O álcool mata enquanto as autoridades bebem

3/07/2014 07:42 - Modificado em 3/07/2014 07:42
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alcoolismoEm São Vicente o alcoolismo mata. E está na origem de outras mortes, em particular, os suicídios. Em cinco suicídios ocorridos este ano, quatro dos suicidas “bebiam muito” e três estavam alcoolizados quando se suicidaram. A maioria dos casos de violência doméstica que chegou ao Tribunal tinha como detonador o consumo excessivo do álcool. Os acidentes de viação, onde foi possível medir a taxa de alcoolemia, foram provocados pela ingestão de álcool. Nos casos de homicídio, o álcool também marca presença: um polícia alcoolizado puxou da pistola de serviço e matou um jovem. O primeiro inquérito nacional sobre a prevalência do uso de substâncias psicoactivas coloca São Vicente no primeiro lugar no consumo de álcool: 84% dos são-vicentinos já experimentou bebidas alcoólicas e 12,8% já fumou “padjinha”. Assustador! Mas, apesar deste quadro negro, as autoridades com responsabilidade em matéria, quedam-se pelas palavras e pelas boas intenções que nem o Inferno quer. E vão bebendo socialmente nas cerimónias públicas e em tudo quanto é cocktail regado de álcool na presença dos mais altos responsáveis deste país. Entretanto, nos bairros, nas ribeiras, nas cidades, morre-se, mata-se, devido ao consumo do álcool.



Alcoolismo no trabalho: O perigo bate à porta

O consumo de álcool durante o horário de serviço tem gerado constrangimentos no funcionamento de instituições públicas e privadas. Na maioria das situações, os casos são geridos e mantidos em sigilo. O certo é que, nalguns casos, as chefias passaram a exercer o papel de psicólogo e, quando o consumo do álcool fala mais alto, a suspensão temporária bate à porta. E quando o trabalhador lida com o uso de armas ou a condução de veículos… aí é que o perigo está à espreita.

O alcoolismo continua a ser um problema social que afecta a sociedade cabo-verdiana onde as autoridades e as empresas travam uma luta à procura de uma estratégia de intervenção para mudar o rumo da situação. Mas, ao que parece, as campanhas de sensibilização têm sido insuficientes para controlar o vício dos cidadãos que encontraram no álcool uma forma de vencerem as adversidades da vida ou um sentido de prazer.
Transtornos
Para além dos prejuízos familiares e sociais, o abuso do álcool está a afectar a vida profissional de cidadãos que colocaram nas mãos dos administradores do seu local de trabalho um problema com um “rótulo complexo”, onde o não tratamento de forma célere pode criar transtornos no funcionamento da instituição.
A Ministra da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos Recursos Humanos, Janira Hopffer Almada, veio a público defender que deve haver mais rigor por parte da entidade patronal em identificar os casos de funcionários com dependência do álcool e encaminhá-los para um tratamento adequado.
Problemas

Na ilha de São Vicente, o problema do consumo do álcool no local de trabalho continua a ser um assunto interdito ao domínio público, não só para salvaguardar a imagem da instituição, mas também do funcionário em causa. Por ser um problema de foro especial, as chefias tendem a resolver a situação dentro da área de serviço, como nos asseguram alguns administradores com quem o NN conversou e que pedem o anonimato.
Os entrevistados asseguram ter a noção que o consumo do álcool tem consequências negativas no local de trabalho e que se traduz, por exemplo, em quebras de produção e qualidade do serviço, conflitos entre colegas ou na renúncia ao trabalho.
“Essas situações culminam em procedimentos disciplinares que muitas vezes determinam a suspensão temporária do funcionário ou cortes no salário. Este assunto continua a ser um problema interno que deve ser combatido da melhor forma para evitar que continue a ter repercussões negativas no sector da eficiência e da qualidade do serviço” explicam os entrevistados.

Tratamento

Os gerentes sublinham que alguns funcionários tiveram acompanhamento psicológico, mas há quem já tenha sido submetido a tratamento hospitalar. Mas o NN sabe que várias instituições mantêm uma luta acesa, missão que impõe algumas dificuldades, cujo objectivo é eliminar o problema no seio da classe. As instituições estão à procura de melhores soluções para combater o vício do álcool que muitas vezes leva os funcionários a faltarem ou a abandonarem o trabalho.

Texto publicado no notícias do Norte n 5

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