliveira, que garantiu que “a grande reestruturação da BP Portugal está feita para já”, em declarações após o final do evento. “Neste momento temos cerca de 130 trabalhadores”, indicou à Lusa o mesmo responsável. “Vendemos a operação de gás em Portugal, que tinha cerca de 70 funcionários, e antes disso tínhamos cerca de 230 funcionários”, explicou, acrescentando que as saídas decorreram “com paz social”. “Isso é um dossier fechado para nós, estamos é a olhar para a frente”, defendeu. “Queremos crescer em Portugal e vamos ter 400 postos de combustível até 2017.”

Pedro Oliveira acrescenta ainda que apesar de estar feita a grande reestruturação, “qualquer empresa num mercado competitivo tem de estar sempre a olhar para a sua linha de custos”. E reforça que o mercado dos combustíveis em Portugal “é altamente competitivo”, apesar de “não ser essa a perceção, mas é. Os dados têm mostrado isso”, afirma acrescentando que isso “tem sido provado por todos os estudos técnicos bem-feitos”. O presidente da BP Portugal reagia desta forma a perguntas sobre a futura atuação da Entidade Nacional para o Mercado dos Combustíveis (ENMC), incluindo a publicação de preços de referência para a gasolina e o gasóleo, e também a introdução de gasolina e gasóleo de baixo custo no mercado.

Questionado sobre a futura introdução dos combustíveis ‘low cost’ nas gasolineiras, prevista para este ano, e o possível impacto nas vendas da BP, Pedro Oliveira insistiu que “70% dos combustíveis em Portugal já são vendidos com desconto”. “Na realidade, não antecipamos que se altere grande coisa. Não vou especular sobre isso, mas vamos deixar o mercado funcionar”.

Regulador dos combustíveis defende extensão do oleoduto Sines-Aveiras até Lisboa

O presidente da Autoridade Nacional para o Mercado de Combustíveis, Paulo Carmona, defendeu na apresentação do “BP Statistical Review of World Energy 2014”que o oleoduto que transporta produtos petrolíferos desde a refinaria de Sines até Aveiras deveria ser estendido “até à zona de Lisboa”, para “retirar camiões cisterna das estradas”.

O oleoduto que transporta gasolina, gasóleo e outros combustíveis refinados em Sines termina atualmente o seu percurso no parque de armazenamento de combustíveis de Aveiras de Cima, de onde os produtos petrolíferos como a gasolina e o gasóleo seguem por via rodoviária para outros destinos.

Paulo Carmona explica também que existe um problema de “subdimensionamento da estrutura logística e de transporte” e adiantou que gostaria de estudar esse assunto com a CLC, proprietária do oleoduto e controlada pela Galp.

Por outro lado, referiu que “também a ligação do oleoduto da Cepsa até ao porto de Sines devia ser estudada, para fazer deste porto o fornecedor principal para um ‘hinterland’, abrangendo a Extremadura espanhola”. “Devíamos tentar construí-lo com todos os operadores”, sublinhou ainda.

Paulo Carmona lembrou também as conclusões de um estudo recente sobre os preços do gás de botija em Portugal, que apontam que estes são no mínimo 50% superiores aos do gás natural. O responsável máximo da ANMC lembrou que o novo regulador pretende publicar e divulgar os preços neste setor, fazer uma maior monitorização e acompanhamento do mercado e eliminar barreiras à entrada. E referiu como um bom exemplo a venda de botijas de gás em grandes superfícies que se faz em França.

oje.pt

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