Crianças de rua: “não sou ladrão, por isso peço”

4/07/2014 01:29 - Modificado em 4/07/2014 01:29

Foto de menin de ruaVárias crianças pedem esmola à porta dos mini-mercados do Mindelo. Cada uma com a sua história, mas uma única realidade: são crianças de rua que pedem esmola para tentarem sobreviver. Muitas dessas crianças sem apoio da família sonham ter uma vida melhor.

À porta do mini-mercado Fragata e de outros mini-mercados do Mindelo, encontramos várias crianças a pedirem dez escudos para comprarem um pão ou outra coisa qualquer. Um menino de apenas 13 anos, mora com a mãe que sofre de perturbações mentais e nem sequer sabe quem é o pai. Começou a frequentar as aulas mas como ele se caracteriza, “sou mal-educado e não dava com os professores, nem com colegas” e decidiu abandonar os estudos na segunda classe.

Segundo ele, a mãe com as suas dificuldades mentais não trabalha e vive da ajuda de vizinhos. Mora na localidade de Chã de Alecrim, mas desce sempre para morada para pedir esmola, “não sou ladrão, por isso peço”. Para ele, pedir é melhor que roubar, mas muitas pessoas não ajudam, “criticam apenas”. Ele sonha sonha um dia conseguir um trabalho para poder ajudar a mãe, mas enquanto esse dia não chega, ele come com as esmolas que as pessoas oferecem.

Outra criança de 10 anos pede esmola para tentar comer. A criança que mora com uma tia, sente a necessidade de se “desenrascar”. É que a tia não trabalha porque é deficiente, “mas quando entra algum dinheiro, ela cozinha”. Questionado sobre a razão de não viver com os pais, ele responde: “o meu pai está preso e a minha mãe mora com outra pessoa”. E acrescenta: “o meu padrasto não gosta de mim”. Ele  mora na Ribeirinha, acredita que são discriminados porque “muitas pessoas pensam que roubamos e dizem que somos piratas”. R quer um dia ter um trabalho digno e ser respeitado por todos.

Ru não gosta de falar da sua vida, mas adianta que em sua casa o clima é de muita confusão e prefere não assistir ao pai a bater na mãe e nos irmãos. “Ele bate-nos por qualquer coisa”. Com 14 anos sustenta-se com as esmolas que recebe e do dinheiro que ganha despejando o lixo das lojas, dos bares e dos restaurantes da cidade do Mindelo. Ainda no EBI, Rudney sonha ser marinheiro.

Muitas crianças e adolescentes de rua vivem à procura de vida melhor e sonham um dia, virem a ser respeitados.

  1. Djê Guebara

    O bom de todo è ser sincero com a gente,esta pedindo por necesidade por não roubar. Existe um velho proverbio que diz assim,O homem não è medido por palmos: Eu Djê Guebara tambèm m’nin de soncent pasei por muitas dificuldades em minha ilhinha fui emgraxador la na rua d’Lisboa, fui estivador no cais acostavel, fui remador de botes para negociantes,Cuxa,Cartulina,Djo du Chico,pois hoje estou aqui em America com uma vida melhor graças a Deus, pois eu era esse menino de hoje en soncent.

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