Governo iraquiano perde controlo sobre a fronteira ocidental

23/06/2014 09:29 - Modificado em 23/06/2014 09:29
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iraqueÉ já escasso o terreno sob controlo do Governo iraquiano no Oeste do Iraque. Culminando um fim-de-semana de avanços, os rebeldes sunitas encabeçados pelos jihadistas do ISIS capturaram no domingo duas das principais entradas no país, um segundo posto na fronteira com a Síria e um outro na ligação à Jordânia.

As novas derrotas militares antecederam a chegada a Bagdad do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que deve repetir na capital iraquiana os apelos à formação de um governo mais abrangente do que o cessante, liderado pelo xiita Nouri al-Maliki, cujas políticas sectárias alimentaram o ressentimento da população sunita, dando força à ofensiva lançada pelosjihadistas.

Os pormenores dos combates são escassos – não há jornalistas e a província de Anbar, onde se trava a batalha, é maioritariamente um deserto pontuado por cidades –, mas há relatos de que o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS), grupo jihadista inspirada na Al-Qaeda, se apoderou no domingo dos postos fronteiriços de Turaibil, na ligação à Jordânia, e Walid, várias dezenas de quilómetros mais a norte, já na fronteira com a Síria.

Na sexta-feira e no sábado, o Exército iraquiano tinha já efectuado “retiradas tácticas” do posto fronteiriço de Qaim e das cidades de Rawa, Anah, situados ao longo do vale do rio Eufrates, e de Rutba, uma localidade estratégica situada junto à auto-estrada que liga Bagdad à Jordânia. Era por ali que transitava a maior parte dos passageiros e mercadorias entre os dois países, mas os combates dos últimos meses tornaram muito perigosas as viagens.

Se a conquista de Qaim permite ao ISIS ligar sem entraves a frente de combates no Iraque às posições que controla na província síria de Deir Ezzor, a tomada de Walid e Turaibil (a sudoeste) garante à rebelião o controlo quase total sobre a fronteira ocidental do Iraque. Anah fica também a curta distância de Haditha e da sua estratégica barragem, uma das principais fontes da electricidade consumida no Iraque.

A ofensiva dos últimos dias mostra também que, depois de uma pequena pausa no início da semana passada, os rebeldes estão apostados em concluir a conquista de Anbar, a grande e desértica província de maioria sunita. Um dirigente local disse à AFP que 90% da província está já na posse da rebelião, que apesar de encabeçada pelo ISIS reúne também milícias tribais e grupos formados por antigos militares do regime de Saddam Hussein.

Há relatos de que várias cidades mudaram de mãos sem grandes combates. Em alguns casos, as guarnições militares e os polícias abandonaram os seus postos, aproveitando o salvo-conduto oferecido pelos rebeldes, adianta a BBC. Mas há também notícias de execuções e atentados, como o que visou domingo o funeral de um comandante da polícia morto durante os combates em Qaim.

No Norte do país, há notícias de que o ISIS capturou o aeroporto de Tal Afar, cidade estratégica a oeste de Mossul. A confirmar-se, será uma má notícia para o Governo iraquiano que pretendia usar aquelas instalações como base para ofensiva destinada a reconquistar a segunda maior cidade do Iraque, perdida quase sem combates no passado dia 10 de Junho.

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