Estatuto da Carreira docente: professores pressionam e governo engata marcha atrás

4/06/2014 07:28 - Modificado em 4/06/2014 07:28

ProfessorMinistério da Educação e Sindicatos não se entendem quanto a proposta do Estatuto da Carreira docente, ECD, que vem sendo preparado pelo governo há vários meses e que está agora publicamente em discussão. Mas perante a reacção dos professores o governo perde fôlego e começa a engatar a marcha-atrás. Mas a procissão ainda vai no adro.

 

O Presidente do Sindep, Nicolau Furtado, ao se referir à proposta do Estatuto da Carreira Docente, diz que o documento é “contra todas as expectativas” e que surge em absoluta incoerência com as opções que o Governo havia acordado com os sindicatos em 2002 e 2003.

Nicolau Furtado, alerta então para o facto de as alterações preconizadas no ante-projecto do ECD, não terem fundamentos sólidos. Fala em subversão de valores, como sublinha “surpreendendo tudo e todos”, a seu ver, com “opções que a serem aprovadas, penalizariam injustamente a classe docente”.

Aqui o pomo da discórdia assenta na idade de reforma ou no tempo de serviço. Os Sindicatos dos professores em uníssono, defendem que se mantenha os trinta e dois anos de serviço ou cinquenta e cinco anos para a reforma, ao contrário dos quarenta anos de serviço conforme defende o Governo na proposta de Estatuto da Carreira Docente, agora posta em discussão junto dos parceiros do Ministério da Educação.

Por outro lado, João Cardoso, Presidente da Fecap, exige a reformulação do projecto porque entende que nele estão contidos mais perdas do que ganhos para a classe docente.

Pedro Brito, Director do Orçamento e Plano do Ministério da Educação tem opinião contrária e aponta – o que a seu ver -, são ganhos para a classe docente. Formação com carácter sistemático, articulada com a superioridade do desenvolvimento do serviço com os planos individuais de carreira – cita o artigo 7º da Proposta -, principio da comparticipação da formação entre o governo e os professores, maior rigor e transparência no desenvolvimento na carreira de professores – escuda-se nos artigos 32, 33 e 34 -, e aponta ainda o facto de que o documento propõe a entrada de todos os professores com formação na área, para a carreira de docente.

A lista de ganhos que Pedro Brito apresenta é enorme, mas ainda assim, diz que o que está em discussão é apenas uma proposta, que está à disposição da sociedade Cabo-verdiana para que Ela dê a sua contribuição.

 

  1. Geronimo

    É preciso formar professores de excelência e atraí-los com renumeração alta.
    Escola não é brincadeira.Não é passatempo, não é depósito de criança porque os pais estão trabalhando.
    É o lugar mais importante de um país sério.
    Autor : Alexandre Garcia.

  2. Só há dinheiro para

    Depois de tudo isso pergunta-se. Onde está agrelha salarial? Com que intenção se esconde a grelha salarial? No meio de todas as perdas o que esperar do salário? Só há dinheiro para uns: militar, comandantes, gestores públicos, presidente da bolsa, técnico do nosi, entre outro camaradas. Quem sacrifica neste país nunca é reconhecido. Há que mudar mentalidade e passar a exigir mais do governo. Há que haver justiça no pagamento do salário. Que Cabo Verde é este?

  3. Avelino R. Pina

    Já o dissemos e voltamos a dizer que o PCCS e os seus “derivados” (Estatuto das carreiras Médicas, dos Enfermeiros, dos Inspectores/Auditores, do Pessoal Docente…), irão tornar as carreiras profissionais dos servidores do Estado, autênticas “MISSÕES IMPOSSÍVEIS”. Os factos são factos (está escrito e todos já sabem perfeitamente ler). Não adianta alguém estar a tentar enganar o próximo, só porque está circunstancialmente bem servido, esquecendo, completamente, daqueles que foram e são colegas de profissão. Talvez até percam a noção de que os cargos políticos/dirigentes são conjunturais e temporários.

  4. Patricio Vieira

    Os dois sindicatos nao estao a discutir o enssencial. Estao demais obsecados com os 60 anos de idade e 34 anos de servico. Esqueceram que o actual versdao em dis cussao retira os privilegios outrora concedidos aos pessoal docentes desde o tempo do Dr. Corsino Tolentino. Os professores da primaria esaqueceram do subsidio da carga horaria que podia ir ate os 40% sobre o vencimento. A progressao e a reclassificacao.Pensem nisso senhores lideres sindicais. A bem dosa professores.

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