Um sobrevivente: Estudante universitário torna-se vendedor de peixe

13/06/2014 07:56 - Modificado em 13/06/2014 07:56

peixeNelson Cruz de 24 anos era estudante universitário, mas actualmente é peixeiro. Não conseguiu dinheiro para continuar a estudar e teve de abandonar o sonho de ser advogado. Para conseguir sobreviver, teve de procurar um emprego e só lhe restou o de peixeiro. Mas ainda sonha ter uma vida melhor e vir a ser advogado.

 

Nelson já estava a estudar o segundo ano de Direito quando teve de abandonar os estudos. É que tinha meia bolsa da Câmara Municipal de São Vicente e o resto eram os familiares que ajudavam. Mas “as coisas complicaram-se para todas as pessoas e os meus familiares no estrangeiro não conseguiram continuar a pagar-me os estudos”.

 

O ex-universitário é um dos muitos são-vicentinos que não continuaram os estudos por falta de dinheiro. Mas não ficou de braços cruzados. Procurou trabalho em muitas áreas mas sem sucesso: “o meu tio vende peixe e comecei a ir com ele. Agora já tenho o meu sustento próprio”. Não é o trabalho que gostaria de ter mas “como não estava a encontrar outro melhor, resolvi aceitar”.

 

Ele trabalha debaixo do sol abrasador, percorrendo quase todas as ruas da cidade em busca de um ganha-pão. Mas em tempo de maré baixa, as coisas complicam-se: “há dias em que não consigo tirar muito dinheiro, às vezes, o valor do pescado não compensa”, porque é caro e ninguém quer comprar.

 

Apesar de ser um trabalho digno, Nelson sonha ter uma vida melhor e ser advogado, “quero continuar a estudar” e, por isso, continua a procurar ajuda para estudar.

 

  1. Ben Andrade

    É uma pena assistir jovens a terem der abandonar os estudos por falta de apoio. Felizmente este enveredou pelo caminho certo. TRABALHO.
    Caro amigo, o trabalho só dignifica o HOMEM, desejo-te felicidades e que continues a batalhar pelos teus estudos, quem sabe esse ramo não te traga muitos sucessos.
    Um abraço forte e muita força

  2. Francisco

    Mas qual é o mal, vender peixes?! Ou ponderar, parar os estudos, fazer o que as possibilidades nos der e quando criarmos as condições avançar para outras metas. Foi assim que a maioria de nós fez: uns nas FAIMO ou nas hortas, outros como empregados do comércio, outros, com o 2º ano do ciclo preparatório ou o 5º ano dos liceus a dar aulas por estas ilhas, como professores, outros no desemprego… etc. Estás a fazer muito bem, Nelson Cruz. Trabalha, trabalha… um dia hás-de retomar os estudos.

  3. João

    Não percebo pk isto é notícia: é um trabalho digno como qualquer um outro.

  4. Criolo

    Força mano. Trabadju ca desprezo

  5. Fernando

    Força Nelson, pois uma pessoa como tu que não se acomoda, que vai em frente, só pode ter um fim na vida que é vencer e alcançar os sonhos. Não te deixes ir abaixo.Força

  6. Dorisia

    Bom é triste ver o nosso sonho indo abaixo, mas muita força Nelson um dia vais conseguir devido a tua luta de trabalho digno

