NSA recolheu mais dados sobre internautas comuns do que sobre alvos legais

8/07/2014 08:21 - Modificado em 8/07/2014 08:21
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nsaAs comunicações interceptadas pela Agência de Segurança Nacional (NSA) envolveram sobretudo internautas comuns, entre eles norte-americanos, em muito maior número do que os cidadãos estrangeiros que a agência norte-americana estava autorizada a investigar, revela uma investigação do jornalThe Washington Post.

 

A informação sobre as comunicações interceptadas entre 2009 e 2012 foi fornecida ao jornal por Edward Snowden, antigo analista da NSA. A investigação durou quatro meses e vem ao encontro do que um responsável da NSA já admitira em Abril, quando reconheceu que a agência recolheu dados de cidadãos norte-americanos sem autorização legal.

A NSA registou cerca de 160 mil mensagens e documentos, desde 121 mil mensagens instantâneas (como chats), 22 mil emails, perto de 8000 documentos armazenados, cerca de 3800 mensagens trocadas através das redes sociais ou 5000 fotografias privadas.

Os 160 mil registos em causa abrangeram, segundo o mesmo jornal, 11.400 contas. Pela NSA foram guardados os nomes dos cidadãos, os endereços de email e “outros detalhes registados como pertencentes a cidadãos norte-americanos”, quando, legalmente, a actuação da NSA apenas poderia abranger cidadãos estrangeiros fora do território dos EUA, salvo situação em que se colocasse um mandato específico.

Nove em cada dez contas interceptadas (89%), escreve o Washington Post, não cabiam dentro do âmbito da investigação da NSA. E entre o material catalogado estão histórias de amor, de relações sexuais ilícitas, conversas sobre política e religião – e tantas outras informações que foi conservada mesmo tendo a NSA considerado inútil essa informação que o Washington Post descreve como “surpreendentemente íntima” e de “teor voyeurista”.

Entre o material interceptado encontrava-se também informação que contribuiu para a captura de suspeitos de terrorismo, como Umar Patek, um dos suspeitos do atentado de Bali em 2002, que causou 202 mortos.

Outros exemplos referidos pelo jornal, mas não detalhados por haver investigações em curso, estão revelações sobre “um projecto nuclear secreto no exterior”, uma “catástrofe militar” de uma outra potência e as identidades de envolvidos em ameaças a redes informáticas norte-americanas.

As revelações do Washington Post são conhecidas depois de a justiça alemã ter anunciado a abertura de uma investigação às alegações de que o telemóvel da chanceler, Angela Merkel, foi alvo de escutas por parte dos serviços de informação norte-americanos.

As primeiras revelações sobre os programas de espionagem em larga escala da NSA foram publicadas no início de Junho de 2013, no Guardian e noWashington Post, que valeram aos dois jornais o Prémio Pulitzer, na mais importante das categorias, o de Serviço Público.

 

publico.pt

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