Adilson Nascimento: Missão cumprida !

26/06/2014 14:16 - Modificado em 26/06/2014 14:16
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Presidente do CS MindelenseDepois de um período sem ninguém para tomar as lides do Mindelense, Adilson Nascimento assumiu o comando do clube e hoje, depois da conquista do bi-campeonato nacional, ainda num clima de festejos, faz uma retrospectiva do que foi a equipa e  projecta o que pretende para a próxima época . Assumiu o clube com três objectivos e já quase no fim do mandato adianta que estão quase todos cumpridos.

 

 

Notícias do Norte: Como é que o Mindelense vive ainda a conquista do campeonato nacional?

Adilson Nacimento: Ainda estamos a festejar, sabendo que fizemos um feito que não se via há 37 anos. Realmente esta semana será de festa para, no início do dia 16, começarmos a trabalhar com mais força.

NN: Como é que viu o trajecto do Mindelense durante toda esta campanha no nacional?

AN: Foi um trajecto que podemos considerar como positivo. Tivemos os nossos momentos baixos mas soubemos superá-los e chegámos ao fim e conseguimos atingir o objectivo maior que era ganhar o campeonato nacional. Conseguimos ganhar as duas competições nacionais que foram a Supertaça de Cabo Verde e o campeonato nacional. Falhamos no campeonato regional e na Taça de São Vicente. Mas o balanço é super positivo.

NN: Sempre que entrevistamos o treinador, ele fala de problemas e de dificuldades durante a campanha no nacional. Quais foram as dificuldades sentidas durante esta época?

AN: Muitas vezes, se calhar, as dificuldades derivam da falta de algum regulamento mais claro por parte da própria federação tendo em conta as condições de alojamento, a qualidade de alimentação dos atletas quando nos deslocamos para algumas ilhas. Basicamente são estes tipos de dificuldades. E também tivemos dificuldades naturais da vida, tivemos alguns falecimentos de familiares de jogadores. Foram estas situações que nos criaram mais dificuldades.

NN: Como é que a questão da falta de um regulamento vos afectou?

AN: Falando do regulamento é assim: se houvesse um regulamento que definisse concretamente em termos de condições mínimas o que os clubes têm de receber e as condições mínimas de alimentação que têm de ser dadas, se calhar não teríamos alguns problemas como tivemos, porque numa situação ou noutra foi o próprio Mindelense quem teve de custear a alimentação dos atletas, para que pudessem ter uma alimentação mais equilibrada. De resto, são coisas que acho que, com o tempo, Cabo Verde vai ter de corrigir.

 

“Conseguimos sentir o calor de São Vicente e o amor que têm para com o Mindelense”

 

NN: Como sentiu a recepção por parte dos adeptos?

AN: Foi espectacular. Conseguimos sentir o calor de São Vicente e o amor que têm para com o Mindelense. Era uma situação que estávamos à espera, isto é, que iríamos ter uma recepção calorosa mas superou todas as expectativas.

NN: Quando entrevistámos o presidente no momento da chegada, este disse que era importante despertar os adeptos do Mindelense para o seu clube. O que queria dizer em concreto?

AN: Estamos a notar que se está a registar um certo afastamento não só dos adeptos do Mindelense, mas também dos adeptos em geral, do futebol de São Vicente. O que gostaríamos de pedir era que os adeptos pudessem voltar ao estádio não só nos jogos do Mindelense mas nos jogos em geral do campeonato para dar mais brilho e, certamente, com mais adeptos, os jogadores podem sentir mais apoio e, se calhar, podemos começar a ter jogos mais interessantes e de maior qualidade. E indo ao estádio, podem ajudar a progredir e, concretamente o Mindelense, isso significa trazer adeptos para o Mindelense para multiplicar o número de sócios para não ficarmos dependentes de patrocínios e para equilibrarmos as nossas contas. E tenho a certeza que o Mindelense tem potencial para isto e que podemos conseguir implementar uma situação de sócios como deve ser e com um bom número de sócios pagantes, acho que o Mindelense pode-se transformar numa equipa autónoma.

NN: Mencionou dois dos objectivos quando assumiu a presidência que é o de aumentar o número de sócios e o de equilibrar as contas. Como é que estes objectivos têm decorrido até agora?

AN: Em relação ao equilíbrio das contas, estamos a alcançá-lo. Em princípio, vamos terminar este biénio em equilíbrio. Em 2012 tivemos uma situação de endividamento devido à falha dos patrocinadores, em 2013 equilibrámos as coisas pagando o que estávamos a dever e terminamos 2014 sem dívidas. Portanto, esta direcção está de parabéns e o seu mandato termina agora com as eleições em Setembro e vamos orgulhosamente conseguir, de cara levantada, dizer que não acrescentámos nenhum tostão de dívida.

NN: E nestas próximas eleições pretende recandidatar-se?

