Milhares voltam às ruas de Barcelona para defender centro social

2/06/2014 00:50 - Modificado em 2/06/2014 00:50
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barcelonaMilhares de pessoas saíram às ruas de Barcelona neste sábado à noite para protestarem contra a prevista demolição de prédio que funcionava há 17 anos como centro social gerido por “okupas”. Os trabalhos de demolição começaram na passada segunda-feira mas foram suspensos depois de quatro noites de protestos e de violência.

 

O protesto deste sábado extravasou o bairro de Sants, onde fica situado o centro Can Vies, e levou os manifestantes para o centro da cidade – a polícia fala em 3500 pessoas, a organização contou mais de 20 mil. “Vamos construir a alternativa, vamos defender os bairros”, proclamava uma faixa no início do desfile, aplaudido por muitos habitantes que viram passar a manifestação da janela das suas casas. “Eles não podem expulsar a cultura popular”, gritavam os manifestantes.

 

Tal como nos outros protestos, a noite acabou com violência e actos de vandalismos. A polícia deteve 61 pessoas mas só uma ficou na prisão e a 19 foi decretada liberdade condicional.

 

“Tudo isto é um absurdo. Foram eles [a câmara municipal] que criaram um problema que não havia”, desabafou José Perez, um comerciante de 52 anos, que decidiu manifestar o seu apoio ao Can Vies, um local que “acolhia actividades culturais e que criava um espírito de bairro”.

 

Na manhã de sábado, várias centenas de pessoas reocuparam o edifício do Can Vies, para iniciar a sua reconstrução (na segunda-feira, uma escavadora ainda conseguiu derrubar uma parte do imóvel), ajudados por um grupo de arquitectos. Estes avaliaram os estragos e concluíram que não há risco de derrocada do prédio nem danos na estrutura, dando luz verde à reconstrução, que será feita por voluntários.

 

“A reocupação e a reconstrução desta manhã é uma vitória da população. Eles podem impor-nos a austeridade, podem reprimir-nos e aumentar o preço dos transportes, mas eles não podem tirar-nos a nossa dignidade”, proclamou Laura Solei, uma professora de 38 anos ouvida pela AFP.

 

Ocupado desde 1997 por grupos da esquerda radical, o prédio que estava abandonado pertence a TMB, empresa que gere os transportes públicos de Barcelona. Já baptizado de Can Vies, tornou-se um centro social popular, que organizava concertos, projecções de filmes, debates ou curos de formação.

 

Em 2006, o proprietário do imóvel decidiu demoli-lo por questões de reorganização urbana, numa zona onde passam linhas de metro e de comboios de alta velocidade, já perto da estação de Sants, a gare mais movimentada de Barcelona.

 

 

publico.pt

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