Jovens venezuelanos cosem lábios em greve de fome

27/06/2014 09:44 - Modificado em 27/06/2014 09:48
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venezuelaUm grupo de jovens universitários “coseram”, esta quinta-feira, os lábios, radicalizando uma greve de fome que iniciaram para exigir a libertação de uma centena de estudantes detidos no âmbito de protestos na Venezuela.

 

Os jovens há seis dias em greve de fome junto às portas da Igreja de La Chinquinquirá, em Caracas, dirigiram-se na quinta-feira ao Palácio da Justiça onde, antes de coserem os lábios, instaram as autoridades a conceder “plena liberdade” a mais de 2.000 pessoas que se encontram sob regime de apresentação periódica por terem participado em manifestações.

Outro grupo de jovens concentrou-se junto do Ministério Público, também na capital, em protesto pela acusação formal de que foram alvo vários companheiros, designadamente por instigação ao crime, em manifestações ocorridas desde fevereiro.

Por outro lado, em San Cristóbal, a 810 quilómetros a sudoeste de Caracas, um grupo de jovens entregou uma carta no Consulado da Colômbia, solicitando a sua intervenção para que sejam libertados vários companheiros detidos há vários meses, na capital, onde participaram em protestos.

Os jovens, estudantes da Universidade Católica de Táchira, pediram também a libertação do opositor Daniel Ceballos, que foi destituído do cargo de presidente da Câmara Municipal de San Cristóbal, sendo que alguns também iniciaram uma greve de fome junto daquela representação diplomática.

Em Valência, Estado de Carabobo, a 180 quilómetros a oeste de Caracas, duas centenas de funcionários da Nestlé manifestaram-se por causa da paralisação de uma fábrica, há duas semanas, por falta de matérias-primas para fazer tampas para compotas.

Os manifestantes temem ficar desempregados e queixam-se que as dificuldades têm condicionado a produção que passou de uma média anual de 14.000 toneladas para 9.000 no espaço de 12 meses.

Também em Valência uma centena de médicos e enfermeiras protestaram junto do Ministério de Saúde, exigindo a reativação das obras de construção do Hospital Jesus de Nazaré, o qual deveria ter sido concluído em março de 2011.

Os profissionais da saúde queixam-se do número insuficiente de camas, salas de cirurgia e de parto atualmente em funcionamento em vários centros de saúde da cidade.

Em Barquisimeto, Estado de Lara, a 380 quilómetros a sudoeste de Caracas, um grupo bloqueou os acessos à urbanização Valle Hondo, em protesto pelas falhas elétricas, pelas demoradas filas para comprar produtos, contra a inflação e para exigir mais segurança.

Em Guayana, 690 quilómetros a sudeste de Caracas, manifestantes incendiaram, esta quinta-feira, um autocarro da empresa estatal Indústria Venezuelana de Alumínio – Venalum.

Há mais de quatro meses que se registam protestos diários na Venezuela devido à crise económica, inflação, escassez de produtos, insegurança, corrupção, alegada ingerência cubana e repressão por parte de organismos de segurança do Estado.

Alguns protestos degeneraram em confrontos violentos, durante os quais, segundo fontes oficiais, morreram pelo menos 43 pessoas, incluindo dez polícias ou militares.

Por outro lado, 900 pessoas ficaram feridas e mais de 3.200 foram detidas, das quais 200 continuam presas, incluindo vários estudantes universitários.

Mais de dez polícias foram detidos e estão em curso 197 investigações por alegadas violações de direitos fundamentais dos manifestantes.

 

 

dn.pt

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