Presidente ucraniano fala de “ponto de viragem” na campanha militar no Leste

7/07/2014 12:41 - Modificado em 7/07/2014 12:41
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ucraniaO Presidente ucraniano, Petro Poroshenko falou este domingo no ponto de viragem na campanha militar no Leste da Ucrânia quando os seus militares conseguiram a primeira vitória no terreno com a captura da cidade de Slaviansk e avançam sobre o Leste, onde os rebeldes pró-russos controlam ainda várias localidades.

“Esta não é uma vitória total e não é altura para fogo-de-artifício”, alertou o Presidente. “Mas a limpeza de Slaviansk de gangues armados até aos dentes é de grande importância simbólica. Este é o início de um ponto de viragem na luta contra os militantes”, disse num discurso na televisão.

Mais tarde, o site da presidência ucraniana anunciou a tomada de duas outras cidades –  Artemivsk e Druzhkivka.

A recuperação de Slaviansk é uma vitória de que Poroshenko precisava depois de uma ofensiva de três meses, dois deles de cerco militar a algumas cidades tomadas pelos rebeldes, que não tinha tido até então qualquer resultado apesar de bombardeamentos pesados e cada vez mais mortes de civis.

O foco da batalha desloca-se agora para a cidade de Donetsk, onde os insurrectos se juntaram e onde analistas dizem que podem protagonizar um forte desafio.

Slaviansk foi a primeira cidade insurrecta, tomada em Abril por rebeldes que acusavam as autoridades centrais de Kiev de serem fascistas e nacionalistas que queriam destruir o Leste russófono do país.

Slaviansk era ainda até sábado o centro de comando do movimento pró-russo, chamada no Leste “cidade-herói” (título de honra dado pelas autoridades soviéticas a 12 cidades da então URSS que foram devastadas durante a II Guerra Mundial) pelo cerco de dois meses, durante os quais foi atacada repetidamente pelo exército ucraniano.

“Os separatistas tentaram tornar Slaviansk num símbolo de luta com a nossa pátria, mas esta cidade vai tornar-se o símbolo da vitória de uma Ucrânia unida e independente sobre terroristas e mercenários russos”, disse o presidente do Parlamento, Oleksandr Turchinov. Visitando a cidade, o ministro da Defes,a Valeri Heletei, foi fotografado com habitantes e crianças sorrindo, mostra o jornal Kiev Post. Num sinal de recomeço da vida normal, a distribuição de pão recomeçou, aponta a agência AFP.

“A minha ordem está em vigor — apertem o cerco aos terroristas”, disse Poroshenko no Twitter. “Continuem a operação para libertar as regiões de Donetsk e Luhansk”. O ministro do Interior, Arsen Avakov, disse pelo seu lado: “Temos um plano de acção. Vamos avançar a cada dia.”

Se já foi difícil conquistar Slaviansk, cuja população em tempo de paz era de 100 mil habitantes (dezenas de milhares de deixaram a cidade que ficou sem água nem electricidade em Junho em resultado dos combates), o desafio para os militares de Kiev aumenta em Donetsk, um centro industrial com população de 900 mil pessoas.

O analista de defesa Dmitri Timchuk, que tem ligações ao exército ucraniano, comentava ao jornal britânico The Observer que a vitória poderá não significar um avanço rápido nos outros locais em que os rebeldes se mantém. “Vai ser muito mais difícil lutar em centros regionais onde há um número enorme de residentes pacíficos”, avisou. Além disso, a fronteira com a Rússia continua sob controlo rebelde em muitos locais, acrescentou.

Numa manifestação no domingo à tarde em Donetsk, muitas pessoas juntaram-se com bandeiras da Rússia e da autoproclamada república popular de Donetsk. “Vamos começar uma verdadeira guerra no perímetro de Donetsk”, declarou Pavel Gubarev, que se considera o governador da cidade. “Vamos afogar estes miseráveis em sangue”, disse, não sem acrescentar que os rebeldes precisam do apoio da Rússia, sem o qual morrerão facilmente muitos separatistas na operação militar, disse.

Os rebeldes que retiraram de Slaviansk também não pareciam estar muito contentes com o papel da Rússia. Igor Strelkov, um dos comandantes dos rebeldes pró-russos que a Ucrânia acusa de ser um agente de Moscovo, terá criticado no Twitter o Presidente Vladimir Putin por não ter cumprido a promessa de “usar todos os meios possíveis” para proteger os russos e russófonos na Ucrânia.

O sucesso militar começado em Slaviansk enfraquece entretanto a hipótese de um cessar-fogo. O último foi repetidamente violado pelos dois lados, e depois de expirar, o Presidente ucraniano não o tentou estender. Comandantes militares dizem que o cessar-fogo foi usado pelos rebeldes para se rearmarem.

A União Europeia continua a pressionar para uma trégua, ameaçando ao mesmo tempo com sanções contra a Rússia — sanções que por outro lado preferia evitar pois vão acabar por prejudicar países da UE com ligações à Rússia, sobretudo na área da energia.

publico.pt

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