Comemoração do 5 de Julho: Euforia passageira com São Vicente

7/07/2014 08:00 - Modificado em 7/07/2014 08:00

5 de julhoA maioria dos mindelenses, com quem o NN falou  mostra-se descontente com a evolução do país e considera a euforia da comemoração da independência um momento de liberdade passageira.

 

O NN saiu à rua para conhecer a posição da sociedade quanto à comemoração do 39º aniversário da independência do país. Pelas entrevistas, sabe-se que os mindelenses mostram-se descontentes com a situação da ilha e do país em geral e afirmam que o momento é de emoção passageira.

Lena, 46 anos, muito eufórica e com a sua bandeira de Cabo Verde, diz que se orgulha de ser cabo-verdiana. Questionada sobre a comemoração dos 39 anos de independência, a mesma adianta que “com 39 anos de independência, o país deveria estar muito melhor, porque muitos cidadãos vivem em extrema pobreza e os governantes deveriam ter mais respeito pelas pessoas”. Considera que “os políticos ainda não conseguiram idealizar os projectos que um dia Amílcar Cabral teve para Cabo Verde. Podemos ver claramente a discriminação entre as ilhas de Cabo Verde em diversas situações, principalmente na Assembleia, onde podemos constatar que muitos políticos têm medo de falar, porque sabem perfeitamente que são discriminados e receiam falar. Quem não tem poder económico está condenado à marginalização, sem acesso à saúde e à educação”, adiantou José Luís.

Janilda considera que não existe liberdade, porque muitas decisões que deveriam ser tomadas pelos cidadãos, são tomadas pelos próprios políticos e governantes que restringem assim a liberdade do povo cabo-verdiano e só resta aceitar porque as reivindicações não são levadas em consideração. Por isso, considera que a sua alegria em comemorar a independência é passageira porque o povo está sujeito à discriminação, ao desemprego.

Adão, um jovem de 33 anos diz que está muito feliz por comemorar o dia, mas que deveria ser comemorado num outro patamar, com outros artistas cabo-verdianos. Para Adão, “não existe uma plena liberdade no país e considera que o dia 5 de Julho é um momento que se comemora, sendo uma oportunidade para se exteriorizar a angústia, o sofrimento do povo ainda oprimido”.

Maria do Livramento, questionada sobre a razão pela qual estava a bater palmas, afirma que é para não dizer nomes que não queira dizer para que os polícias não a levassem para a prisão. Esquecem-se das ilhas mas, no momento da independência lembram-se que existem pessoas também nas outras ilhas. Somos um povo discriminado e sofredor, parece que somos colónias da Cidade da Praia”.

Henriete defende que houve mudanças significativas, mas há muito que fazer para atingir a plena liberdade. “Os edifícios históricos padecem de um olhar especial por parte dos governantes, há muitas pessoas sem habitação condigna, desempregados, sem comida”.

  1. Nelson Cardoso

    Poderia-se pôr uma foto actual, deste ano, aqui em Mindelo. Paxenxa. Os Mindelenses gostaram sim da Festa da Independência em SV, basta ver a imagem de Rua de Lisboa.

  2. antonia sousa

    Independencia? Infelizmente seus ideais morreram com o real heroi de CV, A. Cabral. Sim transferiu-se CV p/ um grupo de oportunistas que fizeram dele sua casa. Sendo impossivel morar no todo por ser um arquipélago, escolheram Praia como casa grande e o restante senzala. Se dizeres sim aos desmandos, injustiças, etc., és da casa c/ todos os teus, caso contrario, és exilado. Rezo à Deus sempre p/ q. CV venha a ser de todos os caboverdianos.

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