Governo faz “mea culpa“

7/07/2014 08:12 - Modificado em 7/07/2014 08:12

sara lopessara lopesO mar devia ser a auto-estrada de um país arquipélago. Mas os governantes vivem de costas viradas para o mar. Depois do abate da frota da marinha mercante pelo governo nos  anos 90  nunca se encontrou uma solução para colocar barcos a circularem nessa “auto-estrada”. Está provado que os privados trouxeram mais problemas que soluções . O Governo faz “mea culpa” quando não existem barcos com capacidade para o transporte de cargas a operarem .

 

“Cabo Verde deve concentrar-se nos próximos dois ou três anos num programa de reforma sério e profundo dos transportes marítimos, se quiser alavancar uma verdadeira economia do mar”, afirma a Ministra das Infra-estruturas e Economia Marítima, Sara Lopes, referindo-se ao sector dos transportes marítimos do arquipélago que vive, presentemente, sérios problemas devido à inoperacionalidade de várias unidades da sua frota mercante.

 

Neste momento, os cinco grandes navios que garantiam alguma normalidade no transporte da carga de grandes dimensões entre as ilhas estão todos fora de serviço, situação agravada pelo mau tempo de finais de Maio, início deste mês, que neutralizou os navios “Tarrafal” e “Pentalina B”.

O Pentalina B, que encalhou na praia de Moia, região do Concelho de São Domingos, por volta das 2 horas da madrugada de quinta-feira, 5 deste mês, era a única embarcação que prestava serviço no transporte de camiões, contentores e carga mais pesada, deixando os operadores económicos sem alternativas para movimentar as mercadorias entre as ilhas.

Actualmente, estão em serviço apenas os ferries “Kriola” e “Liberdade”, da Cabo Verde Fast Ferry, com capacidade para transportar 164 passageiros e até 26 carros cada, e o navio “Mar d’ Canal”, que só opera na linha Santo Antão – S. Vicente e oferece espaço para 450 passageiros e 60 carros.

Em particular, em relação ao Ferry Liberdade, a taxa de exploração São Vicente – Santo Antão, está abaixo do planeado porque devido à falta de uma rampa indicada para o design do navio, é difícil o transporte de viaturas e cargas pesadas para Santo Antão, até ao momento.

A Ministra das Infra-estruturas e Economia Marítima, Sara Lopes, em relação à situação real do momento, reconhece que no país, há um “problema sério” a nível dos transportes marítimos e, por isso, anuncia que, futuramente, novas medidas serão exigidas aos operadores com a reforma que se pretende introduzir na operação marítima.

Neste sentido, o Governo conta com o financiamento do Banco Mundial (BM) para reestruturar o sector de modo que a autoridade marítima seja “muito mais forte e tenha maior capacidade de intervenção” porque, de acordo com Sara Lopes, existem navios velhos e armadores que não dão a devida atenção à manutenção e reparação das embarcações.

Por isso, avisa a Ministra, “o Governo vai publicar uma revisão do código marítimo muito mais exigente” no que diz respeito ao acesso e à permanência na actividade de transporte marítimo em Cabo Verde porque, entende a Ministra, “as empresas têm de demonstrar capacidade técnica, cumprir rigorosamente os programas de manutenção, terem os seguros regularizados” e faz mea culpa e reconhece que as autoridades marítimas devem ser mais exigentes.

 

Texto publicado no NN nº 5

  1. rural xitiado

    >Ferry Liberdade, a taxa de exploração SV – SA, está abaixo do planeado pq devido à falta de uma rampa indicada para o design do navio, é difícil o transporte de viaturas e cargas pesadas para SA, até ao momento.>
    De onde é que já ouvi e tornei a ouvir acerca das rampas dos portos de cabo verde, ah sim de um armador Estrangeiro que passa a vida a reclamar dessas rampas e nunca o Governo e nem o Estado, resolveram esses problemas. Tinha que vir um barco do Governo para ter a reconstrução esperada

  2. JOÃO FORTES

    A NOSSA MARINHA ESTÁ MAL POR CAUSA DOS DIRIGENTES. COMEÇA NOS PRIMEIROS MINISTROS , MINITROS DA TUTELA, DIRECTORES GERAIS E ACTUAIS PRESISDENTES DO INSTITUTO/AGENCIA MARÍTIMA.

  3. Criolo de Mindelo

    Quando trocarmos as medidas eleitoralistas para ações concretas e sustentáveis, eis que teremos resultados satisfatórios.

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