Francês detido pelo ataque ao Museu Judaico belga combateu na Síria

2/06/2014 00:46 - Modificado em 2/06/2014 00:46
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sirioO suspeito autor do ataque ao Museu Judaico da Bélgica, que fez quatro mortos há uma semana, foi detido em Marselha: chama-se Mehdi Nemmouche este francês de 29 anos nascido em Roubaix (Norte de França), de “perfil jihadista”, que as autoridades acreditam ter-se radicalizado na prisão, onde esteve antes de partir para a Síria. Tinha consigo uma gravação onde reivindica o atentado.

 

No dia 24, um sábado, um homem de óculos e gorro aproximou-se do museu no centro de Bruxelas e disparou várias vezes uma arma de tipo Kalashnikov. Matou quatro pessoas – um casal de israelitas de Telavive, de férias, uma francesa e um jovem belga – e desapareceu, em menos de 2 minutos. A polícia divulgou vídeos de câmaras de vigilância para incentivar eventuais testemunhas e descreveu o atacante como “determinado”, “ágil nos movimentos” e capaz de “agir com sangue frio”.

 

O ataque, realizado horas antes do início das eleições europeias, foi descrito como anti-semita e condenado um pouco por todo o mundo. O Governo belga, pouco habituado a lidar com este tipo de atentados, elevou de imediato o nível de segurança para 4 (numa escala de 5) e reforçou o policiamento junto a sinagogas e edifícios ligados com a comunidade judaica em Bruxelas.

 

Mehdi Nemmouche foi detido na sexta-feira na estação de Saint-Charles durante um controlo rotineiro. Estava num autocarro que tinha partido de Amsterdão e parado em Bruxelas. Segundo explicou este domingo o procurador de Paris, François Mollins, tinha consigo uma Kalashnikov e um revólver carregado, uma bandeira onde está escrito Estado Islâmico no Iraque e no Levante (mais conhecido como ISIS, o mais radical dos grupos de jihadistas estrangeiros que têm espalhado o terror na Síria), uma câmara GoPro, um portátil e vários cartões de memória.

 

Na câmara, diz a polícia, estava um vídeo de 40 segundos onde se mostram as duas armas usadas e uma voz gravada, a do próprio, reivindicando a responsabilidade pelos assassínios.

 

François Mollins diz que Mehdi Nemmouche passou um ano na Síria, antes de dar início ao processo de “queimar pistas” e regressar à Europa. “A polícia técnica e científica começa a obter resultados, que só serão oficiais no início da semana”, disse à AFP um responsável próximo do inquérito. “As primeiras análises feitas às armas, assim como a exploração inicial do material informático e das imagens vídeo na sua posse produziram resultados que apontam para a existência de provas” da autoria do atentado contra o museu de Bruxelas, afirmou Mollins numa conferência de imprensa.

 

Desde que foi detido, Mehdi Nemmouche “não disse nada”, mas duas pessoas foram interpeladas na Bélgica e estavam no domingo à tarde a ser ouvidas pela polícia: “Queremos saber se estão envolvidas”, disse na capital belga o procurador federal Fréderic Van Leeuw.

 

Reino Unido, Turquia, Líbano

Mehdi Nemmouche é conhecido há alguns anos pelas autoridades francesas. Condenado em 2009 por assaltar um supermercado em Tourcoing, perto da fronteira belga, foi libertado no fim de 2012. Logo depois, iniciou uma viagem que o fez passar pelo Reino Unido, Líbano e Turquia. A Direcção Geral de Segurança francesa sabe que esteve na Síria desde o início de 2013 até Março deste ano, escreve o Le Monde.

 

O Presidente François Hollande já comentou a ameaça que o regresso destes jovens constitui para vários países, sendo França um dos principais pelo número de franceses que já passaram pela Síria. “Vamos combatê-los, vamos combatê-los, vamos combatê-los”, afirmou este domingo o chefe de Estado francês, prometendo que “os jihadistas serão seguidos” e que tudo será efeito para evitar que ataquem em França ou noutros países europeus.

 

Em Abril, Paris apresentou um plano para acompanhar este fenómeno, relembrou Hollande, explicando que as operações que este implica “serão desenvolvidas nos próximos meses”. De acordo com um membro dos serviços secretos ouvido pela AFP, 780 pessoas que viviam em França partiram para a Síria nos últimos anos, não sendo certo o número dos que por lá ficaram e dos que entretanto regressaram. A Bélgica estima que 200 dos seus cidadãos tenham feito o mesmo percurso, muitas vezes para combater ao lado de franceses.

 

1500 a 2000 europeus em 2013

Em Dezembro, os ministros do Interior francês, Manuel Valls, e belga, Joëlle Milguet, diziam que 1500 a 2000 europeus tinham viajado desde Março de 2013 para a Síria. Destes, 80% eram muçulmanos, os restantes tinham-se convertido recentemente. A maioria, explicavam então estes responsáveis, não tinham ido para se unir aos esforços dos rebeldes sírios como os que integram o Exército Livre, mas para integrar grupos como a Frente al-Nusra (que se diz leal à Al-Qaeda) ou ao ISIS, grupo que cresceu muito na Síria e opera do Iraque ao Líbano.

 

Madrid dizia pela mesma altura que dos 42 jovens que tinham saído de Espanha a caminho da Síria desde 2012, pelo menos 17 tinham partido com a intenção de se aliarem aos grupos mais radicais. Uma das estratégias adoptada por Espanha desde os atentados de Março de 2004 passa por expulsar alguns destes jihadistas para os seus países de origem, muitas vezes depois de terem sido presos e antes de cumprirem a totalidade da pena – nos últimos dez anos foi o que acontecem com 100 homens, expulsos por razões de “segurança nacional” e impedidos de voltar a Espanha por um período de dez anos.

 

Segundo o Centro Internacional de Estudos da Radicalização, um think tank com sede em Londres, 18% de todos os combates estrangeiros que chegaram à Síria vêm da Europa – um número que poderia ser ainda superior se a Turquia não tivesse expulsado 1100 europeus só em 2013, antes de estes conseguiram cruzar a fronteira síria.

 

 

 

publico.pt

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