Intruso ou acidente de para-quedas?

6/06/2014 09:46 - Modificado em 6/06/2014 09:46

escreverAs afirmações do “deputado” do MpD Abraão Vicente, segundo as quais, é premente a necessidade de surgimento de “novos partidos políticos em Cabo Verde”, caiu que nem uma “bomba” no seio dos ventoinhas. Uns insurgiram-se de forma virulento, outros nem por isso. Não era, para menos! Eu até compreenderia a intenção do jovem “deputado” do MpD, se fosse mais congruente e mais elucidativo. Ou seja, as suas afirmações não passaram de uma mera doxa decorrente de um estado anímico repleto de euforia momentânea. Pois, não fosse, o jovem aspirante a político teria uma atitude intelectual e política, já agora, bem diferente. Considerações lógico-formais à parte, pois estas são contas para outro rosário, vamos tentar perceber, do ponto de vista da lealdade e disciplina partidária, o alcance de asserções de Abraão Vicente.

 

Ora bem, o aspirante Abraão Vicente que entrou para o MpD pelas mãos de Carlos Veiga, logo depois de ter apresentado o seu livro: “Carlos Veiga: O Rosto da Democracia em Cabo Verde”, acaba de provar aos cabo-verdianos e aos mpdistas, o seu verdadeiro ser político. Nessa altura, essa adesão ao MpD apanhou muita gente de surpresa. Tudo porque, o jovem era tido como um sujeito próximo do PAICV, a avaliar pelos seus escritos e ação junto desse partido. Aliás, a entrada foi de tal sorte triunfante que conseguiu um lugar elegível deixando de fora da lista muitos dinossauros do partido, nas últimas legislativas.

Aliás esta aproximação ao PAICV foi, recentemente, notável durante as festividades comemorativas do 80º aniversário de Pedro Píres, quando o aspirante Abarão Vicente foi visto posando-se ao lodo do “comandante” para festar na foto dos amigos de Pires. Mais: as más-línguas falam que anda atrás dos bons fundos que a Indira Pires anda a gerir da Fundação Pedro Pires para a Liderança (FPPL), numa surda tentativa de esvaziar a Fundação Amílcar Cabral. Isto é, para já, a perceção de alguns sectores do PAICV, que não estão a gostar desta reaproximação cínica e sorrateira de AV. Ou seja, o homem é capaz de tudo para estar na ribalta alucinadora, da esfera pública e politica cabo-verdianas.

 

Até aqui tudo bem. Agora o que, realmente, tenho alguma dificuldade em perceber é, uma vez entrado para as fileiras do MpD, não ter entranhado na sua consciência política, os valores do partido. O seu portefólio “político”, quer enquanto deputado, quer enquanto o pseudo-militante é recheado de nulidades narrativistas. Dá bastante primazia ao pathos em detrimento do ethos, a ponto de ter prejudicado, amiúde, o MpD. Mas, não era de se esperar uma atitude diferente de um intruso, vítima de um acidente de pára-quedas! As últimas declarações de Abraão Vicente vêm demonstrar a falta de lealdade político-partidária para com o MpD. Uma clara indisciplina partidária! Pois, estes dois elementos constituem, a meu ver, a pedra angular da democracia. Fosse num partido sério este senhor já tinha sido escorraçado, mediante um processo disciplinar.

 

Mas, como diria um amigo, à guisa de reacção às nulidades do deputado: “bem feito! O MpD está pagar a factura de-o ter aceitado para as suas listas, como candidato a deputado”.

 

Agora, além de deputado, é este senhor que determina a agenda política do partido e “concebe” o plano estratégico da comunicação política do MpD. Escolhe pessoas da sua confiança para colocar no Gabinete de Comunicação do partido, já os outros com excelente percurso, quer académico, quer político não lhe convém. Só mesmo num partido que confronta com graves problemas de crise identitário e ideológico, à semelhança do aspirante Abraão Vicente! Acha que é um especialista em Ciências da Comunicação, com variante em Comunicação Política. Assume como jornalista que entende de tudo sem ter aprendido nada. Ele é que dá carta no seio do partido. É com este senhor que o MpD está a trabalhar a sua estratégia política para vencer o próximo pleito eleitoral?

 

Onde é que já se viu um membro da Comissão Política de um partido, a insurgir contra o seu próprio partido, a ponto de chamar os seus pares de caducos e de considerar que o panorama político do País, precisa de uma nova alternativa?

Face as frequente atitudes do aspirante Abraão Vicente, que em nada abona a imagem do partido, creio que estas últimas declarações políticas ferem, sobremaneira, todo o decoro e a ética política. Ficava bem na fotografia se saísse das fileiras do MpD e assumisse, claramente, a sua posição face à necessidade de mais uma “pedra” no xadrez político cabo-verde. Até como sociólogo, que é, escreveria um artigo a esgrimir todos os argumentos epistemológicos sobre o que pensa da criação de mais partidos políticos em Cabo Verde. Podem crer, que teria todo o apoio do meu acervo bibliográfico, sobre a Sociologia e Ciência Politicas. Mas, querendo, vai, ainda, a tempo de o fazer, em nome da ética de responsabilidade política!

 

 

  1. Manuel Joaquim Lopes

    As reafirmaçoes do camarada Sa Nogueira sao no minimo pateticas. Acusa o camarada Abrao Vicente de PAICVista e ele tambem ignora o ventre de onde saiu. Quando Policia Fiscal, defendeste de arma em punho, em Sao Nicolau, em conversas de esquina a tua mama PAICVista. Agora armas em carapau de corrida e cuidado porque, como tambem gosta de dizer o camarada JMN, “BURRO TA DEXADO NA LADERA”.Em boca fechada, nao entram moscas e nem mosquitos. Tas armado em puxador de saco mas, nao tens categoria para,.

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