Ainda é cedo, mas independentemente de eu me recandidatar ou não, as condições estão criadas para quem vai assumir e não começará como nós começámos. Por exemplo, nós não começamos do zero. Provavelmente começámos de menos um ou menos dois, mas estamos aqui a apresentar os resultados. Em três anos já ganhámos dois campeonatos de Cabo Verde, um campeonato regional, a supertaça de Cabo Verde, portanto, contra factos não há argumentos pelo que é um resultado super positivo. E a mais, hoje temos um volume de patrocínios que o Mindelense nunca teve, com contratos a longo prazo e as perspectivas são muito boas em relação a outras situações que estão a caminho mas só depois das eleições é que podemos concretizar.

NN: Há a questão de atrair mais sócios. Vocês têm pensado nalguma estratégia?

Temos pensado nisso, inclusive tentámos implementar uma estratégia de angariação de sócios, mas aparece sempre uma dificuldade inesperada e um rabo de antigamente que nos puxa para baixo, mas somos fortes. Descemos e tornamos sempre a subir. Se não fosse o peso imenso da dívida recebida do passado, poderia dizer claramente que o Mindelense era uma equipa de top não só a nível de Cabo Verde. Mas acredito que o Mindelense tem tudo para lá chegar.

 

 

 

 

NN: Para Adilson, o que significa estar à frente dum clube histórico como o Mindelense?

AN: É um orgulho e encaro-o com um sentido de missão e, graças a Deus, tenho a missão cumprida com a conquista do bicampeonato de Cabo Verde, após 37 anos e, por coincidência, é a mesma idade que eu tenho. É uma sensação de missão cumprida e desejo que, independentemente de quem estiver na direcção, desejo que possa repetir estes feitos já conseguidos.

NN: Perspectivas para a próxima época?

 

“Vamos jogar com o Arouca, o Sporting de Braga e também com o Estoril”

 

 

AN: Para a próxima época já temos um planeamento bastante avançado. Digamos que a próxima época começa em 16 de Julho e já podemos ver uma meia dúzia ou um pouco mais de novos reforços para substituir os jogadores que vão sair. O planeamento já está feito, a equipa já está praticamente definida, faltando um ou dois elementos no máximo. Mas quero dizer que no final no mês já teremos tudo.

NN: Sobre o torneio em que o Mindelense vai participar em Portugal?

AN: Fomos convidados pelo Arouca para participar juntamente com eles numa série de jogos de preparação. Vamos jogar com o Arouca, o Sporting de Braga e também com o Estoril, e estamos a tentar, se conseguirmos, estender a estadia por mais dois dias. Estamos a tentar com um grande de Portugal. Não é que o Braga não seja um grande mas um dos três. Podemos dizer que é o Benfica e estamos a tentar jogar com o Benfica, independentemente da equipa A ou B, mas ainda não há confirmação. A ideia é mostrar ao mundo a qualidade dos nossos atletas e para que estes possam constatar o nível que se tem lá fora, para tomarem consciência do nível em que estão e para verem que têm de trabalhar mais. E que os pequenos acabam por fazer a diferença, porque têm qualidade, mas ainda falta trabalhar mais nos pequenos detalhes. E também mostrar-lhes as pequenas situações que têm de evoluir para criarem mais condições para continuarmos a fazer tudo diferente.

NN: Como analisa o desporto, ou propriamente o futebol, em São Vicente?

AN: O futebol em São Vicente não está mal. Poderia estar melhor sim, mas acho que há pequenos detalhes que temos de melhorar e, se calhar, um dos detalhes é tornar o futebol um bocadinho mais atractivo, para termos uma plateia mais atractiva. E uma coisa acaba por levar a outra. Se calhar mesmo a associação tem de começar a trabalhar melhor a sua questão do marketing, tendo em conta que são os responsáveis para trazer adeptos para o campo enquanto entidade organizadora, e temos de ver talvez outros moldes da própria competição para criar mais conectividade. Mas em relação a outras situações, por exemplo, a relva que vai ser colocada em breve, temos garantia que já está em São Vicente, e quero dizer que isso vai contribuir bastante para elevar a qualidade do jogo em São Vicente tendo em conta que a relva actual está totalmente impraticável.

NN: Qual era a mensagem que gostaria de deixar?

AN: Para os adeptos do Mindelense, em particular, para estarem juntamente com a sua equipa. Mas para estarem juntos não apenas na comemoração. A equipa tem falta dos seus adeptos quando está em dificuldades. E notamos que quando as coisas estão difíceis, é mais fácil para as pessoas se afastarem e é aí que vemos quem são os verdadeiros adeptos e damos valor ainda aos adeptos, para ajudarem o Mindelense a permanecer no lugar onde deve estar que é o top. Os adeptos devem chegar perto do Mindelense e sugerir uma nova campanha de angariação de sócios e uma nova numeração e um novo cadastro em termos de sócio, para saber quantos sócios pagantes têm. E também para que tudo possa ficar mais claro e fácil em termos de cobrança de cotas e espero que os sócios adiram porque vão ter muitas vantagens. Projectos há muitos e, pouco a pouco, vamos implementando-os e temos a certeza que o Mindelense tem muito para criar nos próximos anos.

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