A bola entrou ou não na baliza? O GoalControl põe termo às dúvidas

19/06/2014 13:56 - Modificado em 19/06/2014 13:56
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goloFoi por causa de casos como o do jogo entre a Alemanha e a Inglaterra, no Campeonato do Mundo de 2010, na África do Sul, que a FIFA decidiu apostar na tecnologia para o Mundial do Brasil. Há quatro anos, nos quartos-de-final do torneio, Frank Lampard marcou um golo que significaria o 2-2, com a bola a passar de forma evidente a linha de baliza, mas o árbitro não validou o lance. Os britânicos acabariam eliminados (4-1). A discussão em torno da necessidade de auxílio tecnológico à arbitragem estava relançada.

Pela primeira vez na história de um Mundial, vai ser implementado um sistema que detecta se a bola cruzou ou não a linha de golo. A FIFA anunciou, em Outubro de 2013, que a tecnologia escolhida foi a GoalControl e dotou os 12 estádios que vão acolher a competição de um mecanismo capaz de tirar as dúvidas nos casos mais sensíveis.

Esta inovação tecnológica foi desenvolvida por uma empresa alemã, a GoalControl Gmbh — escolhida pela FIFA numa licitação pública —, que criou um sistema de controlo composto por 14 câmaras de alta velocidade e alta definição, localizadas por todo o campo, capturando perto de 500 imagens por segundo. Sete delas estão focadas em cada baliza.

As imagens são, posteriormente, enviadas em tempo real para um centro de avaliação, através de canais de fibra óptica. A posição da bola é capturada em 3D e a indicação de que foi golo (ou não) é imediatamente confirmada no período de tempo de um segundo, e enviada para um relógio utilizado por todos os membros da equipa de arbitragem. Segundo o site da empresa, este sistema foi projectado para qualquer bola, golo ou relvado.

O GoalControl já havia sido utilizado durante a Taça das Confederações e no decorrer do Mundial de clubes, em 2013. Já então a FIFA tinha considerado o sistema um sucesso. Vários meses depois, a entidade que gere os destinos do futebol mundial aprovou a utilização da tecnologia pela primeira vez num Mundial de futebol.

De resto, a FIFA já realizou testes a este sistema no Brasil, avaliando a sua eficácia e precisão. Mesmo durante os treinos de algumas das selecções, está previsto que a tecnologia esteja em funcionamento.

De acordo com a imprensa espanhola, a instalação do GoalControl rondou os 205 mil euros por estádio, aos quais deve acrescentar-se o custo da operação, estimado em 3000 euros por jogo. Um montante elevado, que dificulta a utilização desta tecnologia noutros contextos, nomeadamente as competições de âmbito nacional.

Hawk-Eye foi derrotado
O GoalControl concorreu directamente com mais três projectos de controlo da linha de baliza, como o Cairos, o Hawk-Eye e o GoalRef, acabando por ser o escolhido pela FIFA, embora esta empresa alemã seja muito recente.
O Hawk-Eye já é há muito utilizado nos jogos de ténis e foi na última temporada também implementado na Liga inglesa. O 100.º golo do Manchester City frente ao Cardiff, em 2013-14, foi o primeiro a beneficiar do sistema. O avançado Dzeko fez um remate enrolado aos 14’ e um defesa aliviou a bola quando esta entrou na baliza. Aparentemente, o árbitro teve dúvidas e os jogadores adversários também, mas o juiz recebeu um aviso no relógio a comprovar que a bola tinha realmente passado a linha.

Independentemente da tecnologia ou do promotor, a UEFA mantém absolutas reservas quanto ao tema. Depois de ter sido confirmada a utilização do GoalControl no Mundial 2014, Michel Platini, líder do organismo, reforçou que prefere acreditar no “olho humano” e não na tecnologia. De resto, no mês passado, em Turim, Platini e Pierluigi Collina, responsável máximo pela arbitragem na UEFA, enalteceram as virtudes e a importância dos árbitros de baliza (e alertaram para os custos da instalação do sistema) para justificarem a sua aversão à tecnologia.

Se depender da UEFA, Dirk Broichhausen, um dos fundadores do GoalControl, não poderá perspectivar grandes ganhos para a empresa no futebol europeu. “Claramente que o Mundial é muito importante para nós. Esperamos convencer algumas pessoas cépticas sobre esta tecnologia”, sublinhou.

publico.pt

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