Pela primeira vez um computador convenceu o homem que era humano

10/06/2014 09:22 - Modificado em 10/06/2014 09:22
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computadorUm programa de computador que foi apresentado como Eugene Goostman, um ucraniano de 13 anos, conseguiu convencer um júri da Royal Society, em Londres, Reino Unido, que era uma pessoa. Esta é a primeira vez que um computador consegue convencer seres humanos de que é também um, através do teste de Turing. Eugene “enganou” o painel.

 

O teste de Turing foi criado em 1950 por Alan Turing, matemático britânico considerado o pai da informática, sendo considerado um trabalho pioneiro no domínio da inteligência artificial. No teste, um computador entra em conversa com um humano (que não sabe se está a comunicar com uma máquina ou não). O teste é superado se o humano não conseguir perceber se estava a comunicar com outra pessoa ou com um computador. Se o computador for confundido com um ser humano mais de 30% do tempo em que duram as conversações escritas de cinco minutos, passa no teste.

 

Apesar de já ter sido tentado por várias vezes que um computador se saia bem-sucedido na prova, isso nunca tinha acontecido até agora, segundo reclama a Royal Society, considerada a instituição mais importante para a ciência britânica.

 

No último sábado, a Universidade de Reading organizou o Teste Turing 2014, onde participaram cinco programas de computadores, entre eles Eugene, desenvolvido em 2001, em São Petersburgo, Rússia, pelo russo Valdimir Veselov e pelo ucraniano Eugene Demchenko. Durante o dia foram realizadas 300 conversas através do teclado entre os computadores e os elementos do júri e Eugene conseguiu passar por humano, enganando 33% dos elementos do júri.

 

“A nossa ideia era que ele [Eugene] pudesse afirmar que sabe tudo, mas a sua idade [13 anos] torna perfeitamente razoável que não saiba. Passámos muito tempo a desenvolver a personagem com uma personalidade credível”, explica Vladimir Veselov, num comunicado divulgado pela Universidade de Reading.

 

Durante este ano, a equipa que criou Eugene concentrou-se em melhorar o controlo de diálogo do programa que permite uma conversação seja mais próxima de uma entre humanos quando comparado com outros programas que se limitam a responder a questões. “No futuro, pretendemos tornar o Eugene mais esperto e continuar a trabalhar na melhoria do que chamamos conversação lógica”, acrescentou o russo.

 

Kevin Warwick, vice-chanceler para a Investigação na Universidade de Coventry, esteve no evento de sábado, e explica que apesar do teste realizado ser importante e o resultado obtido ser “excitante”, há questões que se levantam. “Ter um computador que consegue levar uma pessoa a pensar que alguém, ou mesmo alguma coisa, é uma pessoa de confiança é um alerta para o cibercrime. O teste de Turing é uma ferramenta vital para combater essa ameaça. É importante percebermos como online, uma comunicação em tempo real deste tipo pode influenciar um ser humano de uma forma a ser enganado e acreditar que alguma coisa é verdadeira, quando de facto não o é”.

 

Turing morreu há 60 anos

A realização do teste coincide com o 60.º aniversário da morte de Alan Turing, em 1954. Turing nasceu a 23 de Junho de 1912 em Londres. Em 1936 publicou um artigo determinante para o desenvolvimento da computação onde teorizou uma máquina muito simples que seria capaz de resolver qualquer problema matemático, desde que fosse capaz de ser representado sob a forma de um algoritmo. Tornou-se assim o primeiro informático e o pai da computação.

 

Mas o maior feito do matemático aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, quando Turing trabalhou para o Governo britânico e desenvolveu uma máquina capaz de descodificar a Enigma – a poderosa máquina encriptadora que os nazis utilizavam para transformar as suas mensagens em códigos aparentemente não descodificáveis.

 

O matemático não deixou de fazer ciência depois da Guerra, continuou a trabalhar em informática e até teorizou sobre temas como a metamorfose na biologia.

 

Mas, o final da sua vida ficou associado à sua orientação sexual. Turing era gay, uma ofensa e um crime no Reino Unido até 1960. Por causa de um assalto à sua casa, o matemático teve a sua vida pessoal investigada e acabou no banco dos réus, em 1952, onde foi dado como culpado por ter tido relações sexuais com outros homens. Foi castrado quimicamente e assim terminou o seu trabalho para o Governo.

 

Dois anos depois, o matemático foi encontrado morto na sua casa, com uma maçã trincada a seu lado. Tinha 41 anos. A autópsia mostrou que morreu envenenado por cianeto, que estaria no fruto, e que muitos dizem que é uma metáfora da história da Branca de Neve que sempre fascinara o cientista.

 

 

publico.pt

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