Projecto europeu mostra avião controlado pelo cérebro humano

2/06/2014 00:50 - Modificado em 30/05/2014 12:51
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Nos filmes de ficção científica o poder da mente consegue quase tudo. O teletransporte, a destruição de arqui-inimigos, mover gigantescos objectos. Na realidade podem não se conseguir essas proezas, mas já é possível comandar aviões apenas com o cérebro, com ou sem qualquer experiência de pilotagem. O projecto europeu BrainFlight mostra que uma pessoa consegue pilotar um avião através da actividade dos neurónios, com uma precisão quase perfeita.

 

BrainFlight (voo pelo cérebro) é o resultado de uma parceria das organizações TEKEVER – Portugal, Fundação Champalimaud (Portugal), Eagle Science (Holanda) e Universidade Técnica de Munique (Alemanha), com um financiamento da União Europeia de cerca de 600 mil euros.

 

Cerca de dois anos após o seu lançamento, o projecto chega agora ao objectivo pretendido: mostrar que é possível o controlo de um avião através de sinais neurais emitidos pelo cérebro de uma pessoa, sem qualquer outra interferência física.

 

Num vídeo de demonstração do Instituto para a Dinâmica de Sistemas de Voo, da Universidade Técnica de Munique, apresentado esta semana, vemos um homem no interior de um simulador de voo onde existe um painel e um manípulo situado à esquerda do cockpit. O “piloto” tem uma espécie de touca branca semelhante às que se usam nos electroencefalogramas, com vários fios ligados a eléctrodos, para medir a actividade cerebral.

 

À sua frente, uma imagem de paisagem vista do ar. Começa o voo e o manípulo entra em movimento sem qualquer interferência visível. O objectivo é aterrar o avião em segurança e o mais próximo possível do sítio indicado na pista de aterragem. Durante a curta viagem, o “piloto” segue através do painel a posição da aeronave, a velocidade e altitude. Pouco depois, e após uma ligeira atribulação, o avião aterra. Durante todo o processo, o piloto teve as mãos colocadas sobre as pernas e manteve-se imóvel.

 

Este teste no simulador foi realizado por sete pessoas. Entre os indivíduos havia vários níveis de conhecimentos de pilotagem, sendo que um deles não tinha qualquer experiência de voo. “Um dos indivíduos conseguiu seguir oito de dez alvos com um desvio de apenas dez graus”, conta o engenheiro aeroespacial Tim Fricke, que lidera o projecto na Universidade Técnica de Munique, no comunicado de apresentação da investigação. Um dos testados conseguiu aterrar a poucos metros da linha central da pista de aterragem.

 

Cérebro controla a máquina

E como é isto possível? A ligação entre humano e máquina é feita através de ondas cerebrais medidas através de um processo de electroencefalografia, conduzida por eléctrodos. Com esta técnica é registada a actividade eléctrica do cérebro, criada pelos impulsos nervosos.

 

É aqui que entra o trabalho das universidades técnicas de Munique e Berlim. Com a criação de um algoritmo utilizado num programa foi possível decifrar os potenciais eléctricos e convertê-los em comandos de controlo. No entanto, apenas os impulsos eléctricos do cérebro mais necessários para assumir funções de controlo foram reconhecidos pelo programa. Aqui não se fala em leitura da mente. O engenheiro aeroespacial Tim Fricke explica que se trata de um “processamento de sinal puro”.

 

O BrainFligth pretende que qualquer pessoa consiga pilotar um avião e a “visão a longo prazo é tornar a pilotagem acessível a mais pessoas”, sublinha Fricke. “Isso reduziria a carga de trabalho dos pilotos e, nesse sentido, aumentaria a segurança. Além disso, os pilotos teriam mais liberdade de movimento para realizar outras tarefas manuais no cockpit”, argumenta.

 

O próximo passo é aplicar esta tecnologia ao mundo da aviação. Ao ficar demonstrada a viabilidade do BrainFlight, o consórcio por trás do projecto acredita que o “paradigma do controlo actual do sistema de transporte aéreo pode mudar”.

 

Ricardo Mendes, chefe de operações da TEKEVER, sublinha que este é um projecto “com impacto a longo prazo, que já forneceu excelentes resultados e vai exigir mais maturação tecnologia”. “Acreditamos que o BrainFlight representa o início de um passo tremendo de mudança na área da aviação, dando poder aos pilotos e tornando menos arriscadas as missões.”

 

O resultado da investigação no âmbito do BrainFlight vai ser apresentado em Setembro, na Deutscher Luft-und Raumfahrtkongress, conferência alemã sobre aviação e espaço.

 

 

publico.pt

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