  7. Clara Medina

    Nelson o problema é que nós todos em Cabo Verde estamos obsecados em frequentar essas Universidades que preparam todos os anos centenas de jovens directamente para o desemprego.
    Qualquer cego pode vêr que anualmente CV nao poderá absorver mais do que cinco advogados, caso esses estudantes tiverem a sorte que morram pelo menos tres deles em activo ou que sejam reformados. Pais, tutores, educantes, a sociedade no geral perdeu todo o senso de racionalizacao. Uma das alternativas podia ser a emigração.
    Mas emigrar para onde? Para a Guiné Bissau? Fiquei espantada ao ler que a Guiné Bissau tambem tinha uma Faculdade de Direito talvez por uma questao do desconhecimento da lingua portuguesa pois ela deveria ser intitulada de ” Dificuldade de Direito”. Já dizia Aristides Pereira “coisas de África”.
    Mas de qualquer forma adquiriste um certo conhecimento, habilidades e competencias, infelizmente bastante caras portanto um investimento difícil de trazer retornos financeiros positivos.
    No entanto a tua situação nao vai impedir centenas de jovens de se inscreverem anualmente nessas Universidades mesmo sabendo que irão linha recta para as fileiras do exercito de desempregados universitarios.
    O mais importante é ter uma ocupação honrosa. O trabalho dignifica e todos nós somos necessários. Vendedores de peixe, empregadas domesticas, médicos, advogados, etc,etc, todos imprescindíveis numa sociedade.
    Contudo espero e desejo que com os conhecimentos que adquiriste possas conseguir um job onde poderás utilizar pelo menos uma percentagem dos conhecimentos que tens e que nao desanimes caindo na frustração.
    Nelson, força, coragem e sucesso.

  8. Elzo Dias

    … FORÇA MAN!! Bo ê 1 exemplo a seguir…

  9. Mãe

    Ao meu querido jovem
    Antes de tudo gostaria de o felicitar pela decisão tomada pois poderia enveredar por caminhos sinuosos e vergonhosos, em vez, dignou-se fazer o que se vislumbra momentaneamente possivel. Teu sonho não acaba aqui e tão pouco sua luta acabou de começar o que so irà reforçar seu valor e ainda dignificar-lhe como filho e cidadão desta pequena terra onde, infelizmente, não foi descoberto nenhuma riqueza outra que seu proprio cidadão.E jovem e muito camnho adiante.

  10. Manuel Joaquim Lopes

    Eu que trabalho na estiva, na rocega, debruçado na enxada, para que meu filho consiga estudar e um dia ser engenheiro ou doutor, parece que sou considerado um grande burro de carga. Temos excelentes jornalista e não tenho complexo em lhes tirar o chapéu mas, também temos m…. de jornalistas. Cada um que enfie a sua carapuça mas algum jornalismo deixa muito a desejar. Espero que alguns artigos surgidos nos jornais da Praça, tenham sido escritos por alunos do 1º Ciclo. Eu e muitos outros, por sermos leigos, não conseguimos entender o que o camarada jornalista quis expressar. Bem haja.

  11. Manuel Joaquim Lopes

    Não sei se a minha miopia está cada dia mais aguda ou então o camarada jornalista que produziu este artigo é um grande GENIO. Quando herdamos este Pais em 1975 o numero de médicos, engenheiro, doutores, não doutorados, somavam meia dúzia e esta meia dúzia eram pessoas que trabalhavam de sol a sol e davam no duro para fazer este CV marchar. O verdadeiro grosso deste País foram sempre os PESCADORES, FAIMOS, AGRICULTORES, PEDREIROS, PADEIROS, COMERCIANTES, CONDUTORES, CICERONES. PASTORES, PEIXEIRAS, etc. A forma como o artigo é escrito, da a entender que todo o criolo que não consegue ser doutor é um grande falhado.

  12. Carla Delgado

    Nélson deixa de ser idiota. Os curssinhos de universidade de Cabo Verde, nào tem reconhecimento em lugar nenhum, advogados bajofos tá C. Verde xeio! e pelo menos a vender pexe, mesmo que não vendas pelo meno podes comer!!…. passá sabe.

  13. nao desanimas todo omundo passa por fases dificeis eu passei por fases dificeis da vida mais sempre teve coragem nunca desanimei e agora sou enfermeira licenciada mais um conselho que vou te dar com experiencia propria deverias vender peixe de dia e estudar a noite pe assim darias a continuidade aos estudos e realizar o seu sonho coragem e fe em deus que tudo tem o seu dia

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