Mercado da Rua de Lisboa

17/06/2014 00:20 - Modificado em 17/06/2014 00:20

mercado-municipal-mindeloVendedeiras do “Mercado da Rua de Lisboa” descontentes com a venda de produtos hortícolas nas ruas, por considerá-la ilegal e pouco higiénica, no momento em que a Agência de Regulação e Supervisão dos Produtos Farmacêuticos e Alimentares, ARFA, lança uma campanha de sensibilização aos cidadãos sobre os cuidados de higiene a ter com os alimentos.

As vendedeiras do mercado de verduras no centro da Cidade do Mindelo estão descontentes com a concorrência desleal devido à venda de produtos hortícolas na

Praça Estrela, fora do mercado de verduras, e a venda ambulante em “carrinhos de mão” no centro da Cidade e em todas as zonas urbanas.

O NN sabe que das noventa e duas bancas do “Pelourinho da Rua de Lisboa”, quarenta estão vazias.

As vendedeiras dizem que o Mercado Central está quase sempre às moscas e que, por isso, tem sido difícil honrar os compromissos quer com os fornecedores, quer com a Câmara, porque no fim do dia – sem vender qualquer produto -, têm problemas até em pagar a banca, que custa um pouco mais do que cem escudos por dia. “É difícil pagá, é difícil pagá”, disse-nos Maria Páscoa, de cinquenta e nove anos de idade e quinze a trabalhar no “Pelourinho da Rua de Lisboa”.

Enquanto empurrava para junto de nós um balde quase cheio de frutas e hortaliças podres, Maria Páscoa lamentava-se do facto das pessoas, na sua maioria, já não irem ao Mercado, porque têm um cardápio recheado de hortaliças e frutas ao pé da porta. Se bem que “sem nenhuma condição de higiene”, perigando a saúde pública, porque “os produtos andam expostos ao sol e ao vento”, lembra, sem sequer se referir também ao facto que se trata de uma violação do código de postura municipal.

Maria Auxilia, de 52 anos de idade, Xia, como prefere ser chamada, diz que dos nove anos que já leva no mercado, já passou por altos e baixos, mas que em tempos que já lá vão, tinha sempre a venda garantida e como pagar as despesas. “Agora já não!”, lamenta.

Estes desabafos em relação à venda fora dos mercados de produtos hortícolas, pondo sobretudo em perigo a saúde pública, sobem de tom neste mês porque, coincidência ou não, a Agência de Regulação e Supervisão dos Produtos Farmacêuticos e Alimentares, ARFA, está a levar a cabo em todo o território nacional, uma campanha de sensibilização sobre a higiene alimentar.

A ARFA pretende, com esta campanha, alertar e esclarecer os cidadãos sobre os cuidados a ter na compra de produtos, garantir a segurança sanitária e a qualidade dos alimentos, bem como diminuir o surgimento de doenças no seio das populações.

O Serviço de Fiscalização da Câmara Municipal de São Vicente, SFCMSV, abordado pelo NN, diz que a questão da venda ilegal de produtos hortícolas na Praça Estrela e pelas zonas limítrofes da Cidade é uma preocupação da Câmara; por pôr em causa a saúde das gentes desta Ilha, desrespeitar o código de postura municipal e mexer um pouco com as receitas da própria Câmara, que a seu tempo, em articulação com a Polícia Nacional, vai agir em conformidade com a lei.

O Responsável do SFCMSV diz que, irão ser tomadas medidas, pois o problema de espaço nos mercados não se coloca, porque existem bancas sem ocupação, quer no Mercado Central, quer nos da Ribeirinha e de Monte Sossego.

  1. Aguinaldo Fonseca

    (própria Câmara, que a seu tempo, em articulação com a Polícia Nacional, vai agir em conformidade com a lei.)

    As vendedeiras do mercado municipal têm de ter um pouco mais de calma e paciência pois o tempo das eleições aproxima-se portanto uma ocasião pouco propicia para a edilidade tomar medidas drásticas.
    Quanto à ARFA como tantas outras organizações estatais, semi-estatais ou financiadas por organismos estrangeiros actuam apenas no papel garantindo assim a muitas pessoas um fabuloso salario. Mas tanto a ARFA como organisacoes de igual teor sao simplesmente improdutivas e apenas para inglês vêr e no contexto actual melhor dizendo “para chinês

  2. Eugenio Escolástico

    Penso que, se a CMSV não tomar medidas agora sobre este assunto, depois será tarde
    porque os vendedores de rua (carrinhos) vão ganhando espaço e então virá uma outra
    preocupação para CMSV, que é arranjar um modo de sustento para essa gente que vem buscando o seu sustento com os carrinhos.
    Todos nós sabemos que esse tipo de venda, para além de ilegal também não é higiénico, mas há que convir que é melhor do que roubar o alheio.

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