Amnistia de Assad não estará a ser cumprida

13/06/2014 08:50 - Modificado em 13/06/2014 08:50
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assad“Não há qualquer transparência neste processo de amnistia”, disse um advogado que representa vários opositores que ainda não foram libertados.

 

Os principais opositores ao regime sírio, presos por “terrorismo” pelas autoridades, ainda não foram libertados ao abrigo da amnistia geral anunciada por Bashar al-Assad e as organizações de defesa dos direitos humanos temem que possam não sair da prisão.

“Esperamos por essas libertações, mas até ao momento nem um dos principais militantes saiu da prisão”, disse à AFP Michel Shamms, um conhecido advogado sírio que tem representado opositores. “Não há qualquer transparência neste processo de amnistia”, acrescentou.

 

O perdão foi anunciado na segunda-feira, uma semana depois de Bashar al-Assad ter ganho as presidenciais de 3 de Junho, organizadas pelo regime nas regiões que controla e que foram consideradas “uma farsa de democracia” pela oposição e pelas potências ocidentais.

 

A imprensa oficial, citando o ministro da Justiça, explicou que a decisão foi tomada “no quadro da reconciliação e da coesão depois das vitórias do Exército sírio”. A Síria está em guerra civil desde 2011 e, no conflito, já morreram 162 mil pessoas (números das organizações de defesa dos direitos humanos).

 

A televisão estatal explicou que “um primeiro grupo” de 274 pessoas iria sair da prisão de Adra. Mas essas libertações não puderam se confirmada por fontes imparciais. “Não sabemos quantas pessoas foram amnistiadas, quando vão sair da prisão, nada”, disse Michel Shamms. Se for aplicada tal como foi anunciada — uma “amnistia geral” para todos os “crimes” cometidos até à data —, terá de levar à libertação de cerca de dez mil pessoas, estimam as organizações de direitos humanos. Como terá de levar à libertação de todos os opositores presos, incluindo os mais destacados que Shamms representa.

 

Outras amnistias anteriores produziram o mesmo tipo de críticas — Assad já proclamou cinco desde Março de 2011; as outras foram a 31 de Maio e 21 de Junho de 2011, e a 15 e 16 de Abril de 2013.

 

Assad voltou a fazer declarações, desta vez para dizer que o Ocidente começa a mudar de posição em relação à sua liderança, pois entendeu o risco que alguns grupos rebeldes (que no passado apoiou) significa. “Os Estados Unidos e o Ocidente começaram a mostrar sinais de mudança. O terrorismo já está nos seus territórios”, disse Assad citado pelo jornal libanês Al-Akhbar. “Actuais e antigos responsáveis americanos querem entrar em contacto connosco, mas não se atrevem devido à pressão dos lobbies.”

 

 

publico.pt

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