WikiLeaks publica dois milhões de emails de responsáveis sírios

6/07/2012 01:25 - Modificado em 6/07/2012 01:25
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A WikiLeaks anunciou a publicação de mais de dois milhões de emails de políticos e de outros responsáveis sírios que revelam os contactos com empresas ocidentais. Entre as revelações está que o grupo italiano Finmeccanica vende à Síria tecnologia usada na repressão.

 

“A WikiLeaks começou a publicar os arquivos da Síria, mais de dois milhões de emails de personalidades políticas sírias, de ministérios e de empresas, trocados com entidades do Ocidente, datados entre Agosto de 2006 e Março de 2012”, disse Sarah Harrison, porta-voz da WikiLeaks, numa conferência de imprensa em Londres.

Estes emails, em diversas línguas, que vão sendo disponibilizados no site da WikiLeaks, são também alvo de tratamento noticioso em várias publicações, como a agência noticiosa norte-americana Associated Press, o jornal egípcio Al Masry Al Youm, a rádio alemã ARD, a revista italiana L’Espresso e o jornal espanhol Publico.

A notícia que está a abrir tanto a L’Espresso como o Publico espanhol é a relativa à Finmeccanica: a empresa Selex, que pertence a este grupo fabricante de armamento, firmou em 2008 um contrato com a Syrian Wireless Organis para por a funcionar o sistema de comunicações TETRA, usado em todo o mundo com fins de segurança e militares.

A TETRA é uma rede de comunicações wireless que permite transmitir dados multimédia a grande velocidade a partir de várias plataformas fixas ou móveis e múltiplas localizações. Muitos países usam-na para coordenar a suas forças de segurança em situações de emergência.

Este contrato é de conhecimento público, mas as empresas continuaram a colaborar, mesmo depois de se ter iniciado a revolta contra o regime do Presidente Bashar al-Assad, em Março de 2011. Nessa altura, diz a revista L’Espresso, o regime pede à Selex peças para helicópteros – ao que a Selex responde dizendo que será difícil, pois estas peças são abrangidas pelas sanções norte-americanas contra a venda de armamamento à Síria.

Por outro lado, segundo os e-mails, a Selex vendeu à Síria 3484 radios VS3000 para veículos; 1407 para motorizadas; 60 para navios; 1602 terminais fixos FC3000, e outros 30 AS3000 para helicópteros.

No negócio participa ainda uma empresa grega, chamada Intracom Telecom, com uma filial na Síria. É presidida porSokratis Kokkalis, antigo dono do clube de futebol Olympiakos, recorda o Publico espanhol, acusado de subornar funcionários do exércrito grego para comprar produtos de tecnologia da Alemanha de Leste, nos tempos da Cortina de Ferro.

Desde o início de 2012 começaram a entrar em vigor um série de sanções económicas da União Europeia contra o regime de Damasco, o que dificultará obter novas peças e actualizações para o armamento que já possui.

 

 

 

 

publico.pt

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